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quarta-feira, 9 de maio de 2012

"O Casamento do Meu Ex", 2010: Quantas oportunidades jogadas fora!

"O Casamento do Meu Ex" (The Romantics) [EUA] , 2010 - 95 min. Drama / Romance Direção: Galt Niederhoffer Roteiro: Galt Niederhoffer Elenco: Katie Holmes, Anna Paquin, Josh Duhamel, Elijah Wood, Malin Akerman, Adam Brody, Dianna Agron, Jeremy Strong, Rebecca Lawrence, Candice Bergen


E novamente o título dado aqui no Brasil não favorece muito o filme. As Românticas era a forma em que os Lila (Paquin) e Laura (Holmes) eram conhecidas nos tempos de faculdade. Inseparáveis, dividiam praticamente tudo, inclusive o namorado Tom (Duhamel). Na verdade, sem maiores explicações, Tom troca Laura por Lila e com essa vai se casar. Como madrinha de honra, Lila foi convidada. O filme, que possui o péssimo título que nos remete imediatamente à comédia-romântica "O Casamento do Meu Melhor Amigo, 1997" e o cartaz típico de comédia independente engana. Quem vai para o cinema para ver uma comédia romântica, depara-se com um romance bem fraquinho.

Ao longo dos 95 minutos de exibição, vamos vendo a melancolia de praticamente todos os personagens saltarem da tela, mas sem nenhuma objetividade. As situações de conflito e os melhores momentos se anunciam, mas quando chega a hora de vermos algo acontecer: nada acontece. Dá-se mais atenção para os momentos de "picardias estudantis", como a persistente ideia de se nadar pelado (que no fim das contas acaba sendo um nado de roupas íntimas). E, com isso, vamos nos irritando com o eterno e constante sentimento de coito interrompido.

O elenco é bom. Tem-se o que há de maior frescor. Mas os personagens não convencem. O andar rápido, com saia de normalita da personagem Lila no começo do filme nos antecede que ela fará uma personagem que não nos convence. A belíssima Holmes tem a mesma cara tanto para sofrimento quanto para o momento de bebedeira com a rapaziada. E o drama com os outros casais é praticamente um tédio só (quando aparenta que algo vai de fato acontecer, novamente coito interrompido). Até mesmo quando o vestido de noiva se rasga, que poderíamos ver uma excelente hora de explosão de som e fúria, outro coito interrompido. O final não poderia ser diferente, outro coito interrompido.

Que pena, pois os personagens tinham muita facilidade de nos cativar. Realmente, vamos nos compadecendo no drama de cada um dos personagens. Exceto o de Elija Wood, que realmente não tem o menor espaço no filme (além de estar horrível e sem sentido algum).

Ósculos e amplexos!

"Projeto X" (2012): que coisa horrorosa!

"Projeto X: uma festa fora de controle" (Project X) EUA , 2012 - 87 min.  Comédia / Documentário / Drama Direção: Nima Nourizadeh Roteiro: Matt Drake, Michael Bacall Elenco: Thomas Mann, Oliver Cooper, Jonathan Daniel Brown, Kirby Bliss Blanton, Alexis Knapp

O que acontece com a população americana? Investem cada vez mais no estilo Todd Phillips de mau gosto (ele é o pai da criança "Se Beber Não Case"). Além de ser horroroso, é gravado com a técnica que ficou famosa por "A Bruxa de Blair". Ou seja, é ruim de ver, é ruim de acompanhar, e as cenas são apelativas demais.

A história é a de sempre: outsiders que desejam ser pop e que fazem qualquer idiotice para conseguir. Thomas Mann e seus amigos aproveitam a ausência dos pais daquele para armar uma festa. O resultado: a festa toma proporções imensas até sair completamente exorbitantemente e destrutivamente - e não estou exagerando - fora de controle. Se tiver estômago ou não mais que 16 anos, (ainda que o filme seja recomendado para maiores de 18), é capaz de gostar dessa coisa horrorosa.

Dá para se aproveitar muito pouco. Talvez a parte em que roubam um anão. Talvez os momentos mais picantes. Mas, nada que deveria ser demais é, e nada que deveria ser deixado de lado foi. E me irritei muito com inúmeros momentos do filme.

Preocupa-me a releitura de "Curtindo a Vida Adoidado" para a época pós-Se Beber Não Case e Jack Ass.

Definitivamente, idiota e uma perda de tempo.

Ósculos e amplexos!

"Mamute", 2010: Suave, como exige esse paquiderme.


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  •  "Mamute" (Mammuth) 2010 Diretor: Gustave de Kervern, Benoît Delépine Elenco: Gérard Depardieu, Yolande Moreau, Isabelle Adjani, Benoît Poelvoorde, Miss Ming Gênero: Comédia Dramática Duração: 92 min. País: França 



É fácil de entender que há algo rústico, lento, "dinossáurico" no centro da tela grande e que será a alma de todo o filme. Além de uma moto com o nome do paquiderme ancestral há Serge (Depardieu), que é assim. Serge se encontra no limiar de um dos maiores problemas da vida: o tédio ao se aposentar. Devido a uma insana burocracia francesa, Serge deverá ir atrás de seus dez empregos anteriores. Para isso, ele conta apenas com a sua memória e sua moto Mamute. 

O filme, apesar de retratar um mamute figurativamente, ele é bastante suave igual ao personagem. Inculto, grosseirão, fedido, aos poucos, em sua "road trip" ele vai encontrando novos sentidos para sua vida. Principalmente quando encontra sua sobrinha um tanto quanto afetada Miss Ming (Ming). Mas não deixa de ser interessante. De maneira bastante leve, tem-se na tela todos os fantasmas de Serge. Mas ele convive muito bem com eles. O problema são as memórias que ainda estão vivas e que, ao encontrar com elas, vai achando tudo desinteressante e absurdamente sem gosto (inclusive uma discutível lembrança dos tempos de garoto entre ele e seu primo que beira a loucura de tão deprimente e nada atraente).

O jeitão enorme da falta de físico de Depardieu se encaixa perfeitamente com a angústia do personagem que busca um lugar neste mundo neste momento de sua vida. Ele representa tudo o que está velho e ultrapassado na opinião desse mundo que ele não se encaixa. Ele é lento com sua moto de outrora envenenada - as motos envenenadas de hoje passam voando por ele. Sua cortesia é vista como idiotice. E assim por diante, sempre em um tom irônico em nenhum momento apelativo, ainda que por vezes indigesto. Sempre suave.

Aos poucos, Miss Ming e seu jeitão afetado vai fazendo Serge encontrar gosto pela vida. Ela vive em outro mundo, mas que não aceita esse mundo tão quanto o velho mamute. Ela mostra a beleza de se sentir as coisas. E assim, aos poucos, Serge vai entender o seu valor.

O único problema é que o filme termina meio sem sal. Esperava alguma coisa acontecer no final. Mas, ao mesmo tempo, talvez seja justamente a beleza dessa obra.

Ósculos e amplexos!


"Espelho, Espelho meu!" (2012): divertido de tão bobinho.

