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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Um Sonho de Amor", 2009: Bella storia e belle foto!



"Um Sonho de Amor" (Io Sono L'Amore) 2009 [Itália/Rússia/UK] Direção: Luca Guadagnino Roteiro: Luca Guadagnino / Barbara Alberti / Ivan Cotroneo / Walter Fasano Elenco: Tilda Swinton / Flavio Parenti / Edoardo Gabbriellini / Alba Rohrwacher / Pippo Delbono / Diane Fleri / Maria Paiato / Gabriele Ferzetti

Duas reclamações são obrigatórias antes de se avaliar este filme: o nome péssimo e absurdamente genérico que deram aqui no Brasil, podendo ser tranquilamente ser chamado de "Eu Sou o Amor" - o que faria muito mais sentido e paladar ao filme - ; e a demora para chegar nas telas, pelo menos de Curitiba - dois longos anos!!!

Reclamações feitas, vamos ao filme. Para quem sempre está com saudades dos bons filmes italianos, este é de deixar o espectador satisfeito. Sim, daqueles que provocam, instigam, envolvem, e ainda possui uma paisagem de se perder o fôlego. Aos poucos, sem nenhum salto, no tempo exato, vai se construindo a história principal, os personagens vão sendo compostos com complexidade e profundidade, e as paisagens e a fotografia vão se fundindo com o drama de cada um em cena e a nossa paixão pela Bella Itália vai às alturas.

O filme apresenta uma família tradicional, de classe alta de Milão, em que à princípio não se tem nenhum outro drama senão a preocupação em se fazer um jantar de gala para seu anfitrião, o patriarca Edoardo Recchia Senior (Ferzetti), encaixando uma convidada de última hora de seu neto, Edoardo (Parenti). Em meio ao jantar, que está sendo um sucesso, um novo drama: Edoardo Senior anuncia sua aposentadoria, surpreendendo a todos ao anunciar como sucessor não apenas seu filho, o monótono e ambicioso Tancredi (Delbono) mas também a seu neto Edoardo. Logo, outro drama surge: a neta, Delfina (Codecasa), seguindo a tradição da família de se presentear com um quadro - preferencialmente de própria autoria - presenteia o nono com uma fotografia, coisa que visivelmente constrange o patriarca e que mesmo tentando disfarçar provoca mal-estar em toda a família. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, outros irão surgir com maior força e maior intensidade fazendo com que os primeiros sejam transformados em mera futilidade.

Antonio (Gabriellinni), amissíssimo de Edoardo, que o vencera em uma corrida e que já havia se tornado um constrangedor tema daquela janta, aparece na mansão Recchia para demonstrar sua amizade por Edoardo. Aos poucos, vamos descobrir uma amizade de profunda admiração e irmandade entre os dois. Tal profunda admiração se extende também para a alma do filme: Emma (Swinton), que se encanta com o rapaz e com seu talento culinário. Deste ponto em diante, temos em cena a tragédia do amor, como em uma ópera italianíssima.

O filme vai sendo construído com inteligência e vai sempre deixando marcas em quem assiste. É impossível não suspirar com as belas imagens e com a atuação bastante convincente de Swinton (que a cada dia mais me surpreende com sua boa forma e talento cênico). Somos tranportados para as belas imagens de Milão e San Remo, ficamos aflitos com a frieza de Londres, sentimos o cheiro da rica culinária de Antônio, nos apaixonamos por todos os personagens. O filme começa em pleno inverno, com calçadas branquinhas de neve, e vai esquentando ao longo da trama. Tudo o que foi construído no começo passa a ser descontruído com aquela beleza do amor/tragédia italiana. Emma vai se descobrindo na medida em que sua história original é resgatada, ao mesmo tempo, sua vida vai passar por processos nada fáceis. Somente quem é puramente amor poderia tomar as decisões tomadas. E, de quebra, rapidamente várias surpresas no final não deixam o filme com pontas soltas.

Talvez minha única queixa é a existência de um personagem que passou, inclusive, sem falas. O irmão de Edoardo. Ele está ao longo de todo o filme, mas nem no cartaz aparece. No restante, é um filme lindo e que vale a pena de se comprar assim que achar nas prateleiras. Um filme italiano daquele que estávamos com saudade!

Ósculos e amplexos!

terça-feira, 14 de junho de 2011

"Potiche", 2010: comédia e crítica atual, feminina, e feminista.


"Potiche: esposa trofeu" (Potiche) [França], 2010 Direção: François Ozon Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Karin Viard. 103 min Comédia

Apenas pelo fato do diretor Ozon estar novamente fazendo comédia já seria uma ótima notícia. Mas a boa notícia não para por aí, Catherine Deneuve e Gérard Dépardieu fazem novamente uma dupla romântica no cinema – bem mais envelhecidos que em "O Último Metrô", 1980, mas com o mesmo charme.

"Potiche", em francês, significa vaso, mas que é utilizado figurativamente para aquela esposa que vive para seu marido, como um enfeite de prateleira. A grande "Potiche" aqui é Suzanne Pujol (Deneuve), filha de um grande fabricante de guarda-chuvas amado por seus operários, mas que é esposa daquele que recebeu 45% da fábrica como dote e que é seu CEO Robert Pujol (Luchini). Com mão-de-ferro e imenso desprezo para com a classe operária, Robert tenta em vão sufocar a greve. E o resultado: Robert foi sequestrado pelos trabalhadores e, neste processo, acaba tendo um enfarto.

Suzanne toma uma atitude corajosa: assume o lugar do marido na fábrica. Mas o que era para ser temporário e apenas de fachada para acalmar os grevistas acaba se tornando um grande sucesso. E aos poucos vamos vendo Suzanne se transformando em uma mulher bastante feminina, porém com ótima desenvoltura e bastante poderosa em cada uma de suas ações.

Deneuve faz de tudo neste filme. Brinca os mais cinéfilos que só falta ela fazer malabares – pois canta, dança, e interage de maneira a esbanjar perfeição. O filme se passa na década de 1970, quando o Partido Comunista Francês era poderoso e praticamente resumia a esquerda. Nos dando um Dépardieu absurdamente grande, interpretando Maurice Babin, uma imagem saudosa do comunista ex-sindicalista que virou parlamentar. Suzanne e Babin tiveram uma paixão de adolescente muito bem contada na história e a química entre Deneuve e Dépardieu está maravilhosa.

Como o filme se baseia em uma peça teatral, o filme é bastante exagerado nas interpretações, cores e aspectos caricatos dos personagens. Mas, apesar de se passar na década de 70, é bastante atual e a mensagem feminista é passada de maneira suave e muito envolvente. Não é um filme para risos histéricos, mas para aquelas risadas de pessoas de bom gosto e que percebem a crítica ao chauvinismo burguês.

Bem elaborado, "Potiche" promete boas risadas e a "recaída" de amores por nossa eterna "Bela da Tarde".

Ósculos e amplexos!

"Copacabana", 2010: divertido e leve, nos apaixonamos antes de ficarmos irritados.


"Copacabana" (idem) [França/Bélgica], 2010 Direção: Marc Fitoussi Roteiro: Marc Fitoussi Elenco: Isabelle Huppert, Chantal Banlier, Magali Woch, Lolita Chammah Duração: 105 min Comédia/Drama

Os franceses praticamente se tornaram pais do gênero Comédia-Dramática. "Copacabana" é um exemplo disso. Babou (Huppert), de espírito livre e de imensa autenticidade, tem uma complicado relacionamento com sua filha Esméralda (Chammah). Ela não aceita o jeitão adoidado de sua mãe e pede para que não comparaça em seu casamento como garantia de que não ficará envergonhada. A decisão de sua filha fez com que Babou tomasse as rédeas de sua vida, indo para a monótona cidade de Ostende, na Bélgica, a fim de provar que é capaz de ser responsável, de ser uma pessoa normal.

