As críticas de cinema de Michael Genofre que você se acostumou a ver no CozinhadoNoSense agora estão aqui!
quarta-feira, 9 de maio de 2012
"O Casamento do Meu Ex", 2010: Quantas oportunidades jogadas fora!
E novamente o título dado aqui no Brasil não favorece muito o filme. As Românticas era a forma em que os Lila (Paquin) e Laura (Holmes) eram conhecidas nos tempos de faculdade. Inseparáveis, dividiam praticamente tudo, inclusive o namorado Tom (Duhamel). Na verdade, sem maiores explicações, Tom troca Laura por Lila e com essa vai se casar. Como madrinha de honra, Lila foi convidada. O filme, que possui o péssimo título que nos remete imediatamente à comédia-romântica "O Casamento do Meu Melhor Amigo, 1997" e o cartaz típico de comédia independente engana. Quem vai para o cinema para ver uma comédia romântica, depara-se com um romance bem fraquinho.
Ao longo dos 95 minutos de exibição, vamos vendo a melancolia de praticamente todos os personagens saltarem da tela, mas sem nenhuma objetividade. As situações de conflito e os melhores momentos se anunciam, mas quando chega a hora de vermos algo acontecer: nada acontece. Dá-se mais atenção para os momentos de "picardias estudantis", como a persistente ideia de se nadar pelado (que no fim das contas acaba sendo um nado de roupas íntimas). E, com isso, vamos nos irritando com o eterno e constante sentimento de coito interrompido.
O elenco é bom. Tem-se o que há de maior frescor. Mas os personagens não convencem. O andar rápido, com saia de normalita da personagem Lila no começo do filme nos antecede que ela fará uma personagem que não nos convence. A belíssima Holmes tem a mesma cara tanto para sofrimento quanto para o momento de bebedeira com a rapaziada. E o drama com os outros casais é praticamente um tédio só (quando aparenta que algo vai de fato acontecer, novamente coito interrompido). Até mesmo quando o vestido de noiva se rasga, que poderíamos ver uma excelente hora de explosão de som e fúria, outro coito interrompido. O final não poderia ser diferente, outro coito interrompido.
Que pena, pois os personagens tinham muita facilidade de nos cativar. Realmente, vamos nos compadecendo no drama de cada um dos personagens. Exceto o de Elija Wood, que realmente não tem o menor espaço no filme (além de estar horrível e sem sentido algum).
Ósculos e amplexos!
"Projeto X" (2012): que coisa horrorosa!
A história é a de sempre: outsiders que desejam ser pop e que fazem qualquer idiotice para conseguir. Thomas Mann e seus amigos aproveitam a ausência dos pais daquele para armar uma festa. O resultado: a festa toma proporções imensas até sair completamente exorbitantemente e destrutivamente - e não estou exagerando - fora de controle. Se tiver estômago ou não mais que 16 anos, (ainda que o filme seja recomendado para maiores de 18), é capaz de gostar dessa coisa horrorosa.
Dá para se aproveitar muito pouco. Talvez a parte em que roubam um anão. Talvez os momentos mais picantes. Mas, nada que deveria ser demais é, e nada que deveria ser deixado de lado foi. E me irritei muito com inúmeros momentos do filme.
Preocupa-me a releitura de "Curtindo a Vida Adoidado" para a época pós-Se Beber Não Case e Jack Ass.
Definitivamente, idiota e uma perda de tempo.
Ósculos e amplexos!
"Mamute", 2010: Suave, como exige esse paquiderme.
- "Mamute" (Mammuth) 2010 Diretor: Gustave de Kervern, Benoît Delépine Elenco: Gérard Depardieu, Yolande Moreau, Isabelle Adjani, Benoît Poelvoorde, Miss Ming Gênero: Comédia Dramática Duração: 92 min. País: França
"Espelho, Espelho meu!" (2012): divertido de tão bobinho.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Entretenimento familiar: filmes da temporada de férias 2012.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
"Melancolia", 2011: poético e fascinante fim do mundo.
Ósculos e amplexos!
"Professora Sem Classe", 2011: não faz rir, além de ser patético.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011
"Os Smurfs", 2011: Para crianças de hoje, lembre-se disso!
"Os Smurfs" (The Smurfs Peyo) [EUA] 2011 - 102 min. Animação / Infantil Direção: Raja Gosnell Roteiro: J. David Stem, David N. Weiss, Jay Scherick, David Ronn Elenco: Neil Patrick Harris, Jayma Mays, Sofía Vergara, Hank Azaria, Jonathan Winters, Katy Perry, Anton Yelchin, Frank Welker, Fred Armisen, Alan Cumming, George Lopez
Enfim, um filminho bom e agradável para assistir com a família.