 
Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror). EUA, 2012. Direção de Tarsem (Singh). 106 min Com Julia Roberts, Nathan Lane, Lily Collins, Armie Hammer, Jordie Prentice, Mare Winngham, Sean Bean, Michael Lerner, Michael Provinelli.

Engana-se quem pensa que irá assistir mais uma versão da badalada história de Branca de Neve. Mas, acerta quem acha que verá mais uma sátira do velho conto de lenhadores alemães. Prova de que a história ainda povoa as imaginações dos mais insanos aos mais inocentes. O filme possui poucos elementos de conexão com a versão mais conhecida (creio que a mais conhecida seja a da Disney, de 1937).  Basicamente manteve a própria Branca de Neve - que nunca pega sol, por isso tão alva -, a madrasta, o príncipe e os anões. De resto, apenas dialoga com a versão mais conhecida.

Julia Roberts não está em seu mais destacado trabalho, definitivamente. A diva passa por um sério processo de envelhecimento e os brilhos da jovialidade já não mais a acompanha. O que me deu a impressão de que sua capacidade de interpretar ironias na tela grande se tornasse algo um pouco metalinguístico. Continua bela, é claro, mas lhe falta o tempero que todos aprendemos a gostar em seus trabalhos. Por outro lado, fiquei embasbacdo como o príncipe (Hammer) ficou pela Branca de Neve (Collins). Não se trata de uma beleza exuberante. Mas de uma capacidade de encantar os mais desprevenidos que, aos poucos, vamos dando razão para o espelho quando diz "que se cai enfeitiçado pela beleza de Branca".

O príncipe (Hammer) definitivamente é bobo demais para arrancar suspiros das meninas. Aliás, tenta ser o príncipe abobado e não convence mesmo assim. O ingrato personagem de Nathan Lane é o de puxassaco oficial da rainha. Ou como o espelho diz: o bajulador oficial. Roberts brilha somente quando Lane levanta a bola para ela cortar - salvo nas sequências em que Roberts é o espelho.

Quem me chamou a atenção mesmo, além de Collins, foram os anões. Não me lembro de um filme com tantos atores bons sendo bem aproveitados. Não vemos os anões na situação nem de bizarrice e nem de palhaços de circo. São convincentes em quase tudo o que fazem, além de bastante charmosos.

Confesso que me incomodei com a mudança de nomes dos anões e com outras coisas. Mas, o filme pede para que não o levemos à sério. E o resultado foi que eu acabei gostando, ainda que o tenha achado fraco demais para jovens e adultos.

Ósculos e amplexos!

PS* é a última vez que assisto um filme no UCI do Shopping Palladium, juro! Toda vez que venho, alguém não se comporta na sala de cinema. Dessa vez, uma moça não parava de falar ao telefone - mesmo após insistentes assovios e palavrões que ela escutou por conta disso.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Entretenimento familiar: filmes da temporada de férias 2012.


Olhando para minha última postagem, faz oito meses que não apareço por aqui. Não é por não acompanhar mais o cinema, coisa que continuo fazendo e muito. Mas outras prioridades atravessaram minha vida e o blog ficou para um segundo momento. Aos poucos, volto a postar. Tem bastante filme comentado em minhas anotações pessoais – e que aos poucos vou digitando.

A postagem de hoje não é uma resenha específica como o de costume neste humilde bloguinho. Mas, o atendimento a um pedido que alguns amigos me fizeram. Preocupados em prover para suas famílias um contato saudável com a arte ou mesmo com o mero entretenimento, querem saber quais as estreias da temporada de verão americana recomendada para a família. Em semana da fulminante estreia de “Os Vingadores”, preocupação mais do que justa.

O critério é deveras simples: são considerados filmes para toda a família aqueles classificados até PG-13. Explico: na classificação estadunidense há cinco categorias analisadas de maneira bastante criteriosa quando o assunto é classificar algo para um determinado tipo de público, mas, como sempre, a decisão é de quem compra o ingresso. Lá, G (General Audiences) é certeza de que se trata de uma atração para todas as idades. O problema é que os estadunidenses consideram somente atrações absurdamente infantis – “Rugrats”, por exemplo, não se encaixa nessa categoria. PG (Parental Guide Suggested) joga para os pais o alerta de que pode não ser completamente adequado para os mais pequeninos. Às vezes uma ironia ou uma rápida expressão um pouco mais severa de um personagem pode incomodar pais mais atentos – mas, em geral, uma rápida observação dos pais de que aquilo não é exemplar resolve maiores conflitos. PG-13 (Parents Strongly Cautioned) alerta aos pais que eles realmente irão se incomodar caso menores de 13 anos assistam o conteúdo a ser apresentado. R (Restricted) não recomenda o acesso para menores de 17 anos (que, no Brasil, encontrei vários títulos “R” classificados como impróprio para 16, 14 e até 12 anos). Por fim, os NC-17 (No One 17) e os X (conteúdo erótico); que definitivamente não se enquadram no conceito atração familiar nem mesmo para o Brasil. Portanto, para os padrões brasileiros, no máximo até PG-13 pode ser uma atração recomendada para toda a família – com os devidos cuidados, é claro.
Enfim, vamos às recomendações:

“Os Vingadores” (PG13) – tem muita ação, muita pancadaria, e um visual bastante convincente. Meninos irão certamente sair do cinema absurdamente encantados com os heróis e os imitando (eu pelo menos saí da sala de cinema ainda mais fã do Hulk). Mas, as cenas são de muita pancadaria e podem incomodar pais mais severos quando o assunto é violência. Definitivamente não recomendo para famílias preocupadas com isso, pois a beleza das explosões e do ambiente de guerra é a marca do filme.

“Dark Shadows” (PG13) A velha combinação Tim Burton e Jhonny Depp que nem sempre funciona, mas que todo mundo gosta. Dessa vez, Depp interpreta um vampiro de uma série de televisão da década de 1960. Em tempos de saga Crepúsculo, o filme promete ser um bom Terrir (Terror que faz Rir). Porém, nas fotos de divulgação, o filme pode apresentar cenas de nudez e de referência ao uso de drogas.

“Battleship” (PG13): bem ao estilo “Transformers”, segue a mesma fórmula: pancadaria, destruição, máquinas e explosões em alta performance, e efeitos visuais de se tirar o fôlego.

“O Que Esperar Quando Você Está Esperando” (PG13): O título é ruim assim mesmo, mas promete chegar badalado no Brasil por ter no papel de galã o compatriota Rodrigo Santoro dividindo a tela com Cameron Diaz, Dennis Quaid, Jennifer Lopez, e tantos outros. Por se tratar de comédia romântica baseada nos temas ansiedades e gravidez, é certeza de inúmeros momentos onde o tema central será o sexo. Agora, parafraseando Cazuza, é um filme para quem já sabe que “todo dia vem a hora da sessão coruja”.

“Homens de Preto III” (PG13): não acredito que vá muito mais além dos outros dois. Portanto, não recomendado para aqueles que se incomodaram com os dois primeiros filmes apenas.

“Madagascar 3” (PG): mesmo caso de “Homens de Preto”. Com uma pequena observação: nos dois primeiros filmes houve quem se incomodou com alguns momentos de humor rude que o filme apresenta - apesar da classificação ser para todas as idades.