O contraste entre Babou e Esméralda é constante, bem como constantemente é contrastada a vida real com a vida idealizada. Exemplo disso é a tomada aérea da praia de Ostende ao som de samba, é o som alegre da batida brasileira no deprimente balneareo belga. Ela, Babou, vai trabalhar "pescando" turistas para imóveis "timeshare" - apenas um em cada oito amigos que voltam da Europa falam que é um bom negócio, os outros sete chegam a se contorcer de raiva. Melhor explicando, são inúmeras as formas de se pescar o turista para timeshare, que vale desde raspadinhas até mesmo um passeio de limousine. Mas quando o turista entra no prédio, deparará-se com uma agressiva abordagem e quase três horas de palestras, apresentações, tudo para que o impulso o obrigue a fechar negócio. Babou se encontra trabalhando em um sistema considerado por muitos como pura falcatrua.

O filme é uma delícia de se ver. Babou é o carisma é pessoa. Sente muito a falta da filha, mas não perde o sonho de demonstrar que é uma grande mãe. Intervém positivamente na vida das pessoas sempre que pode, ainda que sua própria vida seja uma bagunça. É claro que a visão que ela possui sobre o Brasil é da caricata Copacabana da década de 60, com as mesmas músicas. Mas não ofende, pelo contrário, é um elogio. Mesmo não havendo nenhum segundo sequer no Brasil, o ideal de se estar na colorida, apaixonante, e alegre terra descoberta por Cabral colore o cinza da vida real de Babou. A França é o cinza da vida real, e o Brasil é a cor do sonho. Bem como a cor do sonho deve pintar o casamento de Esméralda, que dá sinais claros de caminhar para um cinza infinito.

Copacabana é divertido e leve. E o público brasileiro não se importará com a caricatura generalizada que sempre nos incomoda, pois já estará apaixonado pela autenticidade de Babou.

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"O Pai dos meus Filhos", 2009: Um filme sem começo, nem fim, apenas meio!


"O Pai dos Meus Filhos" (Le père de mes enfants). [França], 2009. Direção e Roteiro: Mia Hansen-Løve. Elenco: Louis-Do de Lencquesaing (Grégoire Canvel), Chiara Caselli (Sylvia Canvel), Alice de Lencquesaing (Clémence Canvel), Alice Gautier (Valentine Canvel).

Somente após descobrir que o filme é uma homenagem à Humbert Balsan, genial produtor de cinema que se matou quando entrou em falência, é que o filme fez um pouco de sentido. Para quem não possui essa referência acaba assistindo um filme sem muita objetividade, sem mocinho, sem mocinha, sem bandido, sem história, sem nada. Uma pena, pois seus personagens são bastante cativantes, mas sem uma história que os conduzam para qualquer lugar.

O filme conta a história da família Canvel. Ela possui uma mãe atenciosa, três filhas lindas, e um pai para lá de atarefado devido ao seu estafante e corrido trabalho de produtor de cinema. Não é fácil ser a família de um gênio. Ao contrário de sua conta bancária, um gênio não possui limites. E uma das obras mais empolgantes na vida do produtor é justamente o causador de sua falência.

O filme não tem começo, nem fim. Apenas meio. A única surpresa, ação, drama, momento, ou qualquer coisa que acontece no filme está exatamente na metade. Antes da metade, temos um cansativo e competente Louis-Do atuando. Depois temos Chiara Caselli não dando conta nem de sua personagem. O filme fica poluído em meio a tanta informação.

Resumindo, o filme acaba sendo muito fraco - o que é uma pena.

Ósculos e amplexos!

"Um Gato em Paris", 2010: leve e fofa história policial.


"Um Gato em Paris" (Une Vie de Chat) [Bélgica, França, Holanda, Suíça], 2010 Direção: Atores: Dominique Blanc, Bruno Salomone, Jean Benguigui, Oriane Zani. 70 min Animação/Policial/Infantil Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol

Para os brasileiros que tiveram a felicidade de ser iniciado na literatura através dos contos policiais da Coleção Vagalume vão gostar bastante do francês "Um Gato em Paris". Irá então se deliciar aquele que gosta de uma história de detetive leve, bem contada, e com várias referências à filmes consagrados de "Os Bons Companheiros", 1990 à "Aristogatas", 1970. "Um gato em Paris" conta a história da vida dupla de Dino, um gato de uma linda menininha de dia e de um "gatuno" à noite.

A história é bastante convencional, bem como sua animação. Principalmente por estarmos acostumados com as superproduções como as da Disney ou as pesadas animações francesas como "As Bicicletas de Belleville", 2003 e "O Mágico", 2010. As cores são muito bem usadas e os recursos que dão leveza ao ladrão, dureza aos policiais, e "patetice" aos gângsters são atraentes e convincentes. Agrada às crianças e os adultos. O filme se dá ao luxo de algumas "gags" gratuitas, como a do cachorro que vive latindo durante as rondas do gato, sem forçar absolutamente nada na história.

O grande problema é que vieram somente cópias dubladas para o Brasil e que nem sempre conseguem extrair uma boa expressão vocal. E um probleminha é que o fim da história promove uma certa impunidade do qual me incomodou, mas nada que estragasse o filme.

Leve e fofa, uma atração bastante familiar e gostosa de assitir.

Ósculos e amplexos!

"Venus Negra", 2010: mórbido e torturante demais!


"Vênus Negra" (Venus Noire) [França / Itália / Bélgica] , 2010 - 159 minutos Drama Direção: Abdellatif Kechiche Roteiro: Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix Elenco: Yajima Torres, Andre Jacobs, Olivier Gourmet, Elina Löwensohn

Assombrosamente, trata-se de um filme baseado em uma história real. Ainda mais assombroso é saber que tão somente em 2002 seu corpo foi repatriado, graça ao Presidente Nelson Mandela. Estamos falando da "Venus Hotentote", nome artístico de Saartjie Baartman (Torres), apresentada em um show de horrores como bizarra atração negra, selvagem, de corpo com grandes proporções. Sem dúvida, trata-se de um filme atual, ainda que se passe em 1815.

O filme é torturante. Temos logo ao início o desprazer de ver totalmente o show de horrores, sem cortes, ao lado da plateia inglesa. Ao longo de praticamente vinte e poucos minutos será apresentada uma mulher sendo tirada de uma jaula, sendo humilhada de diversas formas diferentes, sendo tratada como um animal sendo domesticado. Quando não há mais estômago para tamanha humilhação, o Hendrick Caesar (Jacobs) seu sócio e capataz convida a plateia a tocá-la, que o fazem nem sempre com as mãos.

O problema da coisa é que o filme é longo, demasiadamente repetitivo, torturando o espectador até que a revolta perca definitivamente para a repulsa. O que revela um certo sadismo de Kechiche, pois a mensagem já é passada logo nos primeiros minutos da exibição e nada além da tortura é apresentada nos minutos seguintes. A Venus Hotentote é atração de circo em Londres, vira atração da aristocracia em Paris, é vendida para "a ciência, decai e vira prostituta, até que morre... mas tem seu corpo dissecado e exposto em um museu de história natural na França até a década de 1980.

Torturante, foram poucos os que aguentaram até o final tamanha atrocidade.

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

"O Homem ao Lado", 2009: comédia na Argentina, Drama no Brasil.


