quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"Os Smurfs", 2011: Para crianças de hoje, lembre-se disso!


"Os Smurfs" (The Smurfs Peyo) [EUA] 2011 - 102 min. Animação / Infantil Direção: Raja Gosnell Roteiro: J. David Stem, David N. Weiss, Jay Scherick, David Ronn Elenco: Neil Patrick Harris, Jayma Mays, Sofía Vergara, Hank Azaria, Jonathan Winters, Katy Perry, Anton Yelchin, Frank Welker, Fred Armisen, Alan Cumming, George Lopez



O filme é para crianças de hoje, portanto não é para crianças da década de 1980. Ainda que por diversas vezes o filme conversa com o público infantil de décadas passadas (ele faz algumas afirmações para aqueles que já cresceram como: a musiquinha xarope, a mania de usar a palavra "smurf" para tudo, etc), ele é fofo o bastante para cativar as crianças que nasceram após o ano 2000. Portanto, deve ser visto como tal. Para os mais crescidinhos, algumas informações importantes são finalmente explicadas - como por exemplo, como pode ter 99 homens e apenas uma mulher na vila dos Smurfs - e outras humoristicamente ignoradas.

A história é simples, na vila dos Smurfs, Papai Smurf tem uma visão preocupante sobre o futuro. Vê o Smurf Desastrado sendo o responsável pela captura dos demais smurfes pelo bruxo Gargamel e seu gato Cruel. E a confusão se confirma: sem querer, Desastrado leva Gargamel diretamente para a vila dos Smurfs. Na fuga, alguns smurfes descobrem um vórtice que os levam para Nova Iorque e lá conhecem o estranho mundo dos seres humanos enquanto tentam voltar para casa. As criaturinhas, em um mundo totalmente desconhecido, conhecem Patrick (Harris) e Grace( Mays - que tem um meigo olhar que parece ter saído da um gibi), um casal que espera seu primeiro filho. Sua chefa é a linda, latina e terrível Odile, dona de um império dos cosméticos e que espera uma campanha publicitária impossível circulando pela cidade.

"Casa grande faz com que o casal fique mais afastado", diz a sábia Smurfete. Sim, alguns valores importantes como valorizar mais a família que os bens materiais, valorizar a paternidade mais do que uma promoção no emprego, apoiar a esposa e estar sempre pronto para auxiliá-la, estão o tempo todo contidos na história e acabam sendo o grande drama de fundo dos personagens nova-iorquinos. Já para os Smurfs, é a volta para casa. Há tempos em que a beleza de uma boa história, centrada em valores adequados para as crianças, não era exibida. Em meio a tantos eletrizantes desenhos, com erotizações, com valores invertidos e tantas outras coisas facilmente questionáveis de serem exibidas para o público infantil, "Smurfs" acaba sendo um alívio adequado para um bom programa em família.

Realmente, o filme carece de um enredo mais profundo e muito dos personagens acabam tendo situalções em que simplesmente desaparecem. Ao mesmo tempo, temos o mais divertido gato da história do cinema (sim, ele bateu o gato de botas de Shrek e Garfield). Gargamel, enquanto bruxo atrapalhado, é o responsável por quase toda a ação do filme. E a homenagem ao criador dos Smurfs, Peyo, bem como a referência feita ao fenômeno que foi o desenho são elementos bem homenageados no filme. Inclusive as palavras mágicas para abrir o portal não poderiam ser em outra língua senão a francofonia do belga Peyo.

O que me incomodou - sempre me incomoda - foi que a versão 3D só serviu para uma coisa: deixar o ingresso mais caro. Não contribui em absolutamente nada.

Enfim, um filminho bom e agradável para assistir com a família.

Smurfs e smurfs!


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"Capitão América: o primeiro vingador", 2011: história bem contada.


"Capitão América: o primeiro vingador" [Captain America - The First Avengers ] EUA , 2011 - 124 min. Aventura Direção: Joe Johnston Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Richard Armitage, Toby Jones, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, JJ Feild, Bruno Ricci, Lex Shrapnel, Michael Brandon, Martin Sherman, Natalie Dorme.


Já cansado de assistir grandes projetos das histórias em quadrinhos se tornarem uma imensa chatice no cinema, fui assistir sem nenhuma expectativa ao filme da HQ que nunca me despertou nenhum interesse. Capitão América, para mim, sempre foi muito chato. Tanto na sua época de ufanismo estadunidense quanto em sua fase de depressão - quando descobre que é possível existir corruptos no primeiro mundo. Ao término do filme, fui para casa com um sorriso nos lábios. O filme, que eu não dava nada, é bom!