Por enquanto, é isso! Ósculos e amplexos!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Melancolia", 2011: poético e fascinante fim do mundo.



Melancolia (Melancholia) Dinamarca / Suécia / França / Alemanha , 2011 - 136 minutos Drama / Ficção científica Direção: Lars Von Trier Roteiro: Lars Von Trier Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgaard, John Hurt, Stellan Skarsgaard, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling



Apesar de um pouco zonzo com as tomadas de câmera na mão e muita intervenção ao som de Tristão e Izolda, de Wagner, confesso que saí do cinema irritado com o filme. Mas, poucos minutos após sair, caminhando pela cidade, pude compreender a beleza de um dos melhores e mais polêmicos diretores da atualidade. Lars Von Trier, ao mesmo tempo que é infeliz ao fazer declarações nas coletivas envolvendo Hitler e judeus, é por demais feliz em suas obras. E, para quem não estiver com espírito preparado para assistir mais uma obra do depressivo diretor certamente terá uma desagradável surpresa.



O filme, de uma maneira geral, é uma pintura de uma catástrofe anunciada. Igualmente a uma ópera, porém com uma fotografia exuberantemente linda, teremos duas longas versões melancólicas de uma catástrofe inevitável. Após ver uma série de imagens onde mostra uma noiva angustiada querendo fugir e o planeta Terra sendo engolido por outro consideravelmente maior, o filme começa de fato e seguira em duas partes. Na primeira, a história acontece ao redor de Justine (Dunst). De maneira muito bonitinha e alegre, temos uma limosine incapaz de levar o casal apaixonado ao seu casamento por não conseguir fazer uma curva. Do momento em que chegam ao local da festa de casamento em diante, o que temos é um festival de tristezas e muita, mas muita ironia de Lars Von Trier. (Infelizmente, não poso adiantar muita coisa - evitando Spoilers). A segunda parte, por sua vez, passa-se ao redor da angústia da outra irmã, Claire (Gainsbourg). Ela tem conhecimento da aproximação do planeta Melancolia e teme pelo pior.



Desde o começo sabemos o que vai acontecer. Porém, a beleza de como cada coisa é apresentada é de se encher os olhos. Seja pelo nu azulado de Justine, seja pela convincente interpretação de cada um dos atores e atrizes. Cada qual com uma beleza ímpar. Tanta coisa bela caminha junto com o abismo depressivo de Von Trier. Para ele, o fim do mundo é assim, sem esperança, sem grandes acontecimentos previstos ou revelados, sem nem menos pena da humanidade. Para ele "a humanidade não fará falta".



Não se trata de um filme fácil de se assistir, mas consideravelmente possível se comparado à outras obras de Lars Von Trier. Um poético e fascinante fim do mundo, do nosso universo particular e de nosso universo intangível.


Ósculos e amplexos!

"Professora Sem Classe", 2011: não faz rir, além de ser patético.



"Professora Sem Classe" (Bad Teacher) EUA - 92 min. Comédia Direção: Jake Kasdan Roteiro: Gene Stupnitsky, Lee Eisenberg Elenco: Cameron Diaz, Jason Segel, Justin Timberlake, Lucy Punch, Phyllis Smith, John Michael Higgins, Kaitlyn Dever, Matthew J. Evans



Sim, há algumas cenas de "Professora Sem Classe" que são de uma estética interessantíssima. Mas dependem de puros fetiches do espectador. O filme tem problema de tempo, as piadas são fracas, o enredo muito caricato, e o pior, os atores e atrizes não convencem.



"Professora Sem Classe" igualmente ao péssimo trocadilho que seu título recebeu no Brasil é a tentativa de se fazer uma comédia insana com elementos comuns no cotidiano escolar. Conta a história de Elizabeth (Diaz), professora por profissão e mau-caráter por estilo. Detesta o emprego que possui, considera seus colegas de trabalho um bando de imbecis e não dá a mínima para a educação de seus alunos. Ser professora é um embuste para aparentar ser boa moça para os ricaços que lhe poderão promover o sonho dourado. Porém, culpando seus seios medianos por ter sido desmascarada em seu último noivado, faz de tudo para juntar dez mil dólares e assim poder comprar suas próteses (para agarrar outro ricaço). Em meio a sua tediosa vida regada à bebidas, drogas e muita ressaca na hora da aula, conhece o bonitão e herdeiro de uma famosa marca de relógios - e que ninguém explicar por qual motivo ele é também professor - Scott (Timberlake). Daí por diante, dá-lhe cenas e mais cenas de situações sensuais com a lourona e pouquíssimos argumentos inteligentes.



O filme tem um desafio duplo: ser sensualmente incorreto ao mesmo tempo formatado para um público maior de 14 anos de idade. Não daria outro resultado senão um sucesso de bilheteria, principalmente para o público adolescente, mas desagradável para públicos um pouco mais exigentes. Uma ou outra piada inteligente no meio de um montão de piadas grosseiras não é o maior problema. Terrível é suportar uma série de grosseirias expostas de maneira frágil, com personagens pouco convincentes e que vão se tornando cada vez mais caricatos ao longo do filme.



Seus noventa e dois minutos de duração se arrastam, fazem parecer três horas. Há três viradas muito mal contadas ao longo da história. E a redenção da anti-heroína realmente é patética.



Por fetiche, por pouquíssimo humor inteligente, o filme não compensa. Sabe-se lá o motivo de ter obtido tamanho sucesso em bilheteria.



Ósculos e amplexos!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"Os Smurfs", 2011: Para crianças de hoje, lembre-se disso!


"Os Smurfs" (The Smurfs Peyo) [EUA] 2011 - 102 min. Animação / Infantil Direção: Raja Gosnell Roteiro: J. David Stem, David N. Weiss, Jay Scherick, David Ronn Elenco: Neil Patrick Harris, Jayma Mays, Sofía Vergara, Hank Azaria, Jonathan Winters, Katy Perry, Anton Yelchin, Frank Welker, Fred Armisen, Alan Cumming, George Lopez



O filme é para crianças de hoje, portanto não é para crianças da década de 1980. Ainda que por diversas vezes o filme conversa com o público infantil de décadas passadas (ele faz algumas afirmações para aqueles que já cresceram como: a musiquinha xarope, a mania de usar a palavra "smurf" para tudo, etc), ele é fofo o bastante para cativar as crianças que nasceram após o ano 2000. Portanto, deve ser visto como tal. Para os mais crescidinhos, algumas informações importantes são finalmente explicadas - como por exemplo, como pode ter 99 homens e apenas uma mulher na vila dos Smurfs - e outras humoristicamente ignoradas.

A história é simples, na vila dos Smurfs, Papai Smurf tem uma visão preocupante sobre o futuro. Vê o Smurf Desastrado sendo o responsável pela captura dos demais smurfes pelo bruxo Gargamel e seu gato Cruel. E a confusão se confirma: sem querer, Desastrado leva Gargamel diretamente para a vila dos Smurfs. Na fuga, alguns smurfes descobrem um vórtice que os levam para Nova Iorque e lá conhecem o estranho mundo dos seres humanos enquanto tentam voltar para casa. As criaturinhas, em um mundo totalmente desconhecido, conhecem Patrick (Harris) e Grace( Mays - que tem um meigo olhar que parece ter saído da um gibi), um casal que espera seu primeiro filho. Sua chefa é a linda, latina e terrível Odile, dona de um império dos cosméticos e que espera uma campanha publicitária impossível circulando pela cidade.