"O Homem ao Lado" (El Hombre de al Lado), 2009 [Argentina] Direção: Mariano Cohn, Gastón Duprat Atores: Rafael Spreguelburd, Daniel Aráoz, Ruben Guzman, Eugenia Alonso. Duração: Drama 110 min

Na Argentina foi classificado como Comédia. No Brasil, Drama. Talvez isto anuncie a dificuldade do espectador brasileiro achar graça na ironia argentina. "O Homem ao Lado" é um filme que zomba da pequena-burguesia, que chega a ser cruel com a arrogância da classe média alta portenha. Mas que para o público brasileiro, acaba sendo nada mais que um drama de enredo sem maiores elementos.

Leonardo (Spreguelburd) é um designer de sucesso, rico e famoso. Projetou uma cadeira que se tornou conceito e mora na única casa projetada por Le Corbusier existente nas Américas. Por isso, Leonardo pode se dar ao luxo de dar entrevistas e de lecionar de sua funcional e clean morada. Porém, a vida de Leonardo está longe de ser tranquila. Não por medo de ladrões, uma vez que a casa não foi projetada para evitá-los, ou tampouco devido a legião de estudiosos de Le Corbusier que teimam em querer entrar na casa. Seus problemas surgem, de fato, quando Victor (Aráoz), rude e provavelmente de classe média baixa, resolve abrir uma janela com vista para a casa de Leonardo.

Aos poucos, vamos vendo uma crítica à classe média alta que nega até mesmo a luz do sol para as camadas mais baixas. Com ironia,o personagem Leonardo vai, aos poucos se desmoronando. Vamos assistindo a verdade desnudando aos poucos cada uma das máscaras que ele usa. Vemos que ele não é tão cosmopolita assim, que ele é um desastre como pai, que a intelectualidade e amigos intelectuais são grandes embustes, até mesmo seu caráter é questionado dada sua ausência de sinceridade. Vai aos poucos demonstrando ser um grande banana, incapaz de expor sua própria opinião. Tudo o que faz é mascarado, é desonesto, é sovina. Já o grosseirão Victor é o extremo oposto. Vamos assistindo o sapo virando príncipe. Vamos vendo que o ser obscuro, tipicamente machão, é na verdade uma grande pessoa. Honesto, ligado à família, pessoa que não tem pudores em entreter a filha do ingrato vizinho.

A luta de classes é o pano de fundo desde o primeiro momento da película. O homem ao lado vai derrubando à marteladas a classe burguesa, incomodando-a, expondo suas podridões e a envergonhando. Porém, o filme não acredita em conciliações entre classes, tampouco entre vizinhos, e revela um final surpreendente.

Não me lembro de ninguém no cinema ter esboçado um sorriso sequer ao longo da exibição. Para o público brasileiro, o tapa de luva bateu na carapuça que bem lhe serviu. Tornou-se um drama, sem maiores conciliações entre operários e burgueses.

Ósculos e amplexos!

"Tetro, 2009": é sempre bom ver Coppola em forma!


"Tetro" (idem) [EUA/Argentina], 2009 - 127 min. Drama Direção: Francis Ford Coppola Roteiro: Francis Ford Coppola Elenco: Vincent Gallo, Alden Ehrenreich, Maribel Verdú, Klaus Maria Brandauer, Carmen Maura.

A proposta é digna de um mestre: depois de realizar "Poderoso Chefão", 1972 e "Apocalipse Now", 1979, produzir algo com elevado nível de recursos técnicos, mas com orçamento de médio porte, pela primeira vez. É uma espécie de uma aventura amadora realizada por um mestre que encontra a necessidade de crescer mais um pouco. E ainda tem a vantagem de poder pagar seu próprio filme, não se preocupando com qualquer apelo comercial dele. Isto é "Tetro"!

Em preto e branco, com flashback em cores, o filme conta a história de Bennie (Ehrenreich), um garçom de cruzeiro que, na semana de seu aniversário de 18 anos, aproveita uma escala de seu navio em Buenos Aires para encontrar seu irmão, Angelo (Gallo), que não o vê há anos. Chegando no boêmio bairro portenho La Boca, descobre que agora ele se chama Tetro e que vive com Miranda (Verdú), a única que lhe dá um pouco de boa receptividade. Tetro se recusa falar de sua própria família, prefere chamar de irmão um amigo de boemia ao seu próprio irmão. Enfim, é um encontro que faz com que Bennie busque sobre seu passado, mas que ao mesmo tempo é negado por seu irmão. A busca por respostas que Bennie passa a empreitar com valentia será causador de ainda mais discórdia entre os irmãos.

O filme é ao mesmo tempo uma ópera e um tango. Envolve dramas familiares, segredos destrutivos, conflito de gerações, romance, violência, e uma pitada de sensualidade. Muito mais teatral que sentimental, a história de Tetro corre paralela à história de Bennie. E toda vez que uma ameaça cruzar com a outra, um desastre acontece. Miranda (Verdú) é a responsável por aliviar um pouco as tensões. Namorada de Tetro, ela é quem mobiliza tudo o que está ao seu alcance para que mais sobre a história de seu amado Tetro possa lhe servir de cura para sua insana negação de si. Ela é a única pelo qual Tetro não busca negar, talvez por ser a única em que ele vê uma espécie de auto-profilaxia.

A vida de Tetro e de Bennie é de uma tragédia tão imensa que a obra inacabada de Tetro é adaptada para o teatro graças a Bennie. Eis que entra em cena a maravilhosa, com um óculos gatinha pavoroso, Alone (Carmen Maura). Crítica poderosíssima e antiga professora de Tetro, ela possui um festival de teatro reconhecido por toda a Argentina. Ela patrocina a montagem da história que Tetro tanto busca negar e Bennie desvendar.

Enfim, falando do filme, maravilhar-se com a fotografia é a coisa mais simples que o espectador sente diante da tela. Envolver-se com a dureza da história já é mais difícil. Não há como se identificar com nenhum personagem e justamente por isso o filme recebeu tantas críticas negativas. Para piorar, a encenação de Gallo chega a ser desconfortante. E a estreia de Ehrenreich o faz se aproximar de Leonardo DiCaprio tanto pelo seu charme, tanto pela sua semelhança, bem como também por uma imensa dificuldade em se expressar. Mas é a operística tragédia final é que temos vontade de levantar e aplaudir o filme dentro da sala de cinema.

E tão somente quando abaixam-se as cortinas, ou melhor, quando a trama chega ao seu fim, é que temos a dimensão do todo e nos apercebemos que o mestre voltou e esta em forma. Um filme de primeira linha, ainda que não chegue aos pés das maiores obras de arte de Coppola.

Ósculos e amplexos!

terça-feira, 24 de maio de 2011

“PONYO”, 2008 (2010): fantasia à beira do mar






"Ponyo: uma amizade que veio do mar" (崖の上のポニョ) [Japão], 2008 - 101 min. Animação / Fantasia / Infantil Direção: Hayao Miyazaki Roteiro: Hayao Miyazaki Elenco: Noah Cyrus, Yuria Nara, Frankie Jonas, Hiroki Doi, Tina Fey, Tomoko Yamaguchi, Matt Damon, Kazushige Nagashima, Cate Blanchett, Yuki Amami, Liam Neeson, George Tokoro, Cloris Leachman, Betty White, Lily Tomlin, Kurt Knutsson, Jenessa Rose, Noah Lindsey Cyrus, Jôji Tokoro



O público brasileiro teve algumas dificuldades para apreciar a história de Ponyo. O filme demorou dois anos para chegar no Brasil (julho de 2010) e não foi bem divulgado. Para ajudar, o filme é inteiramente contado pelo ponto de vista de uma criança e não alivia em nada para a compreensão adulta. E ainda, por diversas vezes, a narrativa é sacrificada em nome do efeito emocional. Sem falar que a narrativa japonesa é por vezes incompreensível para o público mais ocidental.