Na busca por recriar seu universo também nos cinemas, a Marvel fez vários filmes dos quais apresentavam para o público cineasta seus principais personagens: Homem-de-Ferro, Hulk, Thor, Quarteto Fantástico e X-Men. Os três primeiros foram apresentados com algumas interferências e referências que tão somente os fãs de HQ compreendiam, mas que carregavam o filme de informações que pouco ou em nada contribuía. Com isso, os filmes custavam a agradar o público mais cinéfilo em troca de um perdão ao público mais, com ainda mais perdão do neologismo a ser usado, "agaquéfilo". Surpreendentemente, o Capitão América consegue escapar disso e ter uma história centralizada em seu personagem. E o mais genial, não se abandona a referência ao projeto maior - e que agora eu temo profundamente seu resultado - de se fazer o primeiro encontro (crossover) de personagens no cinema: Os Vingadores.

Para centrar a história no personagem sem perder de vista o crossover futuro, Markus e McFeely usaram de uma ferramenta inteligente: o tempo. Sim, o filme começa em tempos atuais com a descoberta de um avião do tempo da Segunda Guerra, enorme, enterrado no gelo groelândio. Ao explorar internamente a aeronave, descobrem o super-heroi da Segunda Guerra congelado: o Capitão América. Neste momento, um imenso flashback dá início, bem como o filme propriamente dito começa. Steve Rogers (Evans), raquítico e com um histórico familiar de algumas doenças, sonha em entrar para as Forças Armadas e lutar na Guerra. Mas, seu porte físico e histórico de saúde é um entrave tão significativo que lhe foi negado cinco vezes a entrada no exército. Em mais uma tentativa, um misterioso cientista alemão mas que serve ao exército americano identifica em Rogers mais do que músculos: bondade, inteligência e força de vontade. E assim, o magricelo entra para as forças armadas dos Estados Unidos com o propósito de ser cobaia de uma grande experiência científica. Depois de uma série de testes, Rogers é aprovado para ser o primeiro a receber um soro que o transformará em um super-soldado. A experiência dá certo, mas um incidente faz com que o inventor do soro morra e com ele a fórmula do supersoldado. Rogers é espécime única e se transformará em Capitão América.

A história vai desenvolvendo o personagem de maneira elegante e convincente. Antes mesmo do magricelo Rogers se tornar no avantajado Capitão América, já se torce pelo mocinho. É uma história de militares durante a guerra, portanto poucos sorrisos são vistos na tela. Dessa maneira, os pouquíssimos momentos de afeto são valorizados pela história. Aliás, destaque para Peggy Carter (Atwell), oficial de forte sotaque britânico e que além de durona, é linda! Ela irá fazer o par romântico com o heroi e protagonizar alguns dos momentos mais dramaticos da história enquanto uma personagem marcante e importante. Isso citando apenas o heroi e sua musa, mas há de se dizer que o elenco todo estava muito bem preparado para fazer o filme. Destaque para Tommy Lee Jones, que faz o coronel Chester, linha dura que treina o supersoldado, responsável pelos alívios cômicos.

Nem tudo são flores, apesar da excelente atuação de Weaving, o vilão Caveira Vermelha - que de tão mau rivaliza com o próprio Hitler - não tem um personagem tão bem construído ao longo do filme. É compreensível que o Caveira Vermelha e o Capitão América possuem as mesmas forças e qualidades, mas na hora do tão aguardado confronto a coisa toda foi prorrogada para um próximo filme. É nesse momento que a Marvel nos faz lembrar de uma de suas mais irritantes estratégias comerciais: a de ser sempre no próximo HQ - ou filme - a explicação do anterior.

O filme é bom, harmonioso, bem contado. Até mesmo para quem nunca ouviu falar no Capitão América (e não são poucos) olharão para o heroi com um pouco mais de carinho - mesmo em épocas em que os Estados Unidos continua sendo o maior benfeitor e o maior malfeitor do mundo.

Ósculos e amplexos!


terça-feira, 12 de julho de 2011

"Cilada.com", 2011: infelizmente, é fraco.


