segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Galera do Mal", 2004: comédia adulta com personagens adolescentes.



"Galera do mal" (Saved!) [EUA], 2004 Comédia - 92 min. Direção: Brian Dannelly Roteiro: Brian Dannelly, Michael Urban Elenco: Jena Malone,Mandy Moore, Macaulay Culkin, Patrick Fugit, Chad Faust, Eva Amurri, Martin Donovan, Mary-Louise Parker.


O filme, apesar do (mais uma vez) péssimo título em português, apesar da capa não dizer nada, e apesar de um elenco bastante jovens, não é uma comédia adolescente. Também não é uma sátira religiosa. É uma abordagem bem humorada sobre a intolerância. E nada melhor do que uma escola, reino da intolerância de todos os tipos, para servir de ambiente para o tema.


Em uma tradicional escola cristã (batista, mas bem que poderia ser qualquer outra), há igualmente em outra escola a turma dos descolados e a turma dos perdedores (outsiders) - adotando a gíria que a legendagem brasileira adora usar. Porém, por ser uma escola religiosa com direito a culto e tudo, a turma dos descolados não tem seus destaques com o time de futebol americano, mas com as fanáticas religiosas. Mary (Jena Malone), é uma destacada participante da "panelinha" denominada "Jóias Cristãs". A panelinha é liderada, ou melhor, gira ao redor de sua líder Hilary Faye (Mandy Moore) que se dedica a louvar aquilo que ela mais ama: sua própria popularidade. Porém, de uma brincadeira bastante inocente de se confessar segredos embaixo d'água, Mary ouve de seu namorado, Dean (Chad Faust) que ele acha ser gay. O susto foi tamanho que, após bater a cabeça, Mary tem uma epifania: viu o Senhor lhe ordenar a fazer sexo com seu namorado a fim de salvá-lo com a promessa de ter a sua virgindade restaurada devido a fé e a boa-ação da causa.


Obviamente que Cristo não tem nada a ver com isso. E o resultado não poderia ser mais desastroso para Mary. Ela fica grávida, seu namorado é internado em uma clínica para "des-gaynização" e ela passa a enchergar o fanatismo religioso e toda sua hipocrisia quando passa a ser praticamente cassada por sua até então "muy" amiga Hilary. Hipocrisia que já vinha sendo apontada com toda a ironia do mundo pelos outsiders Roland (Macaulay Culkin), irmão de Hilary, e da única judia da escola Cassandra (Eva Amurri). Para jogar ainda um pouco mais de pimenta na já complexa situação, a mãe de Mary, Lilly (Mary-Louise Parker) tem um caso secreto com o líder religioso e diretor da escola Skip (Donovan) que faz com que ambos nunca saibam o que fazer diante tantos acontecimentos. E o duelo entre perdedores e descolados se dá na medida em que Hilary disputa com Mary o amor do skatista Patrick, filho de Skip.


A ironia toma conta do começo ao fim do filme com situações inteligentes e várias vezes hilárias. Sem apelações, até mesmo na cena em que a rebelde Cassandra em hebraico (?) ameaça mostrar os seios no meio do culto, até a tentativa de Hilary em resgatar a "ovelha perdida" da Mary com uma sessão de exorcismo dentro da van. Mas é quando Hilary arremessa a Bíblia em Mary e essa adverte: - "isso não é uma arma, idiota" é que percebemos que se trata de uma mensagem não contra as religiões, mas contra o fanatismo, a hipocrisia, e o quanto elas podem ser maléficas para todo mundo.


O filme tem alguns defeitos que não chegam a prejudicar no conjunto final. Todos os adultos são idiotas e há uma certa arrogância contra tudo e todos. O filme tem uma suavidade impressionante para o peso do tema, talvez por isso sua abordagem seja tão superficial. Outra coisa problemática é a brincadeira com as clínicas de "desgayzação", onde se fala que é mais para quem manda seus filhos do que para os filhos - não, definitivamente eles não são assim e costumam provocar estragos impressionantes.


Os destaques vão para os quatro atores principais do filme. Culkin está amadurecido, com falas inteligentes, e convincente no papel de "bad boy" paraplégico. Eva Amurri está perfeita como garota problema, sendo o alívio humorístico nas situações mais críticas. Jena Malone consegue ser a protagonista principal sem ofuscar os demais e sem ser ofuscada por eles. E Mandy Moore é uma grata surpresa ao vê-la atuando (ela é uma cantora pop-teen até que bem famosa). O filme serve para entreter e refletir. É suave sem ser bobo. Ainda que reserve certos momentos de pastelão.


Ósculos e amplexos!




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