Não é nenhum crime dizer que Ponyo é uma versão japonesa para "A Pequena Sereia", de Hans Christian Andersen e suas várias versões para o cinema. Afinal, Ponyo é uma peixe filha do mágico e empresário oceânico Fujimoto - de trajes listrados e cabelos soltos à "Yellow Submarine" dos Beatles – com a deusa do mar. Fujimoto possui um imenso despreso pela humanidade devido ao lixo que jogam no mar. Porém, Ponyo foge de seu pai em direção à terra firme – em uma divertida cena em que ela corre sobre grandes ondas. Em terra, Ponyo estabelece um fortíssimo vínculo com Sosuke, garoto de cinco anos e queridinho das idosas da casa de repouso onde sua mãe trabalha. Para que a terra não seja inundada em retaliação de Fujimoto, Sosuke tem que provar que ama Ponyo de verdade.



O cuidado em ser uma animação bem feita e sem imagens geradas por computador já faz do filme uma obra de arte. Ela é charmosa, contém uma poética visual incrível e cativante. Seu enredo é bastante simples, leve, e divertido. Não há mocinhos ou bandidos, mas circunstâncias em que podem gerar conflitos entre personagens. Ao mesmo tempo em que ela aborda sobre famílias, possui uma mensagem ecológica.



Ainda que tenha tido alguns solavancos para o público brasileiro, talvez o único problema do filme seja a grudenta musiquinha ao final da exibição – mas não chega a ser nenhum defeito. Até mesmo a sensação de labirintite ao longo de toda a exibição pode até ser uma vantagem do filme.



Ósculos e amplexos!

“O LIVRO DE ELI”, 2010: bom até o fim, quando desanda.



"O Livro de Eli" (The Book of Eli) [EUA], 2010 - 118 min. Ação / Aventura / Ficção científica Direção: Allen Hughes e Albert Hughes Roteiro: Gary Whitta Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour, Michael Gambon



O cenário é apocalíptico. Um andarilho (Denzel Washington) segue rumo à Oeste em meio ao que sobrou do mundo. A ausência de água faz dela mais valiosa do que muitas vidas. E sem água, alimento também é absurdamente raro. Porém, o andarilho tem algo consigo que o faz especial. Ele detém um livro do qual poderá salvar a humanidade e do qual está disposto ao que for necessário para defendê-lo. E justamente por possuir uma habilidade extraordinária para defender o seu livro, o andarilho chama a atenção de Carnegie (Gary Oldman), uma espécie de tirano prefeito de um vilarejo e que há tempos busca um livro pelo qual o tornará líder de toda a humanidade. Daí por diante, segue a história do andarilho querendo cumprir sua missão de levar o livro para o Oeste e dos esforços do tirano para impedi-lo.




"O Livro de Eli" tem uma fotografia interessante, praticamente cinza o tempo todo a ponto de sentirmos o clima absurdamente árido que vemos na tela. Sua história nos envolve a ponto de logo nos simpatizarmos com o andarilho e odiarmos o tirano. A precisão dos golpes e a afiadíssima arma dão o tempero da ação necessária. Tudo perfeito ao longo de praticamente dois terços do filme.



O bolo desanda justamente na terceira parte do filme. Na primeira parte, o filme é um bem apresentado "road movie". Assar um gato e dar um pedaço dele a um rato é de uma ironia muito requintada. A segunda parte é um "faroeste" bastante caricato, porém nem por isso ruim. Duelos, combates desiguais, salvar a mocinha, até mesmo as famosas cenas de "saloon" estão todos lá de maneira bem distribuída. Na terceira parte, temos em meio a uma perseguição a pressa em se terminar o filme e aquela mania xarope de se explicar absolutamente tudo detonando o que veio anteriormente.



Por outro lado, mesmo que a terceira parte do filme tenha sido consideravelmente fraca e cheia de solavancos no enredo, ela reserva bons momentos. O casal de velhinhos simpáticos são de arrepiar e a música na radiola dá um alívio cômico em um momento bastante necessário.



Concordo com alguns amigos que disseram que se o filme terminasse uns cinco minutos antes ele talvez não provocasse a sensação de "o que raios foi que aconteceu". Um final defeituoso que chega a se descolar de tudo o que foi mostrado até então.



Obviamente que não se deve falar o que é o tal do Livro de Eli, ainda que praticamente todo mundo já saiba do que se trata. Por isso, sou obrigado a encerrar esta análise por aqui mesmo.

Ósculos e amplexos!

“NINJA ASSASSINO”, 2009: tautologia com muito sangue.



"Ninja Assassino" (Ninja Assassin) [EUA] , 2009 - 99 min. Ação Direção: James McTeigue Roteiro: Matthew Sand e J. Michael Straczynski Elenco: Rain, Naomie Harris, Ben Miles, Rick Yune Sho Kosugi



Um ninja ser assassino não seria uma tautologia? Pondo a redundância de lado, se você gosta de filme com muita ação, pancadaria, rios de sangue, e pouca história, este é o seu filme.


Mika (Harris) é uma agente da Europol fascinada pela sua investigação que a levou a confeccionar um relatório bastante inusitado sobre a existência de clãs ninjas. Nesta investigação, ela descobre a existência de um dos clãs ninjas, o Ozu. É neste momento em que ela encontra um envelope contendo areia preta esperando por ela em seu apartamento: símbolo de que ela se tornou alvo do clã e que é questão de tempo para ser executada. Porém, ao seu lado, ela recebe a ajuda de Raizo (Rain), ninja desgarrado do clã Ozu que deseja vingança pela morte de seu amor e também ninja.


Filmes de artes marciais se tornaram um gênero bastante próprio no cinema. Desde a década de 1960, ele tem revelado verdadeiros heróis como Bruce Lee, Jean-Claude Van Damme, Jet Li e tantos outros. Mas, filmes de ninja seria então um sub-gênero bastante interessante. Ele surge com força no final dos anos 1980, fechando um ciclo bastante rico para o gênero de artes marciais. E o que chama mais a atenção é que, diferente dos filmes de luta no qual se estabelece em uma versão estadunidense do cinema de Hong Kong, os de ninja são inteiramente inventados e estabelecidos pelo cinema ocidental de língua inglesa.


Após a década de 1980, salvo algumas péssimas tentativas, o que se viu no cinema foram apenas algumas adaptações e algumas paródias como a série "As Tartarugas Ninja" (1990, 1991, 1993 e 2007), "9 ½ Ninjas", 1991; "3 Ninjas Contra-Atacam", 1994; e tantos outros. Portanto, "Ninja Assassino" é a primeira tentativa depois de quase duas décadas de ausência deste subgênero.


O filme, portanto, é para um público que há tempos queria ver os ninjas na telona. O que significa que desejam ver muita ação, pancadaria, e toda a mística que envolve o obscuro mundo dos assassinos encapuzados. E quanto a isso, o filme não decepciona. Ainda apresenta muito, mas muito sangue e efeitos sobre as armas de maneira ostensiva.


Quanto à história? Quem liga para ela? Braços e pernas decepadas, música alucinante, e a beleza da luta é o critério fundamental que deve preencher a tela. Além disso, apresenta um dos maiores elencos asiáticos em um filme ocidental de todos os tempos.


Todos os sacrifícios ao enredo, para este público, estão perdoados.


Ósculos e amplexos!

“INVICTUS”, 2009: o rugby na luta pelo fim do apartheid.