"Cilada.Com" [Brasil], 2011 - 95 min. Comédia Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Augusto Madeira, Carol Castro, Fabiula Nascimento, Fúlvio Stefanini, Sérgio Loroza, Thelmo Fernandes, Marcos Caruso, Luis Miranda, Débora Lamm, Alexandre Nero, Karla Karenina, Dani Calabresa, Milhem Cortaz, Rita Elmôr, Fernando Caruso

Nada mal, porém nada bem. O filme que se propunha a ser comédia de esquetes, escorrega feio ao buscar um jeitão "comédia-romântica ianque". E o resultado é uma ótima história em um filme fraco, infelizmente. Infelizmente, pois, o filme é composto por uma constelação interessantíssima de atores e atrizes de elevadíssimo talento. Mas, a falta de ritmo incomoda, e algumas gags são buscadas de maneira lamentáveis - que lembra, porém completamente fora do esquadro o "Se Beber Não Case".

Em meio ao casamento de uma prima, Fernanda (Leme) vê seu namorado, Bruno (Mazzeo) com outra. Ou melhor, todos veem a cena, pois eles estavam atrás do biombo utilizado para uma projeção e que caíra justamente quando a moça se apoiou para buscar, vamos dizer assim, uma posição melhor. Para se vingar, Fernanda posta na internet uma pífia performance sexual de menos de doze segundos entre Bruno e ela. O vídeo se transforma em um verdadeiro webhit, tornando a necessidade de Bruno "limpar a barra" uma verdadeira odisseia.

Aos poucos, vamos vendo um humor que não colabora em nada com a história. Além disso, demonstra algumas apelações que considerei desnecessárias (como por exemplo, e que está no trailer, a eterna atitude discriminatória de generalizar o pênis negro). Mas, a situação vai piorando. Preconceito de classe, preconceito contra transsexuais, preconceito para com tudo e todas. Enfim, somente a mulher ninfomaníaca e que gosta de tapas no rosto é a mulher da vida do fracassado Bruno.

Bruno como homem é péssimo, como profissional é fraco, como namorado é um sacana, e como ser humano é uma miséria. Tais elementos em momento algum do filme tem redenção. E por uma risada gratuita, realmente o filme é fraco demais e chega a insultar. O adúltero tem sua redenção facilmente estampada ao longo de todo o filme. E a mensagem de que ficar com alguém para não ficar sozinho enquanto sendo amor é de amargar todo o melado que se propunha na parte romântica do filme.

Algumas situações são hilárias. Porém, quase todas estão nos trailers.

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Os Pinguins do Papai", 2011: que vontade de gritar me deu!

"Os Pinguins do Papai"(Mr. Popper's Penguins) [EUA] , 2011 - 94 min. Comédia Direção: Mark Waters Roteiro: Jared Stern, John Morris, Sean Anders Elenco: Jim Carrey, Carla Gugino, Angela Lansbury, Ophelia Lovibond, Madeline Carroll, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Dominic Chianese

"Ai que filme ruim!" Foi a minha vontade de gritar dentro do cinema. É sério, virava-me e me revirava na poltona do cinema aguardando o fim da imensa tortura que é o filme. Nem mesmo a sempre bela visão de Carla Gugino (sim, sou apaixonado por todo aquele charme que ela tem) consegue fazer o filme menos insuportável. O retorno do envelhecido Jim Carrey às comédias que o lançou no cinema acaba sendo decadente, cansativo, e absurdamente sem graça.

Por causa de um pai ausente (vamos combinar que o estadunidense deve ter muito problema com isso), Poppers (Carrey) é um homem de negócios sem muitos valores. Por isso, é divorciado e um fracasso como pai. Por outro lado, é um gênio quando se trata de transaçõs imobiliárias. Mas, sua vida dá uma grande guinada. Seu pai falece, deixando de herança um pinguim. Justo quando o maior desafio de sua carreira foi decretada por seus chefes: a de comprar a impossível e única localização privada do Central Park de Nova Iorque.

Bom, segue o de sempre. O blá-blá-blá água com açúcar de sempre. Popper vai aprender a ser pai com os pinguins. A rede de relacionamentos dele vai sofrer uma alteração brusca na medida em que vai aprendendo a lição. E tome cocô de pinguim para provocar risos, pois as caretas de Carrey não são mais tão boas.

Não agrada, tem pouca graça, e mesmo na hora em que uma perseguiçãozinha muito da fraquinha acontece a coisa não empolga. Além disso, os sempre graciosos pinguins são apenas graciosos. Dão a impressão de que o filme está fora de prazo, talvez sendo melhor aproveitado na televisão em época de natal. Mas no cinema é uma grande chatice.

Em tempo: o filme tem uma brincadeira com a língua do Pê que realmente não se encaixou em nada - mais evidenciado na secretária de Popper. Se era para rir, acho que não deu certo, pois irrita.

Ósculos e amplexos!

"Transformers 3", 2011: para quem quer porrada!