"Casa grande faz com que o casal fique mais afastado", diz a sábia Smurfete. Sim, alguns valores importantes como valorizar mais a família que os bens materiais, valorizar a paternidade mais do que uma promoção no emprego, apoiar a esposa e estar sempre pronto para auxiliá-la, estão o tempo todo contidos na história e acabam sendo o grande drama de fundo dos personagens nova-iorquinos. Já para os Smurfs, é a volta para casa. Há tempos em que a beleza de uma boa história, centrada em valores adequados para as crianças, não era exibida. Em meio a tantos eletrizantes desenhos, com erotizações, com valores invertidos e tantas outras coisas facilmente questionáveis de serem exibidas para o público infantil, "Smurfs" acaba sendo um alívio adequado para um bom programa em família.

Realmente, o filme carece de um enredo mais profundo e muito dos personagens acabam tendo situalções em que simplesmente desaparecem. Ao mesmo tempo, temos o mais divertido gato da história do cinema (sim, ele bateu o gato de botas de Shrek e Garfield). Gargamel, enquanto bruxo atrapalhado, é o responsável por quase toda a ação do filme. E a homenagem ao criador dos Smurfs, Peyo, bem como a referência feita ao fenômeno que foi o desenho são elementos bem homenageados no filme. Inclusive as palavras mágicas para abrir o portal não poderiam ser em outra língua senão a francofonia do belga Peyo.

O que me incomodou - sempre me incomoda - foi que a versão 3D só serviu para uma coisa: deixar o ingresso mais caro. Não contribui em absolutamente nada.

Enfim, um filminho bom e agradável para assistir com a família.

Smurfs e smurfs!


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"Capitão América: o primeiro vingador", 2011: história bem contada.


"Capitão América: o primeiro vingador" [Captain America - The First Avengers ] EUA , 2011 - 124 min. Aventura Direção: Joe Johnston Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Richard Armitage, Toby Jones, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, JJ Feild, Bruno Ricci, Lex Shrapnel, Michael Brandon, Martin Sherman, Natalie Dorme.


Já cansado de assistir grandes projetos das histórias em quadrinhos se tornarem uma imensa chatice no cinema, fui assistir sem nenhuma expectativa ao filme da HQ que nunca me despertou nenhum interesse. Capitão América, para mim, sempre foi muito chato. Tanto na sua época de ufanismo estadunidense quanto em sua fase de depressão - quando descobre que é possível existir corruptos no primeiro mundo. Ao término do filme, fui para casa com um sorriso nos lábios. O filme, que eu não dava nada, é bom!

Na busca por recriar seu universo também nos cinemas, a Marvel fez vários filmes dos quais apresentavam para o público cineasta seus principais personagens: Homem-de-Ferro, Hulk, Thor, Quarteto Fantástico e X-Men. Os três primeiros foram apresentados com algumas interferências e referências que tão somente os fãs de HQ compreendiam, mas que carregavam o filme de informações que pouco ou em nada contribuía. Com isso, os filmes custavam a agradar o público mais cinéfilo em troca de um perdão ao público mais, com ainda mais perdão do neologismo a ser usado, "agaquéfilo". Surpreendentemente, o Capitão América consegue escapar disso e ter uma história centralizada em seu personagem. E o mais genial, não se abandona a referência ao projeto maior - e que agora eu temo profundamente seu resultado - de se fazer o primeiro encontro (crossover) de personagens no cinema: Os Vingadores.

Para centrar a história no personagem sem perder de vista o crossover futuro, Markus e McFeely usaram de uma ferramenta inteligente: o tempo. Sim, o filme começa em tempos atuais com a descoberta de um avião do tempo da Segunda Guerra, enorme, enterrado no gelo groelândio. Ao explorar internamente a aeronave, descobrem o super-heroi da Segunda Guerra congelado: o Capitão América. Neste momento, um imenso flashback dá início, bem como o filme propriamente dito começa. Steve Rogers (Evans), raquítico e com um histórico familiar de algumas doenças, sonha em entrar para as Forças Armadas e lutar na Guerra. Mas, seu porte físico e histórico de saúde é um entrave tão significativo que lhe foi negado cinco vezes a entrada no exército. Em mais uma tentativa, um misterioso cientista alemão mas que serve ao exército americano identifica em Rogers mais do que músculos: bondade, inteligência e força de vontade. E assim, o magricelo entra para as forças armadas dos Estados Unidos com o propósito de ser cobaia de uma grande experiência científica. Depois de uma série de testes, Rogers é aprovado para ser o primeiro a receber um soro que o transformará em um super-soldado. A experiência dá certo, mas um incidente faz com que o inventor do soro morra e com ele a fórmula do supersoldado. Rogers é espécime única e se transformará em Capitão América.

A história vai desenvolvendo o personagem de maneira elegante e convincente. Antes mesmo do magricelo Rogers se tornar no avantajado Capitão América, já se torce pelo mocinho. É uma história de militares durante a guerra, portanto poucos sorrisos são vistos na tela. Dessa maneira, os pouquíssimos momentos de afeto são valorizados pela história. Aliás, destaque para Peggy Carter (Atwell), oficial de forte sotaque britânico e que além de durona, é linda! Ela irá fazer o par romântico com o heroi e protagonizar alguns dos momentos mais dramaticos da história enquanto uma personagem marcante e importante. Isso citando apenas o heroi e sua musa, mas há de se dizer que o elenco todo estava muito bem preparado para fazer o filme. Destaque para Tommy Lee Jones, que faz o coronel Chester, linha dura que treina o supersoldado, responsável pelos alívios cômicos.

Nem tudo são flores, apesar da excelente atuação de Weaving, o vilão Caveira Vermelha - que de tão mau rivaliza com o próprio Hitler - não tem um personagem tão bem construído ao longo do filme. É compreensível que o Caveira Vermelha e o Capitão América possuem as mesmas forças e qualidades, mas na hora do tão aguardado confronto a coisa toda foi prorrogada para um próximo filme. É nesse momento que a Marvel nos faz lembrar de uma de suas mais irritantes estratégias comerciais: a de ser sempre no próximo HQ - ou filme - a explicação do anterior.

O filme é bom, harmonioso, bem contado. Até mesmo para quem nunca ouviu falar no Capitão América (e não são poucos) olharão para o heroi com um pouco mais de carinho - mesmo em épocas em que os Estados Unidos continua sendo o maior benfeitor e o maior malfeitor do mundo.

Ósculos e amplexos!


terça-feira, 12 de julho de 2011

"Cilada.com", 2011: infelizmente, é fraco.