Smurfs e smurfs!
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
"Capitão América: o primeiro vingador", 2011: história bem contada.
"Capitão América: o primeiro vingador" [Captain America - The First Avengers ] EUA , 2011 - 124 min. Aventura Direção: Joe Johnston Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Richard Armitage, Toby Jones, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, JJ Feild, Bruno Ricci, Lex Shrapnel, Michael Brandon, Martin Sherman, Natalie Dorme.
Ósculos e amplexos!
terça-feira, 12 de julho de 2011
"Cilada.com", 2011: infelizmente, é fraco.
"Cilada.Com" [Brasil], 2011 - 95 min. Comédia Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Augusto Madeira, Carol Castro, Fabiula Nascimento, Fúlvio Stefanini, Sérgio Loroza, Thelmo Fernandes, Marcos Caruso, Luis Miranda, Débora Lamm, Alexandre Nero, Karla Karenina, Dani Calabresa, Milhem Cortaz, Rita Elmôr, Fernando Caruso
Nada mal, porém nada bem. O filme que se propunha a ser comédia de esquetes, escorrega feio ao buscar um jeitão "comédia-romântica ianque". E o resultado é uma ótima história em um filme fraco, infelizmente. Infelizmente, pois, o filme é composto por uma constelação interessantíssima de atores e atrizes de elevadíssimo talento. Mas, a falta de ritmo incomoda, e algumas gags são buscadas de maneira lamentáveis - que lembra, porém completamente fora do esquadro o "Se Beber Não Case".
Em meio ao casamento de uma prima, Fernanda (Leme) vê seu namorado, Bruno (Mazzeo) com outra. Ou melhor, todos veem a cena, pois eles estavam atrás do biombo utilizado para uma projeção e que caíra justamente quando a moça se apoiou para buscar, vamos dizer assim, uma posição melhor. Para se vingar, Fernanda posta na internet uma pífia performance sexual de menos de doze segundos entre Bruno e ela. O vídeo se transforma em um verdadeiro webhit, tornando a necessidade de Bruno "limpar a barra" uma verdadeira odisseia.
Aos poucos, vamos vendo um humor que não colabora em nada com a história. Além disso, demonstra algumas apelações que considerei desnecessárias (como por exemplo, e que está no trailer, a eterna atitude discriminatória de generalizar o pênis negro). Mas, a situação vai piorando. Preconceito de classe, preconceito contra transsexuais, preconceito para com tudo e todas. Enfim, somente a mulher ninfomaníaca e que gosta de tapas no rosto é a mulher da vida do fracassado Bruno.
Bruno como homem é péssimo, como profissional é fraco, como namorado é um sacana, e como ser humano é uma miséria. Tais elementos em momento algum do filme tem redenção. E por uma risada gratuita, realmente o filme é fraco demais e chega a insultar. O adúltero tem sua redenção facilmente estampada ao longo de todo o filme. E a mensagem de que ficar com alguém para não ficar sozinho enquanto sendo amor é de amargar todo o melado que se propunha na parte romântica do filme.
Algumas situações são hilárias. Porém, quase todas estão nos trailers.
Ósculos e amplexos!
segunda-feira, 4 de julho de 2011
"Os Pinguins do Papai", 2011: que vontade de gritar me deu!
"Os Pinguins do Papai"(Mr. Popper's Penguins) [EUA] , 2011 - 94 min. Comédia Direção: Mark Waters Roteiro: Jared Stern, John Morris, Sean Anders Elenco: Jim Carrey, Carla Gugino, Angela Lansbury, Ophelia Lovibond, Madeline Carroll, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Dominic Chianese Por causa de um pai ausente (vamos combinar que o estadunidense deve ter muito problema com isso), Poppers (Carrey) é um homem de negócios sem muitos valores. Por isso, é divorciado e um fracasso como pai. Por outro lado, é um gênio quando se trata de transaçõs imobiliárias. Mas, sua vida dá uma grande guinada. Seu pai falece, deixando de herança um pinguim. Justo quando o maior desafio de sua carreira foi decretada por seus chefes: a de comprar a impossível e única localização privada do Central Park de Nova Iorque.