"Invictus" (idem) [EUA], 2009 - 134 min. Drama Direção: Clint Eastwood Roteiro: Anthony Peckham, John Carlin (livro) Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Patrick Lyster, Penny Downie, Shakes Myeko


Invictus é o nome de um poema vitoriano do qual serviu de fonte de esperança para Nelson Mandela durante seus 27 anos de prisão por enfrentar a segregação racial do chamado regime Apartheid na África do Sul. Tamanha a segregação entre brancos e negros, que havia separação em praticamente tudo, desde bancos de ônibus, escolas e bebedouros, até mesmo idioma. No esporte não poderia ser diferente. Enquanto o futebol era o esporte dos negros, o rugby era o dos brancos. E, já presidente, com a esperança de superar de vez o fim do apartheid, Mandela investe pesado para que o rugby seja o esporte do povo da África do Sul, sem qualquer distinção racial.


Inspirado em fatos reais, "Invictus" apresenta ao mundo que o processo de superação do apartheid não foi e não é uma coisa simples. Que mesmo elegendo um presidente negro, havia muita coisa a ser feita para que a nação fosse de fato uma só e não mais dividida entre brancos e negros. Ao mesmo tempo, apresenta para o mundo o irmão "quase" gêmeo do futebol: o rugby. Tudo isto em véspera da Copa do Mundo de Futebol, que em 2010 teria a África do Sul como sede, portanto, o filme ainda serve de voto de confiança – se a África do Sul foi capaz de sediar o mundial de rugby em uma época muito mais complexa, será capaz de sediar também o de futebol em outra época consideravelmente melhor.


O filme nos apresenta uma das melhores atuações de Morgan Freeman e Matt Damon. Freeman praticamente virou sósia perfeita de Nelson Mandela. Trejeitos, sotaques, e tantos outros detalhes são interpretados de maneira assustadoramente fidedigna. E Damon faz um gigante jogador, de fortíssimo sotaque africâner, do qual chegamos a jogar bola junto com ele com imensa facilidade. Além disso, vemos uma direção de Clint Eastwood bem feita, competente, demonstrando sua maturidade ao longo de dez anos de filmes bem-sucedidos e uma intervenção interessante quanto à sua visão acerca da política (suja e escura nos gabinetes, alegre e colorida fora dela).


O esporte alimenta tantas paixões quanto à política. A figura de Nelson Mandela compete de igual para igual com o time de rugby sul-africano. Apresenta, inclusive, os inusitados jogadores da Nova Zelândia, agradando também os fãs do esporte. E elegantemente, o filme vai do esporte à política, retornando ao esporte, sem prejudicar nenhum deles. Sugerindo uma simbiose bastante simpática, ainda que haja inúmeros atropelos.


É lindo e emocionante como um jogo bem disputado.


Ósculos e amplexos!







“ONDE VIVEM OS MONSTROS”, 2009: a turbulenta mente de uma criança de nove anos de idade.

"Onde Vivem Os Monstros" (Where The Wild Things Are) [EUA], 2009 – 101 min Drama / Fantasia Direção: Spike Jonze Roteiro: Spike Jonze, Dave Eggers, Maurice Sendak Elenco: Max Records, James Gandolfini, Catherine Keener, Paul Dano, Catherine O'Hara, Forest Whitaker, Michael Berry Jr., Chris Cooper, Lauren Ambrose



Mais um filme com criança, repleto de bichos em um mundo encantado, baseado em um livro infantil e muito popular no jardim de infância, mas que acabou sendo feito para adultos. Não se trata, definitivamente, de um entretenimento familiar daqueles onde se reúne toda a família para assistir uma história de bichinhos fofinhos que tomam forma real. Trata-se de um filme que se passa na turbulenta mente de uma criança de nove anos de idades. É uma obra sobre a depressiva necessidade de amadurecer e enfrentar um mundo real cinza, cruel e doloroso.



O filme é baseado no homônimo e conciso livro de 338 palavras, 9 sentenças e 37 páginas de Maurice Sendak, e que se tornou um clássico da literatura dos Estados Unidos. Sua importância para a literatura estadunidense pode ser verificada através de declarações como a do Presidente Obama quando ele diz ser um de seus livros favorito e que o leu mais de mil vezes. Nele, Max (Records) nos é apresentado como uma criança de classe social não muito abastada, de mãe solteira (Keener) e irmão de uma adolescente sem tempo para ele. Quando os amigos de sua irmã destroem seu "forte de neve", Max, em retaliação, destrói tudo o que há em seu quarto. Para piorar, sua mãe leva para casa seu namorado (Ruffalo) e novamente uma explosão de raiva toma conta de Max – ele se veste de lobo e morde sua mãe.



Mandado de castigo, Max em sua imaginação foge de casa e desembarca em uma ilha onde vivem os monstros. Lá é um lugar de grandes desertos e florestas sombrias e que tem como habitantes vários monstros que revelam partes da personalidade (ou da própria psique) de Max: o preferido dele, Carol (Gandolfini), impetuoso e egocêntrico; o dócil e criativo Ira (Whitaker); o companheiro Douglas (Cooper); o bode carente Alexader (Dano); a severa Judith (O'Hara); o lamurioso Touro (Berry Jr) e KW (Ambrose) o sentimento materno recebido. Max se torna o líder deles, transformando-se em uma espécie de pai dos monstros preocupado e assustado quando as criaturas saem do controle.


O filme ganhou ares de filme de arte, mas se simpatizar ou não com ele depende muito do espectador topar a fantasia. E é justamente neste quesito a maior dificuldade da obra: a fantasia é cansativa e triste. A projeção, ao contrário do livro, chega a ter momentos de grande verborragia. É difícil se identificar com qualquer coisa.



A bipolaridade é presente nas músicas, na história, e nos monstros, sendo uma característica marcante em todo o filme. Mas as cores pálidas e escurecida, bem como a neve azulada, não é exatamente atraente para aquele que deseja mergulhar na mente de uma criança – mesmo que turbulenta e depressiva.



O filme não é ruim, apesar de tudo. É bastante triste e seu ritmo é lento como o sono de um usuário de anti-depressivos. Porém, soube explorar bem a depressão infantil em meio a uma elegante narrativa.


Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"A Sogra", 2005: Às vezes, engraçado.



"A Sogra" (Monster-in-Law) [EUA/ALE] 2005 87 min Comédia Direção: Robert Luketic Roteiro: Anya Kochoff Elenco: Jennifer Lopez, Jane Fonda, Michael Vartan, Wanda Sykes, Adam Scott, Annie Parisse, Monet Mazur, Will Arnett, John Aylward, Lorenzo Caccialanza

O filme causou um certo furor quando de seu lançamento. Jane Fonda voltava às telas quinze anos depois de ela mesmo dizer que não mais voltaria. E o mais interessante: voltou sendo desafiada a enfrentar uma comédia física do qual nunca havia tentado antes. Ela interpreta Viola Fields, veterana apresentadora de TV que surtou no ar - quando entrevistava alguém muito parecida com a Britney Spears. Seu surto não fora gratuíto, minutos antes ela saberia que a jovem da qual ela pensava ser enviada para lhe servir café era na verdade sua substituta. Quando recebe alta do manicômio, tem que enfrentar talvez um estresse ainda maior: seu único filho, o doutor Kevin (Vartan) apresenta sua namorada Charlotte "Charlie" Cantilini (Lopez) e a pede em casamento. Deste ponto em diante, Viola faz de tudo para que o casamento não se concretize sem que Kevin perceba sua intervenção.