"Transformers 4: O Lado Escuro da Lua" (Transformers: dark of the moon) [EUA] , 2011 - 157 min. Ação / Ficção científica Direção: Michael Bay Roteiro: Ehren Kruger Elenco: Shia LaBeouf, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rosie Huntington-Whiteley, Patrick Dempsey, Kevin Dunn, John Malkovich, Frances McDormand, Ken Jeong, Leonard Nimoy, Peter Cullen

Ei! Cadê a maravilhosa da Megan Fox?! Ela atuava mal pra caramba, mas a nunca-vi-antes -na-vida Rosie-Huntington-Whiteley é uma falta de educação! [Todo mundo sabe que a exótica e linda Fox fez um infeliz comentário comparando o judeu diretor Michael Bay à Hitler e, por isso, foi cortada do filme].

Bom, atendo-se ao filme: oras bolas, quem vai ao cinema assistir Tranformers vai para ver muita, mas muita pancadaria entre os robôs. E neste quesito, o filme é de perder o fôlego. A relação entre os robôs e a Terra é mais antiga do que os outros dois filmes nos contaram. A guerra deles derribou na lua uma nave abatida onde a esperança dos Autobots estava dentro. (E que não vou contar para não estragar as pouquíssimas surpresas do filme). Mas, a descoberta desta nave pelos humanos aconteceu ainda na época da corrida militar entre EUA e URSS, e muito mais do que os próprios robôs sabiam estavam escondidos nos arquivos presidenciais.

Paralelamente, os humanos mais próximos dos robôs são todos uns, como a tradução gosta de chamar os out-siders, fracassados. Sam Witwicky (LaBeouf), heroi de guerra condecorado, formado em uma das mais importantes universidades dos EUA, é um grande desempregado bancado pela namorada (H-Whiteley). O mesmo acontece com outros mais chegados dos robôs, que nem sequer se aproximam da arrogância dos militares e seus interesses bélicos.

O filme acaba sendo um dos maiores disperdício de atores que já se viu, inclusive o sempre eficiente John Malkovich. Os personagens são irritantemente vazios, quando não alternam essa irritação por falas cheias de arrogância que faz com que o espectador sinta verdadeiras vontades de sair do cinema tamanho os insultos. Mas tudo isso faz parte do cenário caótico que virá. (Lembrando que Huntington-Whiteley é muito, mas muito ruim, apesar de belíssima!).

Indo direto ao assunto, o filme não decepciona no fim das contas. Afinal, quem quer saber de história de amor em um filme que promete pancadaria? E neste quesito, realmente o filme lembra parte da minha infância ao explicar por que meus brinquedos viviam aos pedaços. São mais de quarenta minutos de pancadaria convincente e sem tréguas - com direito à baixas em todos os lados, inclusive a pulverização de humanos!!! Chicago vai pras cucuias, com quedas e explosões convincentes. E os robôs... ah! os robôs! Estão maravilhosamente sanguinários (com direito à sangue jorrando dos robôs!).

O filme é para quem quer ver porrada, porrada, e destruição. Esqueça tudo o mais, pois não presta. Somente os encontrões e explosões fazem o filme interessante.

Ósculos e amplexos!


"Carros 2", 2011: sem o charme e a nostalgia do primeiro.

"Carros 2"[Cars 2] (EUA) , 2011 - 113 min. Animação / Infantil Direção: Brad Lewis Roteiro: Ben Queen Elenco: Owen Wilson, Larry the Cable Guy, Michael Caine, Emily Mortimer, Jason Issacs, Thomas Kretschmann

A beleza do primeiro filme "Carros", 2001 não foi muito bem compreendido pela crítica brasileira por considera-lo "americano" demais. E, sinceramente, foi justamente o que mais gostei no primeiro filme, pois mostra uma faceta dos Estados Unidos do qual não conhecemos (a Rota 66, que cortaa os Estados Unidos de costa-à-costa, mas que foi muito bem explicado). Mas, concordo com a crítica quando se diz que foi o mais fraco de uma safra de bons filmes da Pixar.

A continuação perde o ar nostálgico da Rota 66 imortalizada por Janis Joplin (e também pelo já, ainda bem, extinta propaganda de cigarros). Desta vez, a história busca ser um pouco mais mundializada. É justamente neste momento em que Carros 2 perde completamente seu charme e se torna um filme chato para adultos e sem muita graça para crianças.