Bom, segue o de sempre. O blá-blá-blá água com açúcar de sempre. Popper vai aprender a ser pai com os pinguins. A rede de relacionamentos dele vai sofrer uma alteração brusca na medida em que vai aprendendo a lição. E tome cocô de pinguim para provocar risos, pois as caretas de Carrey não são mais tão boas.
Não agrada, tem pouca graça, e mesmo na hora em que uma perseguiçãozinha muito da fraquinha acontece a coisa não empolga. Além disso, os sempre graciosos pinguins são apenas graciosos. Dão a impressão de que o filme está fora de prazo, talvez sendo melhor aproveitado na televisão em época de natal. Mas no cinema é uma grande chatice.
Em tempo: o filme tem uma brincadeira com a língua do Pê que realmente não se encaixou em nada - mais evidenciado na secretária de Popper. Se era para rir, acho que não deu certo, pois irrita.
Ósculos e amplexos!
"Transformers 3", 2011: para quem quer porrada!
Bom, atendo-se ao filme: oras bolas, quem vai ao cinema assistir Tranformers vai para ver muita, mas muita pancadaria entre os robôs. E neste quesito, o filme é de perder o fôlego. A relação entre os robôs e a Terra é mais antiga do que os outros dois filmes nos contaram. A guerra deles derribou na lua uma nave abatida onde a esperança dos Autobots estava dentro. (E que não vou contar para não estragar as pouquíssimas surpresas do filme). Mas, a descoberta desta nave pelos humanos aconteceu ainda na época da corrida militar entre EUA e URSS, e muito mais do que os próprios robôs sabiam estavam escondidos nos arquivos presidenciais.
Paralelamente, os humanos mais próximos dos robôs são todos uns, como a tradução gosta de chamar os out-siders, fracassados. Sam Witwicky (LaBeouf), heroi de guerra condecorado, formado em uma das mais importantes universidades dos EUA, é um grande desempregado bancado pela namorada (H-Whiteley). O mesmo acontece com outros mais chegados dos robôs, que nem sequer se aproximam da arrogância dos militares e seus interesses bélicos.
O filme acaba sendo um dos maiores disperdício de atores que já se viu, inclusive o sempre eficiente John Malkovich. Os personagens são irritantemente vazios, quando não alternam essa irritação por falas cheias de arrogância que faz com que o espectador sinta verdadeiras vontades de sair do cinema tamanho os insultos. Mas tudo isso faz parte do cenário caótico que virá. (Lembrando que Huntington-Whiteley é muito, mas muito ruim, apesar de belíssima!).
Indo direto ao assunto, o filme não decepciona no fim das contas. Afinal, quem quer saber de história de amor em um filme que promete pancadaria? E neste quesito, realmente o filme lembra parte da minha infância ao explicar por que meus brinquedos viviam aos pedaços. São mais de quarenta minutos de pancadaria convincente e sem tréguas - com direito à baixas em todos os lados, inclusive a pulverização de humanos!!! Chicago vai pras cucuias, com quedas e explosões convincentes. E os robôs... ah! os robôs! Estão maravilhosamente sanguinários (com direito à sangue jorrando dos robôs!).
O filme é para quem quer ver porrada, porrada, e destruição. Esqueça tudo o mais, pois não presta. Somente os encontrões e explosões fazem o filme interessante.
Ósculos e amplexos!
"Carros 2", 2011: sem o charme e a nostalgia do primeiro.
"Carros 2"[Cars 2] (EUA) , 2011 - 113 min. Animação / Infantil Direção: Brad Lewis Roteiro: Ben Queen Elenco: Owen Wilson, Larry the Cable Guy, Michael Caine, Emily Mortimer, Jason Issacs, Thomas Kretschmann A continuação perde o ar nostálgico da Rota 66 imortalizada por Janis Joplin (e também pelo já, ainda bem, extinta propaganda de cigarros). Desta vez, a história busca ser um pouco mais mundializada. É justamente neste momento em que Carros 2 perde completamente seu charme e se torna um filme chato para adultos e sem muita graça para crianças.
Relâmpago McQueen é o mesmo carro de corrida do primeiro filme e que após quatro temporadas campeão, volta para Radiator Springs - local onde aprendeu a beleza da humildade e a alegria de se ter uma família e namorada. Em férias, não quer saber de corrida até que seu grande e "caipira" melhor amigo Mate resolve defender sua honra. Uma corrida mundial (mas em apenas três países) para promover um combustível ecológico fez com que o arrogante carro de corrida Francesco provocasse Relâmpago, mas vigorosamente defendido por Mate. E assim, toda a família de Radiator embarca para ser a equipe de McQueen no Grand Prix idealizado por Miles Eixonarroda - o milionário que descobriu o combustível. Paralelamente, uma conspiração internacional ameaça o combustível verde e terá o detetive James Bond, ou melhor, Finn McMissíl na cola deles para desvendar o mistério que ronda sobre as explosões dos carros de corrida.