Às vezes, o filme chega a ser engraçado. Em geral o filme é bastante sem graça. A história tem um demorado e desnecessário prelúdio para mostrar onde tudo começou na vida de Kevin e Charlie. Quase a metade do filme é sem maiores objetivos, exceto por uma repetitiva apresentação de personagens. Aliás, a quantidade de personagens periféricos e que pouco ou quase nada contribuem para com a história também é imensa. Tudo gira ao redor de Charlie e Viola. Tanto que o filme tem seu momento quando somente as duas tem de conviver juntas por um tempo sob o mesmo teto.

Em busca de um algo a mais para promover o filme, há inumeras "piadas para leitor de Caras ou Contigo". Não me agrada, pois contribuem praticamente em nada para a história e expõe ao ridículo algumas coisas que poderiam sobreviver tranquilamente em anonimato - sem falar que incentiva a busca por uma informação realmente irrelevante. São as piadas de acordo com as fofocas mais famosas entre as personalidades. Jeniffer Lopez, dona de uma generosa retaguarda principalmente para os padrões "prancha" da mulher estadunidense, não teria outro problema para entrar no horroroso vestido de cor pêra senão exatamente por não conseguir passá-lo pelos quadris. E nossa querida Jane Fonda, assustadoramente envelhecida e fora de forma física (logo ela, a rainha dos programas de condicionamento físico na televisão), tem uma personagem que igualmente teve quatro casamentos - sendo um com um milhonário e outro com um cabeleireiro gay.

O filme padece de regularidade, além de ser bastante previsível. De conflitos bastante óbvios, não consegue alcançar a graça pretendida em se explorar o universo paranoico de uma relação egocêntrica entre nora e sogra. Inúmeras situações são apresentadas sem continuidade - uma "ex-ficante" de Kevin o beija e fica por isso mesmo; um fio de cabelo é arrancado para investigação, mas a informação some do filme; uma amiga de Charlie tem relevância alguma para a história; e assim por diante. O próprio Kevin chega a ser desnecessário em boa parte do filme (tanto que o auge acontece quando ele está viajando).

Se por um lado a interpretação corajosa de Jane Fonda e o sorriso de Jennifer Lopez são marcantes, por outro, ainda mais marcante é a participação de Wanda Sykes. Apesar dela fazer uma atrevida doméstica negra típica das comédias de situação dos anos 1950 e que hoje não há a menor necessidade de se explorar este tipo de personagem, sua atuação salva com elegante comicidade o filme de seus momentos mais tediosos. Ela é uma espécie de grilo falante para Viola não acelerar demais na loucura de sogra-bruxa.

Não é que o filme seja ruim - e ele não o é. Apenas sofre por ser fraco e irregular, ainda que por vezes provoque risos.

Ósculos e amplexos!

"Galera do Mal", 2004: comédia adulta com personagens adolescentes.



"Galera do mal" (Saved!) [EUA], 2004 Comédia - 92 min. Direção: Brian Dannelly Roteiro: Brian Dannelly, Michael Urban Elenco: Jena Malone,Mandy Moore, Macaulay Culkin, Patrick Fugit, Chad Faust, Eva Amurri, Martin Donovan, Mary-Louise Parker.


O filme, apesar do (mais uma vez) péssimo título em português, apesar da capa não dizer nada, e apesar de um elenco bastante jovens, não é uma comédia adolescente. Também não é uma sátira religiosa. É uma abordagem bem humorada sobre a intolerância. E nada melhor do que uma escola, reino da intolerância de todos os tipos, para servir de ambiente para o tema.


Em uma tradicional escola cristã (batista, mas bem que poderia ser qualquer outra), há igualmente em outra escola a turma dos descolados e a turma dos perdedores (outsiders) - adotando a gíria que a legendagem brasileira adora usar. Porém, por ser uma escola religiosa com direito a culto e tudo, a turma dos descolados não tem seus destaques com o time de futebol americano, mas com as fanáticas religiosas. Mary (Jena Malone), é uma destacada participante da "panelinha" denominada "Jóias Cristãs". A panelinha é liderada, ou melhor, gira ao redor de sua líder Hilary Faye (Mandy Moore) que se dedica a louvar aquilo que ela mais ama: sua própria popularidade. Porém, de uma brincadeira bastante inocente de se confessar segredos embaixo d'água, Mary ouve de seu namorado, Dean (Chad Faust) que ele acha ser gay. O susto foi tamanho que, após bater a cabeça, Mary tem uma epifania: viu o Senhor lhe ordenar a fazer sexo com seu namorado a fim de salvá-lo com a promessa de ter a sua virgindade restaurada devido a fé e a boa-ação da causa.


Obviamente que Cristo não tem nada a ver com isso. E o resultado não poderia ser mais desastroso para Mary. Ela fica grávida, seu namorado é internado em uma clínica para "des-gaynização" e ela passa a enchergar o fanatismo religioso e toda sua hipocrisia quando passa a ser praticamente cassada por sua até então "muy" amiga Hilary. Hipocrisia que já vinha sendo apontada com toda a ironia do mundo pelos outsiders Roland (Macaulay Culkin), irmão de Hilary, e da única judia da escola Cassandra (Eva Amurri). Para jogar ainda um pouco mais de pimenta na já complexa situação, a mãe de Mary, Lilly (Mary-Louise Parker) tem um caso secreto com o líder religioso e diretor da escola Skip (Donovan) que faz com que ambos nunca saibam o que fazer diante tantos acontecimentos. E o duelo entre perdedores e descolados se dá na medida em que Hilary disputa com Mary o amor do skatista Patrick, filho de Skip.


A ironia toma conta do começo ao fim do filme com situações inteligentes e várias vezes hilárias. Sem apelações, até mesmo na cena em que a rebelde Cassandra em hebraico (?) ameaça mostrar os seios no meio do culto, até a tentativa de Hilary em resgatar a "ovelha perdida" da Mary com uma sessão de exorcismo dentro da van. Mas é quando Hilary arremessa a Bíblia em Mary e essa adverte: - "isso não é uma arma, idiota" é que percebemos que se trata de uma mensagem não contra as religiões, mas contra o fanatismo, a hipocrisia, e o quanto elas podem ser maléficas para todo mundo.


O filme tem alguns defeitos que não chegam a prejudicar no conjunto final. Todos os adultos são idiotas e há uma certa arrogância contra tudo e todos. O filme tem uma suavidade impressionante para o peso do tema, talvez por isso sua abordagem seja tão superficial. Outra coisa problemática é a brincadeira com as clínicas de "desgayzação", onde se fala que é mais para quem manda seus filhos do que para os filhos - não, definitivamente eles não são assim e costumam provocar estragos impressionantes.


Os destaques vão para os quatro atores principais do filme. Culkin está amadurecido, com falas inteligentes, e convincente no papel de "bad boy" paraplégico. Eva Amurri está perfeita como garota problema, sendo o alívio humorístico nas situações mais críticas. Jena Malone consegue ser a protagonista principal sem ofuscar os demais e sem ser ofuscada por eles. E Mandy Moore é uma grata surpresa ao vê-la atuando (ela é uma cantora pop-teen até que bem famosa). O filme serve para entreter e refletir. É suave sem ser bobo. Ainda que reserve certos momentos de pastelão.


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"Heroi", 2002: nenhum soco sequer é gratuito.



"Herói" (Ying xiong) [China], 2002 Drama/Épico - 96 min. Direção: Zhang Yimou Roteiro: Zhang Yimou, Li Feng, Wang Bin Elenco: Jet Li, Tony Leung Chiu-Wai, Maggie Cheung Man-Yuk, Zhang Ziyi, Chen Dao Ming, Donnie Yen



Um dos primeiros desafios para quem for assistir "Herói" é se despir da ideia de que um filme com Jet Li sempre é pura pancadaria e pouca história. Por isso, decepcionará quem o assistir querendo ver apenas ação e pancadaria. "Herói" é um filme com Jet Li em que nenhum soco qualquer é gratuito, há uma história, e o visual é digno de contemplação.