"Cilada.Com" [Brasil], 2011 - 95 min. Comédia Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Augusto Madeira, Carol Castro, Fabiula Nascimento, Fúlvio Stefanini, Sérgio Loroza, Thelmo Fernandes, Marcos Caruso, Luis Miranda, Débora Lamm, Alexandre Nero, Karla Karenina, Dani Calabresa, Milhem Cortaz, Rita Elmôr, Fernando Caruso

Nada mal, porém nada bem. O filme que se propunha a ser comédia de esquetes, escorrega feio ao buscar um jeitão "comédia-romântica ianque". E o resultado é uma ótima história em um filme fraco, infelizmente. Infelizmente, pois, o filme é composto por uma constelação interessantíssima de atores e atrizes de elevadíssimo talento. Mas, a falta de ritmo incomoda, e algumas gags são buscadas de maneira lamentáveis - que lembra, porém completamente fora do esquadro o "Se Beber Não Case".

Em meio ao casamento de uma prima, Fernanda (Leme) vê seu namorado, Bruno (Mazzeo) com outra. Ou melhor, todos veem a cena, pois eles estavam atrás do biombo utilizado para uma projeção e que caíra justamente quando a moça se apoiou para buscar, vamos dizer assim, uma posição melhor. Para se vingar, Fernanda posta na internet uma pífia performance sexual de menos de doze segundos entre Bruno e ela. O vídeo se transforma em um verdadeiro webhit, tornando a necessidade de Bruno "limpar a barra" uma verdadeira odisseia.

Aos poucos, vamos vendo um humor que não colabora em nada com a história. Além disso, demonstra algumas apelações que considerei desnecessárias (como por exemplo, e que está no trailer, a eterna atitude discriminatória de generalizar o pênis negro). Mas, a situação vai piorando. Preconceito de classe, preconceito contra transsexuais, preconceito para com tudo e todas. Enfim, somente a mulher ninfomaníaca e que gosta de tapas no rosto é a mulher da vida do fracassado Bruno.

Bruno como homem é péssimo, como profissional é fraco, como namorado é um sacana, e como ser humano é uma miséria. Tais elementos em momento algum do filme tem redenção. E por uma risada gratuita, realmente o filme é fraco demais e chega a insultar. O adúltero tem sua redenção facilmente estampada ao longo de todo o filme. E a mensagem de que ficar com alguém para não ficar sozinho enquanto sendo amor é de amargar todo o melado que se propunha na parte romântica do filme.

Algumas situações são hilárias. Porém, quase todas estão nos trailers.

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Os Pinguins do Papai", 2011: que vontade de gritar me deu!

"Os Pinguins do Papai"(Mr. Popper's Penguins) [EUA] , 2011 - 94 min. Comédia Direção: Mark Waters Roteiro: Jared Stern, John Morris, Sean Anders Elenco: Jim Carrey, Carla Gugino, Angela Lansbury, Ophelia Lovibond, Madeline Carroll, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Dominic Chianese

"Ai que filme ruim!" Foi a minha vontade de gritar dentro do cinema. É sério, virava-me e me revirava na poltona do cinema aguardando o fim da imensa tortura que é o filme. Nem mesmo a sempre bela visão de Carla Gugino (sim, sou apaixonado por todo aquele charme que ela tem) consegue fazer o filme menos insuportável. O retorno do envelhecido Jim Carrey às comédias que o lançou no cinema acaba sendo decadente, cansativo, e absurdamente sem graça.

Por causa de um pai ausente (vamos combinar que o estadunidense deve ter muito problema com isso), Poppers (Carrey) é um homem de negócios sem muitos valores. Por isso, é divorciado e um fracasso como pai. Por outro lado, é um gênio quando se trata de transaçõs imobiliárias. Mas, sua vida dá uma grande guinada. Seu pai falece, deixando de herança um pinguim. Justo quando o maior desafio de sua carreira foi decretada por seus chefes: a de comprar a impossível e única localização privada do Central Park de Nova Iorque.

Bom, segue o de sempre. O blá-blá-blá água com açúcar de sempre. Popper vai aprender a ser pai com os pinguins. A rede de relacionamentos dele vai sofrer uma alteração brusca na medida em que vai aprendendo a lição. E tome cocô de pinguim para provocar risos, pois as caretas de Carrey não são mais tão boas.

Não agrada, tem pouca graça, e mesmo na hora em que uma perseguiçãozinha muito da fraquinha acontece a coisa não empolga. Além disso, os sempre graciosos pinguins são apenas graciosos. Dão a impressão de que o filme está fora de prazo, talvez sendo melhor aproveitado na televisão em época de natal. Mas no cinema é uma grande chatice.

Em tempo: o filme tem uma brincadeira com a língua do Pê que realmente não se encaixou em nada - mais evidenciado na secretária de Popper. Se era para rir, acho que não deu certo, pois irrita.

Ósculos e amplexos!

"Transformers 3", 2011: para quem quer porrada!

"Transformers 4: O Lado Escuro da Lua" (Transformers: dark of the moon) [EUA] , 2011 - 157 min. Ação / Ficção científica Direção: Michael Bay Roteiro: Ehren Kruger Elenco: Shia LaBeouf, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rosie Huntington-Whiteley, Patrick Dempsey, Kevin Dunn, John Malkovich, Frances McDormand, Ken Jeong, Leonard Nimoy, Peter Cullen

Ei! Cadê a maravilhosa da Megan Fox?! Ela atuava mal pra caramba, mas a nunca-vi-antes -na-vida Rosie-Huntington-Whiteley é uma falta de educação! [Todo mundo sabe que a exótica e linda Fox fez um infeliz comentário comparando o judeu diretor Michael Bay à Hitler e, por isso, foi cortada do filme].

Bom, atendo-se ao filme: oras bolas, quem vai ao cinema assistir Tranformers vai para ver muita, mas muita pancadaria entre os robôs. E neste quesito, o filme é de perder o fôlego. A relação entre os robôs e a Terra é mais antiga do que os outros dois filmes nos contaram. A guerra deles derribou na lua uma nave abatida onde a esperança dos Autobots estava dentro. (E que não vou contar para não estragar as pouquíssimas surpresas do filme). Mas, a descoberta desta nave pelos humanos aconteceu ainda na época da corrida militar entre EUA e URSS, e muito mais do que os próprios robôs sabiam estavam escondidos nos arquivos presidenciais.

Paralelamente, os humanos mais próximos dos robôs são todos uns, como a tradução gosta de chamar os out-siders, fracassados. Sam Witwicky (LaBeouf), heroi de guerra condecorado, formado em uma das mais importantes universidades dos EUA, é um grande desempregado bancado pela namorada (H-Whiteley). O mesmo acontece com outros mais chegados dos robôs, que nem sequer se aproximam da arrogância dos militares e seus interesses bélicos.

O filme acaba sendo um dos maiores disperdício de atores que já se viu, inclusive o sempre eficiente John Malkovich. Os personagens são irritantemente vazios, quando não alternam essa irritação por falas cheias de arrogância que faz com que o espectador sinta verdadeiras vontades de sair do cinema tamanho os insultos. Mas tudo isso faz parte do cenário caótico que virá. (Lembrando que Huntington-Whiteley é muito, mas muito ruim, apesar de belíssima!).