Em comparação, já que se trata de uma continuação, o filme tem desta vez como protagonista o desajeitado Mate. Ele é o grande responsável pelos momentos de qualidade do filme, bem como suas gags. Mas, a corrida, coisa principal do filme, ficou em um plano tão longínquo que fez com que se perdesse o charme do primeiro filme. Além disso, muitas pontas soltas acabam tornando o filme quando não sem maior conteúdo, previsível demais.
O filme não é ruim, apenas não tem o charme e a nostalgia do primeiro.
Ósculos e amplexos!
sexta-feira, 24 de junho de 2011
"Meia-Noite em Paris", 2011: Woody Allen se revigorou com uma declação de amor.

Desde 2005 que Woody Allen se reinventa. Abandonou aquela insistente busca por um lado felliniano que não possui e resolveu divagar pelo mundo seu jeito esquizofrênico em verdadeiras declarações de amor pelas cidades onde seus novos filmes são ambientados. Um Woody Allen com sotaque e um olhar inteligente, mesmo que seu alter-ego seja sempre seu personagem principal. Em "Meia-Noite em Paris", de maneira leve, declara-se o amor pela Cidade Luz da seguinte forma: - "Cara, como consegue essa cidade ser tão mágica? Tenho que falar com a Câmara do Comércio sobre algumas coisinhas!". E tal declaração de amor lhe rendeu o filme que já é sua melhor produção desde "Hanna e suas irmãs", 1985.
O alter-ego de Allen é Gil (Wilson), renomado e cansado roteirista de Hollywood que deseja publicar um livro realmente bom. Ele está prestes a se casar com a linda, intragável e completamente fútil Inez (McAdams) e vão para Paris a fim de objetivos bastante diferentes. Mas Gil acaba tendo um romance paralelo: apaixona-se pela cidade e misteriosamente é conduzido para uma Paris dos anos 1920, onde se encontra com seus ídolos e referências como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí e tantos outros (com direito a uma sequência de gags com nada menos que Salvador Dalí).
De uma maneira bastante suave, Gil vai ocupando todos os espaços do filme. Não se trata de uma comédia, mas de um encontro. Ainda que Allen dê momentos de política, filosofia e sua eterna maneira particular de ridicularizar a psicologia, seu alvo principal é a pseudo-intelectualidade. Aliás, dá uma surra no intelectual de Sourbonne quando viaja pelo tempo e comprova que a arte deve ser vivida e não somente ostentada. Quem não vive a arte, apenas acumula informação e se torna pedante. E o personagem intelectualoide é Paul (Sheen), que dá encima descaradamente da noiva de Gil enquanto toma atitudes irritantes como a de discutir com a guia vivida pela Primeira-Dama francesa Carla Bruni-Sarkozy. Também sustenta uma tese que será o grande drama do filme: por que uma geração sempre venera a geração anterior?
O filme é lindo, leve, romântico, mas exige um público iniciado - mas não muito - em letras e artes. Se não conhecer Buñuel, se não assistir seu "O Anjo Exterminador", 1962, não vai entender a piada maravilhosa que aparece quando Gil dá uma ideia de filme ao próprio diretor espanhol. Se não entender um pouco das literaturas francesa e americana, certamente não vai entender a brincadeira entre Fitzgerald e Gil sobre Mark Twain. Mas não se preocupe, o filme é bom e tão somente os pseudo-intelectuais - tão ironizados no filme - irão se preocupar em dissecar cada uma dessas referências.
Excelente, é um Woody Allen revigorado.
Ósculos e amplexos!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
"Não se Pode Viver Sem Amor", 2011: complicado lirismo fantástico.
"Não Se Pode Viver Sem Amor" Drama - [Brasil], 2010. Direção: Jorge Durán. Elenco: Cauã Reymond, Simone Spoladore, Victor Navega Mott, Rogério Fróes, Ângelo Antonio, Fabíola Nascimento. Duração: 100 min. Classificação: 14 anos.
Ósculos e amplexos!
"Piratas do Caribe 4", 2011: mais fraco, mas nem por isso pior.