O filme inteiro se passa ao longo do diálogo entre um guerreiro sem nome (Jet Li) e o rei da província de Qyn
(Daoming Chen). O guerreiro sem nome obteve, como recompensa tesouros e o direito de se aproximar do soberano por ter matado Espada Quebrada (Tony Leung Chiu Wai), Céu (Donnie Yen) e Neve Voadora (Maggie Cheung) - guerreiros da província de Zhan que por muito pouco não mataram o rei de Qyn. Na medida em que o rei questiona um determinado fato, o guerreiro sem nome revisa suas declarações e assume uma nova abordagem.

No prelúdio, uma importante citação: em uma guerra há herois em ambos os lados. No sonho do soberano de Qyn pela unificação da China reside o mesmo sonho de todas as outras províncias: assegurar a paz. Tais elementos são apresentados por um diálogo austero entre o guerreiro sem nome e o soberano de Qyn. Em cada parte do relato, as cores vão dominando a cena e apresentando o estado de humor do contador da história e de seus personagens. Os golpes e a luta, bem como inúmeros elementos simbólicos da cultura chinesa e da cultura envolta nas história de artes marciais "wuxias". Cada detalhe é entalhado no filme com precisão de um calígrafo - referência importante para a beleza do filme e também para a história narrada.

Tão somente a crítica chinesa não gostou do filme. Segundo eles, a história é carregada de uma concepção pró-monarquia de paz do qual tão somente a revolução maoísta foi capaz de construir. Ou seja, há elementos imperialistas, beirando o fascismo nacionalista, por demais. Enfim, quando se mete em política, o filme acaba sendo uma propaganda anti-socialista e reverenciando um perigoso passado de sacrifícios em nome da terra e seu soberano. O curioso é que o filme não foi proibido e foi recordista de público em toda a China. Para a maioria dos críticos ao redor do mundo, o filme agrada e muito - principalmente pela sua estética.

O filme é agradável aos olhos e de uma narrativa suave, ainda que seja em meio à batalhas e confrontos mortais. É dotado de imensa inteligência ao trabalhar a ambiguidade que envolve a narrativa do guerreiro sem nome, sem adiantar nenhuma das viradas que a história vai enfrentando. A interpretação dos atores em meio a tantas expressões austeras é surpreendente. A trilha sonora é bem escolhida, expressando não apenas as emoções da tela como também a mensagem que o diretor tenta passar e não consegue visualmente.

No fim das contas, acaba se tornando um filme de dimensões épicas em meio aos exageros dos filmes de luta - todos buscando o impacto e a beleza visual, portanto perdoados. Cansa um pouco tantos significados para um código de honra da luta, mas que não prejudica o filme e sua narrativa em nada. Um filme muito bom.

Ósculos e amplexos!

"Os Seis Signos da Luz", 2007: gincana boba.



"Os Seis Signos da Luz" (The Seeker: The Dark is Rising) [EUA] , 2007 - 94 min. Fantasia Direção: David L. Cunningham Roteiro: John Hodge Elenco: Alexander Ludwig, Ian McShane, Frances Conroy, Christopher Eccleston, Gregory Smith, Amelia James Cosmo, Jim Piddock, Amelia Warner, James Cosmo, Emma Lockhart


Há algo mais angustiante que ter 14 anos? Sim, ter 14 anos e ainda ter que salvar o mundo. Mais um filme em que uma gincana pode condenar ou salvar o planeta. Will Stanton (Ludwig) é o sétimo filho de um sétimo filho [não resisto a piadinha: se ele apostar tudo em um cavalo número sete, não dar dar outra: ele ficará em sétimo]. Por causa disto, ele é o caçador (the seeker) dos seis signos da luz, fundamentais para que as trevas (Eccleston) não vença o próximo combate entre mal e bem.


O filme é mais um que tenta pegar carona no sucesso de "Harry Potter" e "O Senhor dos Anéis" e que não obtém muito sucesso. Não possui em seu ator principal o carisma necessário para que a fórmula "aqui sou um Zé Ninguém, mas lá sou O Cara" funcione. Os "guardiões", responsáveis por orientar o adolescente enquanto segue as pistas da gincana não influenciam em praticamente nada ao longo do filme inteiro. E as malvadas trevas não assustam ninguém. Tudo culpa de um roteiro que não dá tempo para que nenhum dos personagens se desenvolva. Sem falar que as frases mais importantes são batidas e desnecessárias como "como posso salvar o mundo se não consigo nem falar com uma menina" e " mesmo a menor luz resplandece nas trevas".


O unico elemento que chegou a provocar um certo pavor foi a dos corvos na árvore em uma cena digna de "Os Pássaros". Mas logo até isso se transforma em um tolo argumento irrelevante para a história. A violência do confronto é prometida, mas fica implícita o tempo todo. Elementos que indicam viradas importantes acabam sendo mal apresentados, tornando-se previsíveis demais e estragando a surpresa. Além disso, o filme busca uma tensão dramática que nunca chega.


Fraco e tolo, o filme é uma gincana boba, de intensões moralizantes, em que se aborda o custo de nossas escolhas de uma maneira destemperada para todos os públicos.



Ósculos e amplexos!

"A Busca Pela Honra", 2005: continuação do romance SUD, melhor que o primeiro.



"A Busca Pela Honra" (The Work and the Glory II: American Zion), 2005 [EUA] Drama Direção:Sterling Van Wagenen Roteiro: Gerald N. Lund / Matt Whitaker Elenco: Sam Hennings (Benjamin Steed) Brenda Strong (Mary Ann Steed) Eric Johnson (Joshua Steed) Alexander Carroll (Nathan Steed) Brighton Hertford (Melissa Steed) Kimberly Varadi (Becca Steed) Colin Ford (Matthew Steed)Sarah Bastian (Lydia Steed, também Sera Bastian Emily Podleski (Jessica Roundy) Jim Grimshaw (Josiah McBride) Jonathan Scarfe (Joseph Smith) Melanie Hawkins (Emma Smith) Frank Ashmore (Martin Harris) Curtis Andersen (Carl Rogers)



Segundo filme da trilogia mórmon "The Work and The Glory", aborda a história da fictícia família Steed em meio à real história dos primeiros anos de A Igreja de Jesus Cristos dos Santos dos Últimos Dias. Diferentemente do primeiro filme que se preocupou em defender a religião mórmon dos preconceitos, o segundo apresenta a vida de uma família ao longo dos primeiros anos de peregrinação mórmon em busca de sua Sião. A intenção aqui é a de mostrar o drama das famílias pioneiras em sua caminhada para sua terra prometida. Ao longo da exibição, importantes aspectos da história mórmon é apresentada - como a expulsão dos Santos do condado de Jackson, Missouri; o Acampamento de Sião; e os primeiros momentos da construção do Templo de Kirtland, Ohio.

Enquanto o primeiro filme buscou um público não mórmon, o segundo é escancaradamente destinado para os membros da Igreja. Sem um Santo dos Últimos Dias ao lado, um não membro terá dificuldade de entender sobre o que foi e o que significou a expulsão dos mórmons do condado de Jackson e a queima do "Livro de Mandamentos; o que foi e o que significou o acampamento de Sião; até mesmo o que é uma bênção de saúde ou uma aposição de nome (semelhante ao Brit Mila dos judeus). E é justamente nestes aspectos que o filme tropeça, inclusive para o público Santos dos Últimos Dias. Não se tem sequer menção à bravura das moças que salvaram o "Livro de Mandamentos" do incêndio durante a expulsão do condado de Jackson; não se tem a correta dimensão do que foi o acampamento de Sião (tampouco a importante formação do quórum dos doze apóstolos com resultado), a bênção de saúde aparenta ser um milagre de Joseph Smith (e não da fé em Jesus Cristo, conforme é a bênção) e outros elementos importante da história mórmon.