Indo direto ao assunto, o filme não decepciona no fim das contas. Afinal, quem quer saber de história de amor em um filme que promete pancadaria? E neste quesito, realmente o filme lembra parte da minha infância ao explicar por que meus brinquedos viviam aos pedaços. São mais de quarenta minutos de pancadaria convincente e sem tréguas - com direito à baixas em todos os lados, inclusive a pulverização de humanos!!! Chicago vai pras cucuias, com quedas e explosões convincentes. E os robôs... ah! os robôs! Estão maravilhosamente sanguinários (com direito à sangue jorrando dos robôs!).

O filme é para quem quer ver porrada, porrada, e destruição. Esqueça tudo o mais, pois não presta. Somente os encontrões e explosões fazem o filme interessante.

Ósculos e amplexos!


"Carros 2", 2011: sem o charme e a nostalgia do primeiro.

"Carros 2"[Cars 2] (EUA) , 2011 - 113 min. Animação / Infantil Direção: Brad Lewis Roteiro: Ben Queen Elenco: Owen Wilson, Larry the Cable Guy, Michael Caine, Emily Mortimer, Jason Issacs, Thomas Kretschmann

A beleza do primeiro filme "Carros", 2001 não foi muito bem compreendido pela crítica brasileira por considera-lo "americano" demais. E, sinceramente, foi justamente o que mais gostei no primeiro filme, pois mostra uma faceta dos Estados Unidos do qual não conhecemos (a Rota 66, que cortaa os Estados Unidos de costa-à-costa, mas que foi muito bem explicado). Mas, concordo com a crítica quando se diz que foi o mais fraco de uma safra de bons filmes da Pixar.

A continuação perde o ar nostálgico da Rota 66 imortalizada por Janis Joplin (e também pelo já, ainda bem, extinta propaganda de cigarros). Desta vez, a história busca ser um pouco mais mundializada. É justamente neste momento em que Carros 2 perde completamente seu charme e se torna um filme chato para adultos e sem muita graça para crianças.

Relâmpago McQueen é o mesmo carro de corrida do primeiro filme e que após quatro temporadas campeão, volta para Radiator Springs - local onde aprendeu a beleza da humildade e a alegria de se ter uma família e namorada. Em férias, não quer saber de corrida até que seu grande e "caipira" melhor amigo Mate resolve defender sua honra. Uma corrida mundial (mas em apenas três países) para promover um combustível ecológico fez com que o arrogante carro de corrida Francesco provocasse Relâmpago, mas vigorosamente defendido por Mate. E assim, toda a família de Radiator embarca para ser a equipe de McQueen no Grand Prix idealizado por Miles Eixonarroda - o milionário que descobriu o combustível. Paralelamente, uma conspiração internacional ameaça o combustível verde e terá o detetive James Bond, ou melhor, Finn McMissíl na cola deles para desvendar o mistério que ronda sobre as explosões dos carros de corrida.

Em comparação, já que se trata de uma continuação, o filme tem desta vez como protagonista o desajeitado Mate. Ele é o grande responsável pelos momentos de qualidade do filme, bem como suas gags. Mas, a corrida, coisa principal do filme, ficou em um plano tão longínquo que fez com que se perdesse o charme do primeiro filme. Além disso, muitas pontas soltas acabam tornando o filme quando não sem maior conteúdo, previsível demais.

O filme não é ruim, apenas não tem o charme e a nostalgia do primeiro.

Ósculos e amplexos!


sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Meia-Noite em Paris", 2011: Woody Allen se revigorou com uma declação de amor.



"Meia-Noite em Paris" (Midnight in Paris) [França/EUA] , 2011 - 100 min. Comédia/Romance Direção: Woody Allen Roteiro: Woody Allen Elenco: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Carla Bruni-Sarkozy, Michael Sheen, Nina Arianda, Alison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Corey Stoll, Kurt Fuller, Mimi Kennedy


Desde 2005 que Woody Allen se reinventa. Abandonou aquela insistente busca por um lado felliniano que não possui e resolveu divagar pelo mundo seu jeito esquizofrênico em verdadeiras declarações de amor pelas cidades onde seus novos filmes são ambientados. Um Woody Allen com sotaque e um olhar inteligente, mesmo que seu alter-ego seja sempre seu personagem principal. Em "Meia-Noite em Paris", de maneira leve, declara-se o amor pela Cidade Luz da seguinte forma: - "Cara, como consegue essa cidade ser tão mágica? Tenho que falar com a Câmara do Comércio sobre algumas coisinhas!". E tal declaração de amor lhe rendeu o filme que já é sua melhor produção desde "Hanna e suas irmãs", 1985.

O alter-ego de Allen é Gil (Wilson), renomado e cansado roteirista de Hollywood que deseja publicar um livro realmente bom. Ele está prestes a se casar com a linda, intragável e completamente fútil Inez (McAdams) e vão para Paris a fim de objetivos bastante diferentes. Mas Gil acaba tendo um romance paralelo: apaixona-se pela cidade e misteriosamente é conduzido para uma Paris dos anos 1920, onde se encontra com seus ídolos e referências como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí e tantos outros (com direito a uma sequência de gags com nada menos que Salvador Dalí).

De uma maneira bastante suave, Gil vai ocupando todos os espaços do filme. Não se trata de uma comédia, mas de um encontro. Ainda que Allen dê momentos de política, filosofia e sua eterna maneira particular de ridicularizar a psicologia, seu alvo principal é a pseudo-intelectualidade. Aliás, dá uma surra no intelectual de Sourbonne quando viaja pelo tempo e comprova que a arte deve ser vivida e não somente ostentada. Quem não vive a arte, apenas acumula informação e se torna pedante. E o personagem intelectualoide é Paul (Sheen), que dá encima descaradamente da noiva de Gil enquanto toma atitudes irritantes como a de discutir com a guia vivida pela Primeira-Dama francesa Carla Bruni-Sarkozy. Também sustenta uma tese que será o grande drama do filme: por que uma geração sempre venera a geração anterior?

O filme é lindo, leve, romântico, mas exige um público iniciado - mas não muito - em letras e artes. Se não conhecer Buñuel, se não assistir seu "O Anjo Exterminador", 1962, não vai entender a piada maravilhosa que aparece quando Gil dá uma ideia de filme ao próprio diretor espanhol. Se não entender um pouco das literaturas francesa e americana, certamente não vai entender a brincadeira entre Fitzgerald e Gil sobre Mark Twain. Mas não se preocupe, o filme é bom e tão somente os pseudo-intelectuais - tão ironizados no filme - irão se preocupar em dissecar cada uma dessas referências.

Excelente, é um Woody Allen revigorado.

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sexta-feira, 10 de junho de 2011

"Não se Pode Viver Sem Amor", 2011: complicado lirismo fantástico.


"Não Se Pode Viver Sem Amor" Drama - [Brasil], 2010. Direção: Jorge Durán. Elenco: Cauã Reymond, Simone Spoladore, Victor Navega Mott, Rogério Fróes, Ângelo Antonio, Fabíola Nascimento. Duração: 100 min. Classificação: 14 anos.