Relâmpago McQueen é o mesmo carro de corrida do primeiro filme e que após quatro temporadas campeão, volta para Radiator Springs - local onde aprendeu a beleza da humildade e a alegria de se ter uma família e namorada. Em férias, não quer saber de corrida até que seu grande e "caipira" melhor amigo Mate resolve defender sua honra. Uma corrida mundial (mas em apenas três países) para promover um combustível ecológico fez com que o arrogante carro de corrida Francesco provocasse Relâmpago, mas vigorosamente defendido por Mate. E assim, toda a família de Radiator embarca para ser a equipe de McQueen no Grand Prix idealizado por Miles Eixonarroda - o milionário que descobriu o combustível. Paralelamente, uma conspiração internacional ameaça o combustível verde e terá o detetive James Bond, ou melhor, Finn McMissíl na cola deles para desvendar o mistério que ronda sobre as explosões dos carros de corrida.

Em comparação, já que se trata de uma continuação, o filme tem desta vez como protagonista o desajeitado Mate. Ele é o grande responsável pelos momentos de qualidade do filme, bem como suas gags. Mas, a corrida, coisa principal do filme, ficou em um plano tão longínquo que fez com que se perdesse o charme do primeiro filme. Além disso, muitas pontas soltas acabam tornando o filme quando não sem maior conteúdo, previsível demais.

O filme não é ruim, apenas não tem o charme e a nostalgia do primeiro.

Ósculos e amplexos!


sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Meia-Noite em Paris", 2011: Woody Allen se revigorou com uma declação de amor.



"Meia-Noite em Paris" (Midnight in Paris) [França/EUA] , 2011 - 100 min. Comédia/Romance Direção: Woody Allen Roteiro: Woody Allen Elenco: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Carla Bruni-Sarkozy, Michael Sheen, Nina Arianda, Alison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Corey Stoll, Kurt Fuller, Mimi Kennedy


Desde 2005 que Woody Allen se reinventa. Abandonou aquela insistente busca por um lado felliniano que não possui e resolveu divagar pelo mundo seu jeito esquizofrênico em verdadeiras declarações de amor pelas cidades onde seus novos filmes são ambientados. Um Woody Allen com sotaque e um olhar inteligente, mesmo que seu alter-ego seja sempre seu personagem principal. Em "Meia-Noite em Paris", de maneira leve, declara-se o amor pela Cidade Luz da seguinte forma: - "Cara, como consegue essa cidade ser tão mágica? Tenho que falar com a Câmara do Comércio sobre algumas coisinhas!". E tal declaração de amor lhe rendeu o filme que já é sua melhor produção desde "Hanna e suas irmãs", 1985.

O alter-ego de Allen é Gil (Wilson), renomado e cansado roteirista de Hollywood que deseja publicar um livro realmente bom. Ele está prestes a se casar com a linda, intragável e completamente fútil Inez (McAdams) e vão para Paris a fim de objetivos bastante diferentes. Mas Gil acaba tendo um romance paralelo: apaixona-se pela cidade e misteriosamente é conduzido para uma Paris dos anos 1920, onde se encontra com seus ídolos e referências como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí e tantos outros (com direito a uma sequência de gags com nada menos que Salvador Dalí).

De uma maneira bastante suave, Gil vai ocupando todos os espaços do filme. Não se trata de uma comédia, mas de um encontro. Ainda que Allen dê momentos de política, filosofia e sua eterna maneira particular de ridicularizar a psicologia, seu alvo principal é a pseudo-intelectualidade. Aliás, dá uma surra no intelectual de Sourbonne quando viaja pelo tempo e comprova que a arte deve ser vivida e não somente ostentada. Quem não vive a arte, apenas acumula informação e se torna pedante. E o personagem intelectualoide é Paul (Sheen), que dá encima descaradamente da noiva de Gil enquanto toma atitudes irritantes como a de discutir com a guia vivida pela Primeira-Dama francesa Carla Bruni-Sarkozy. Também sustenta uma tese que será o grande drama do filme: por que uma geração sempre venera a geração anterior?

O filme é lindo, leve, romântico, mas exige um público iniciado - mas não muito - em letras e artes. Se não conhecer Buñuel, se não assistir seu "O Anjo Exterminador", 1962, não vai entender a piada maravilhosa que aparece quando Gil dá uma ideia de filme ao próprio diretor espanhol. Se não entender um pouco das literaturas francesa e americana, certamente não vai entender a brincadeira entre Fitzgerald e Gil sobre Mark Twain. Mas não se preocupe, o filme é bom e tão somente os pseudo-intelectuais - tão ironizados no filme - irão se preocupar em dissecar cada uma dessas referências.

Excelente, é um Woody Allen revigorado.

Ósculos e amplexos!