Por outro lado, dá uma dimensão interessante para o sofrimento pelo qual passaram os santos em seus primeiros dias de peregrinação pelos Estados Unidos. E o faz por meio do drama da família Steed envolto ao moralizante debate sobre orgulho e perdão. Enquanto no primeiro filme se dá ênfase ao drama entre os irmãos Joshua e Nathan, no segundo a ênfase se encontra entre a família Steed inteira e o patriarca Benjamin. E o filme consegue fazer de maneira bastante interessante e convincente. Exceto talvez em seu final, em que apenas se preocupa em dizer que haverá uma continuação em um terceiro filme, deixando o espectador no ar por causa disso.

Ainda há uma interessante, novamente para o público mórmon, apresentação de personagens importantes como Orson Pratt, Emma Smith, e Brigham Young (que mais tarde seria o segundo Presidente da Igreja e aquele que conclui a peregrinação ao chegar e fundar Salt Lake City). Ao longo do filme vamos sentindo as adversidades dos personagens e sendo transportados para a história da Igreja (que se confunde com a história dos Estados Unidos). Vamos entendendo um pouco mais sobre os motivos da perseguição aos mórmons (no primeiro filme é a cobiça por tesouros, no segundo são questões políticas como o fato dos mórmons serem abolicionistas). Por fim, acaba sendo um filme bastante interessante ainda que se perca entre a história dos Steeds e a história da Igreja, sacrificando a primeira sempre que precisa mostrar a segunda.

O fato de ser inteiramente destinado para um público mórmon, ele não é impeditivo para o públicos não-membros da Igreja. O filme é agradável ainda que falte um pouco de calor emocional do ponto de vista mais cinéfilo.

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Como você Sabe", 2010: ninguém sabe quando algo acontecerá.



"Como você sabe" (How Do You Know) [EUA], 2010 – Direção: James L. Brooks – Elenco: Reese Witherspoon, Paul Rudd, Owen Wilson, Jack Nicholson – Duração: 121 minutos – Drama/Romance.


Um triângulo amoroso entre uma recém-aposentada jogadora de soft-ball (um tipo de baseball), um desempregado e réu por crime financeiro, e um jogador de baseball narcisista. Com a dificuldade do filme desenvolver, bastaria essa frase para uma sinopse exata da produção de James L. Brooks. Pois, são duas horas em que nada acontece.


Estranhamente, o filme tem uma senhora história nas mãos e simplesmente a esnoba. Lisa (Witherspoon), com 31 anos, está um segundo mais lenta. Isso significa que, para o mundo dos esportes, ela está velha e precisa se aposentar. Ela olha para o espelho repleto de post-it motivacionais dos quais nenhum lhe ajuda em absolutamente nada e vai à luta. E em meio a uma forçada crise de idade, o filme não tocará mais nesse assunto até o fim. Quer outra coisa mais estranha? O mais perto que Witherspoon chega de uma bola de softball é quando em meio a um treino ela toma uma bolada na cara para entrar na vida dela o bobo George (Rudd).


Com George outra senhora história é esnobada. Ele é filho de Charles (Nicholson), um mega-empresário envolvido em fraude financeira (que em momento algum do filme se diz qual fraude especificamente se está falando). O drama se complica quando Charles deseja proteger o filho, mas nesses casos desaconselha-se qualquer comunicação entre funcionários. Complica-se ainda mais quando Charles tem que escolher em ser homem de negócios ou pai. E, ao longo de todo o filme, nada dessa trama de desenvolve - apenas acompanhamos o murmurar de George.


Nem vou perder tempo contando sobre o personagem de Owen Wilson, pois ele faz sempre o mesmo personagem bobalhão narcisista de sempre. O romance é superficial, o drama é frágil, e a comédia é dependente de traquejos típicos de sitcom. O pouco que se ri é com Nicholson, porém não me lembro de um personagem tão ruim e, de longe, talvez a sua pior atuação. São duas horas de uma repetição sem fim, inclusive em alguns momentos com falas idênticas. E o título original, apesar de sugerir uma pergunta sobre como você sabe, demonstra que ninguém sabe de nada e possui uma séria dificuldade em se ouvir - mesmo quando eles param o que estão fazendo para isso. Um filme realmente patético.


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"As Doze Estrelas", 2010: fraco, sem pé nem cabeça.



AS DOZE ESTRELAS (Brasil, 2010) Gênero: Drama Duração: 99 min. Elenco: Leonardo Brício, Cláudia Mello, Paulo Betti, Cássio Scapin, Munir Kanaan, Débora Duboc, Juliana Vedovato, Lívia Guerra, Paula Franco, Mylla Christie, Martha Meola, Grabrielle Lopez, Francisca Queiroz, Carla Regina, Leona Cavalli, Adriana Alves, Rosanne Mulholland, Sílvia Lourenço, Djin Sganzerla Compositor: André Moraes Roteirista: Luiz Alberto Pereira Diretor: Luiz Alberto Pereira.


Ainda bem que na exibição deste estava do meu lado minha queridíssima amiga Rafaela Rocha. Ela teve a gigante e honrosa paciência de me explicar as caracteristicas básicas que cada signo possui devido a minha certa ignorância sobre o assunto. E melhor definição sobre o filme veio justamente dela: - "filminho mais sem pé nem cabeça".


Herculano (Brício) é um astrólogo contratado para selecionar as atrizes que farão parte do elenco de "As Doze Estrelas", novela que será rodada em Paulínia. Após a visita do Destino (Betti), ele irá descobrir um pouco mais sobre cada signo de maneira incorporada em cada mulher. Entre um signo e outro, inúmeras situações surreais irão ocorrer com o astrólogo das estrelas.


Infelizmente, não há como se prolongar na sinopse. O fime acaba sendo uma apresentação de doze belíssimas atrizes, curiosamente cada uma do signo que interpretam (uma exigência do diretor para causar curiosidade, mas que tecnicamente não faz a menor diferença). E justamente por apresentar doze histórias, o desequilíbrio e a falta de ritmo incomoda demais o espectador. Para que a sinopse fosse um pouco mais rica, haveria de contar um pouco de cada uma das personagens - o que faria com que todo o filme fosse contado.


O filme nos dá muito pouco. Os personagens "não zodiacais" são por demais mal desenvolvidos, chegando a desaparecer. Não há como saber se Herculano é um bom astrólogo ou um charlatão. Aliás, ele nem sequer as seleciona, pois se limita a ser um mensageiro. Até mesmo os signos são abordados com uma superficialidade incrível, "exigindo algumas leituras básicas à João Bidu" - palavras de minha amiga Rafinha. Realmente, o filme é muito fraco. Apresenta mulheres maravilhosas com dotes físicos e teatrais fantásticos, mas nada além disso e de maneira por vezes rudes ao apresentar cenas eróticas e péssimos efeitos especiais.


Em tempo, quando não havia mais paciência alguma para o filme, novamente a minha amiga me salva do tédio: passamos a brincar de lembrar amigas em comum para comparar com as personagens apresentadas no filme (isso sim, realmente muito interessante e divertido).


Ósculos e amplexos - e para minha heroina Rafinha, meu muito obrigado!