O realismo fantástico de Jorge Amado tem um representante póstumo: Jorge Durán. Porém, em "Não se Pode..." há um complicado lirismo apresentado em tela do qual pode não agradar a maioria de seu público. Ele exige uma certa compra das situações fantásticas que acontecem com pessoas comuns, mas a venda não é fácil. Aceitar com naturalidade tantas situações absurdas com persanagens tão bem construídos em uma realidade bem próxima é um desafio e tanto.

Gabriel - vivido pelo estreante e talentosíssimo, Victor Mott, sem dúvidas o ponto alto de todo o filme - vai para o Rio com Roseli (Spoladore) em uma busca por seu desaparecido pai. Dono de uma imaginação e inocência fantástica, capaz até de realizar feitos milagroso - talvez por cativar até mesmo papai do céu com seu olhar e carisma - alimenta seu sonho e vai conduzindo a história de um lado para o outro. A história se entrelaçará com a de Pedro (Antônio), professor deprimido que assume o taxi de seu pai (Fróes) quando esse falece subitamente. No mesmo dia, ele é "mal assaltado" por João (Reymond) que, não sendo bandido, recorre ao assalto a fim de levantar dinheiro para tirar do meretrício sua amada Gilda (Nascimento) e assim viverem juntos como marido e esposa.

Ao se falar em amor, o filme trata a solidão que antecede o encontro com o ser amado. Amargurados, cada personagem desfila em suas ilhas solitárias pouco se importando a gravidade dos rumos que suas vidas estão tomando. Porém, a trama carrega a mão na hora de desestruturar o universo real e lançar o fantástico. Ele pifa na hora de costurar os argumentos e cansa um pouco a coleção de sentimentos e sensações que busca provocar no espectador.

De interessante e bastante sutil é o tempo do filme: natal - que na minha opinião acaba sendo o período mais reflexivo do ano.

Ósculos e amplexos!

"Piratas do Caribe 4", 2011: mais fraco, mas nem por isso pior.


"Piratas do Caribe 4: navegando em águas misteriosas" (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides ) [EUA] , 2011 - 137 min. Ação / Aventura / Fantasia Direção: Rob Marshall Roteiro: Ted Elliot, Terry Rossio Elenco: Johnny Depp, Penelope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Kevin McNally, Sam Claflin, Astrid Bergés-Frisbey, Stephen Graham, Keith Richards, Richard Griffiths, Oscar Jaenada


A franquia Piratas do Caribe tem dois públicos: um que adora Jack Sparrow e outro que adora Johnny Depp. O que adora Johnny Depp não se decepciona nunca vendo sua beleza em cena, seu jeito desajeitado e altamente charmoso de correr, e como dizem minhas amigas dono de "um olhar-convite". Já os fãs de Jack Sparrow sairam um pouco decepcionado, pois o personagem esta um pouco apagado neste quarto episódio.

Finalmente Sparrow (Depp) tem um Norte para sua bússola: encontrar a fonte da juventude. Porém, sem barco - o Pérola Negra foi capturado pelo pirata temido pelos próprios piratas Barba Negra (McShane) - Jack terá que encontrar um barco novo e uma tripulação inteira. Ao começar a busca, descobre que há um impostor se passando por Jack Sparrow e iniciando uma jornada justamente em busca da fonte da juventude. A fim de não revelar muita coisa, pulemos essa parte e entreguemos somente o óbvio: Jack Sparrow irá parar no navio do Barba Negra e será comandado por um antigo affair Angelica (Cruz), justamente a filha do Barba Negra. Em duas outras comitivas também em busca da fonte se encontram a tripulação do agora Comodoro Barbossa e a comitiva misteriosa dos navegadores espanhois.

Tem muita coisa que fica mal transmitida e o filme não dá conta dos detalhes que ele mesmo apresenta. O mito das sereias esta muito transformado, porém ora joga para o espectador a interpretação, ora o próprio filme se encarrega disso e causando uma certa frustração (além de dentes de vampiro que realmente foi de extremo mal gosto). Mas o filme tem seus momentos empolgantes e acaba valendo o ingresso. O romance entre a sereia Syrena (Bergés-Frisbey) e o religioso Philip (Caflin) tem horas de tédio absoluto e horas de necessária aparição - mas galáxias de distância atrás de Elizabeth (Keira Knightley) e Will (Orlando Bloom) dos primeiros três filmes.

No fim das contas, o filme é bacana. Os fãs de Depp terminam por satisfeitos, e os de Sparrow um pouco frustrados e também felizes. E, obviamente, tem uma cena extra depois de quase quinze minutos de créditos.

Ósculos e amplexos!

"Kung Fu Panda 2", 2011: fofo, mas sem o frescor do primeiro filme.


Kung Fu Panda 2 (idem) [EUA] , 2011 - 91 min. Ação / Animação / Comédia Direção:Roteiro: Jonathan Aibel, Glenn Berger Elenco: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Lucy Liu, David Cross, Jackie Chan, Seth Rogen, Gary Oldman, James Hong, Michelle Yeoh, Danny McBride, Jean-Claude Van Damme. Jennifer Yuh

Seguindo a mesma narrativa do primeiro filme, mas sem as surpresas, o segundo episódio da saga de Po, o desajeitado panda gordo e atrapalhado que se tornou uma lenda do kung fu. Desta vez ele terá que partir com os Cinco Furiosos em uma jornada ainda mais perigosa: derrotar Lorde Shen, um príncipe pavão perigosíssimo que foi banido por seus pais devido sua maldade. A maldade de Shen se deu devido à profecia de que um inimigo preto e branco o derrotaria fez com que ele exterminasse praticamente todos os pandas da China. Mas sobrou um, Po, que também parte em uma jornada em busca de paz interior ao perceber que talvez não seja filho do marreco que o criou.

O filme é para o público infantil, mas agradou muito mais os adultos. Após o incômodo inicial da pré-estreia estar repleta de crianças, foi justamente delas que ouvi as críticas mais estrondosas: "Que filme triste!" E para elas foi mesmo. Colocando-me no lugar de uma criança, o filme se passa quase que inteiramente em meio ao drama de famílias desestruturadas - vamos combinar que esse é um tema assustador até mesmo para adultos. Tanto Po quanto Shen foram afastados de seus pais, o que moldou a vida deles consideravelmente. Po ainda teve a felicidade de encontrar um amoroso pai adotivo. Já Shen foi criado por sua própria conta e maldade.

É claro que a ausência de surpresas atrapalhou um pouco, mas as lutas estão sensacionais e divertidas. Aprendemos um pouco mais sobre os Cinco Furiosos neste filme - já que foi necessário lançar um extra sobre eles, pois o primeiro filme não deu conta.


O filme é bem equilibrado e fofo, aceitável para adultos, talvez muito chato para as crianças.

Ósculos e amplexos!

"Quebrando o Tabu", 2011: assopra, mas nem morde direito.


"Quebrando o Tabu" Documentário - [Brasil/EUA/Portugal/Holanda/Suíça/França/Argentina], 2011. Direção: Fernando Grostein Andrade. Duração: 80 min. Classificação: 18 anos.

O documentário é a apresentação de uma tese que tem o sociólogo e ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso como âncora. Nela, a partir do pressuposto de que o mundo fracassou em sua política de guerra às drogas, investiga-se qual a melhor alternativa para se lidar com o problema da drogadição. Assim, o filme vai colhendo opiniões através de depoimentos de professores, usuários, e de personalidades como Bill Clinton, Jimmy Carter, Dráuzio Varella, Paulo Coelho, e tantos outros e outras.

Em um primeiro momento, não me agradou o filme por parecer ser um elogio ao alter-ego do intelectual Fernando Henrique Cardoso igualmente em "Uma Verdade Inconveniente", 2006 de Al Gore. Vasculhando bem, é possível encontrar vários intelectuais que utilizaram de uma abordagem cinematográfica para defender uma opinião corrente no meio acadêmico e assim promoverem seus alter-egos. E, no caso de "Quebrando o Tabu", vemos exatamente isto.

O filme, por outro lado, não é de todo ruim quando analisamos seu conteúdo. Ele morde ao analisar o fracasso e as consequências nefastas que a política do proibicionismo provoca sobre a população - igualmente ao documentário "Cortina de Fumaça", 2010; mas assopra quando precisa apontar uma direção que realmente quebre o tabu. Talvez o único tabu que se consegue quebrar por aqui é o de debater sobre as drogas, mas o principal que é o de apontar culpados e responsáveis, isto não é feito.

Ósculos e amplexos!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

"Amor?", 2011: híbrido pertubador


Amor?, 2011 [Brasil] Direção: João Jardim Roteiro: João Jardim, com a colaboração de Renée Castelo Branco Elenco: Lilia Cabral, Eduardo Moscovis, Letícia Collin, Cláudio Jaborandy, Silvia Lourenço, Fabíula Nascimento, Mariana Lima, Ângelo Antônio e Júlia Lemmertz. Duração: 100 min. Drama/Documentário


Um letreiro inicial nos prepara para o que virá pelos próximos cem minutos: algo que, de tão forte, precisa ter seus reais autores preservados. Deste ponto em diante, veremos um espetáculo de interpretação, simbologia, tudo formando um híbrido pertubador entre ficção e realidade.

O filme é uma espécie de documentário onde se aborda a questão da violência entre casais. A pergunta inicial inexiste, havendo somente depoimentos sobre a violência sofrida ou infringida e tentativas de explicação de seu porquê. Para preservar os envolvidos, vários atores emprestam suas interpretações aos depoimentos reais. O nome do filme nos dá ideia da intenção do filme: a causa da violência é o amor? Isto é amor?

A brutalidade das situações esta presente ao longo de cada uma das histórias, ainda que a gravidade das violências vão crescendo ao longo do filme. Entre um depoimento e outro, temos belíssimas imagens de corpos, pele, água, e até mesmo o gemido de uma relação sexual nos dando uma poética refrescada e nos preparando para aguentar a próxima paulada.

Não tem como dizer que um ou outro esta melhor ou pior. Do conformismo interpretado por Lilia Cabral, o depoimento com um telefone ao ouvido de Moscovis; as duas formas de contar a mesma história (eu ainda acredito que houve aqui uma espécie de espelhamento entre as depoentes, mas é coisa minha) pela Silvia Lourenço e minha conterrânea Fabíula Nascimento; o nojo que Ângelo Antônio provoca; a inocência abusada de Letícia Collin; todos são, ao seu modo, um espetáculo de interpretação. Agora, quem me derrubou foi a Júlia Lemmertz. Se alguém tinha alguma dúvida se ela é uma boa atriz, é depois do depoimento que ela demonstra ser excelente. Dá para se sentir acuado, explodindo em choro toda a situação vivida e narrada.

O filme não nos dá resposta. Apenas nos conduz em uma série de narrativas que nos farão refletir sobre a violência entre casais. Desde a violência moral, passando pela verbal, e chegando às vias de fato, todas são terríveis e deixam marcas muito maiores que hematomas. Há ainda quem crie distúrbios e se vicie na relação doentia que a violência pode provocar.

Não há como sair da exibição sem refletir em todas as vezes em que fizemos alguém sofrer por achar que isso é amor. O filme nos demonstra que o abuso é mais constante do que podemos imaginar. São atores, mas poderiam ser nossos vizinhos, parentes, nós mesmos, nossos companheiros ou companheiras. Não há como se sentir bem diante tanta atrocidades, que alguns a justificam como sendo amor.

Sem dúvidas, pertubador e excelente!

Ósculos e amplexos!

terça-feira, 31 de maio de 2011

"O Poder e a Lei", 2011: seu enredo o faz ser um filme satisfatório.



"O Poder e a Lei" (The Lincoln Lawyer ) [EUA] , 2011 - 118 minutos Policial Direção: Brad Furman Roteiro: John Romano, Michael Connelly Elenco: Matthew McConaughey, Ryan Phillippe, Marisa Tomei, John Leguizamo, William H. Macy, Josh Lucas, Michael Peña, Bryan Cranston, Frances Fisher, Shea Whigham, Margarita Levieva


Que boa surpresa ver um filme abrindo mão de seu principal trunfo logo depois de 1/4 de sua exibição. Tive a sensação de que houve uma troca de damas logo no início da partida de xadrez. Destemido, o roteiro vai nos dando reviravoltas e mais reviravoltas. E quando menos percebemos, somos surpreendidos inteligentemente a cada momento.


Mick Haller (McConaughey) é um advogado "porta-de-cadeia" bastante caricato. Seu escritório é dentro de um carro Ford Lincoln e seus clientes lhe contratam para defendê-los diante de tribunais penais. Mas, como advogado porta-de-cadeia que é, sua filosofia é: mais vale um culpado solto que um inocente preso, portanto, todos devem ser defendidos e inocentados. Porém, seus poucos valores, sua forma de atuar e até mesmo a segurança de sua família serão todos abalados diante do caso de um jovem playboy, Roulet (Phillippe) que o contrata para defendê-lo da acusão de ter espancado uma mulher. E realmente não posso contar mais nada, pois não recomendo nem que se assista ao trailer para que não se estrague nada.



É claro que o filme possui inúmeros problemas, mas todos são meros detalhes - e detalhes em filmes como esse, se não atrapalham ou não ajudam, devem ser simplesmente esquecidos. Temos um advogado muito bem montado e convincente, sem aquele irritante superpoder que os filmes de tribunal acabam apelando. Marisa Tomei e seu belíssimo sorriso, que está um pouco apagadinha no filme, dá sua contribuição de maneira bastante discreta, porém necessária. Até mesmo a insuficiente interpretação de Phillippe não atrapalha. Portanto, todos os defeitos estão perdoados, pois não atrapalham em nada.


As qualidades é que fazem o filme satisfatório. Não é brilhante e está longe de ser um ícone do gênero. Mas é sincero em cada reviravolta. As cenas de tribunal conseguem exercer fascínio, não por brilhantes intervenções do advogado, mas pelo xadrez que esperamos ver sempre que a corte é mostrada na sétima arte. E o enredo é o grande responsável pelo filme.


Somente o carro e seu condutor é que o filme simplesmente se esqueceu de dar uma história para eles.


Ósculos e amplexos!