"Piratas do Caribe 4: navegando em águas misteriosas" (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides ) [EUA] , 2011 - 137 min. Ação / Aventura / Fantasia Direção: Rob Marshall Roteiro: Ted Elliot, Terry Rossio Elenco: Johnny Depp, Penelope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Kevin McNally, Sam Claflin, Astrid Bergés-Frisbey, Stephen Graham, Keith Richards, Richard Griffiths, Oscar Jaenada
A franquia Piratas do Caribe tem dois públicos: um que adora Jack Sparrow e outro que adora Johnny Depp. O que adora Johnny Depp não se decepciona nunca vendo sua beleza em cena, seu jeito desajeitado e altamente charmoso de correr, e como dizem minhas amigas dono de "um olhar-convite". Já os fãs de Jack Sparrow sairam um pouco decepcionado, pois o personagem esta um pouco apagado neste quarto episódio.
Finalmente Sparrow (Depp) tem um Norte para sua bússola: encontrar a fonte da juventude. Porém, sem barco - o Pérola Negra foi capturado pelo pirata temido pelos próprios piratas Barba Negra (McShane) - Jack terá que encontrar um barco novo e uma tripulação inteira. Ao começar a busca, descobre que há um impostor se passando por Jack Sparrow e iniciando uma jornada justamente em busca da fonte da juventude. A fim de não revelar muita coisa, pulemos essa parte e entreguemos somente o óbvio: Jack Sparrow irá parar no navio do Barba Negra e será comandado por um antigo affair Angelica (Cruz), justamente a filha do Barba Negra. Em duas outras comitivas também em busca da fonte se encontram a tripulação do agora Comodoro Barbossa e a comitiva misteriosa dos navegadores espanhois.
Tem muita coisa que fica mal transmitida e o filme não dá conta dos detalhes que ele mesmo apresenta. O mito das sereias esta muito transformado, porém ora joga para o espectador a interpretação, ora o próprio filme se encarrega disso e causando uma certa frustração (além de dentes de vampiro que realmente foi de extremo mal gosto). Mas o filme tem seus momentos empolgantes e acaba valendo o ingresso. O romance entre a sereia Syrena (Bergés-Frisbey) e o religioso Philip (Caflin) tem horas de tédio absoluto e horas de necessária aparição - mas galáxias de distância atrás de Elizabeth (Keira Knightley) e Will (Orlando Bloom) dos primeiros três filmes.
No fim das contas, o filme é bacana. Os fãs de Depp terminam por satisfeitos, e os de Sparrow um pouco frustrados e também felizes. E, obviamente, tem uma cena extra depois de quase quinze minutos de créditos.
Ósculos e amplexos!
"Kung Fu Panda 2", 2011: fofo, mas sem o frescor do primeiro filme.
Kung Fu Panda 2 (idem) [EUA] , 2011 - 91 min. Ação / Animação / Comédia Direção:Roteiro: Jonathan Aibel, Glenn Berger Elenco: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Lucy Liu, David Cross, Jackie Chan, Seth Rogen, Gary Oldman, James Hong, Michelle Yeoh, Danny McBride, Jean-Claude Van Damme. Jennifer Yuh
Seguindo a mesma narrativa do primeiro filme, mas sem as surpresas, o segundo episódio da saga de Po, o desajeitado panda gordo e atrapalhado que se tornou uma lenda do kung fu. Desta vez ele terá que partir com os Cinco Furiosos em uma jornada ainda mais perigosa: derrotar Lorde Shen, um príncipe pavão perigosíssimo que foi banido por seus pais devido sua maldade. A maldade de Shen se deu devido à profecia de que um inimigo preto e branco o derrotaria fez com que ele exterminasse praticamente todos os pandas da China. Mas sobrou um, Po, que também parte em uma jornada em busca de paz interior ao perceber que talvez não seja filho do marreco que o criou.
O filme é para o público infantil, mas agradou muito mais os adultos. Após o incômodo inicial da pré-estreia estar repleta de crianças, foi justamente delas que ouvi as críticas mais estrondosas: "Que filme triste!" E para elas foi mesmo. Colocando-me no lugar de uma criança, o filme se passa quase que inteiramente em meio ao drama de famílias desestruturadas - vamos combinar que esse é um tema assustador até mesmo para adultos. Tanto Po quanto Shen foram afastados de seus pais, o que moldou a vida deles consideravelmente. Po ainda teve a felicidade de encontrar um amoroso pai adotivo. Já Shen foi criado por sua própria conta e maldade.
É claro que a ausência de surpresas atrapalhou um pouco, mas as lutas estão sensacionais e divertidas. Aprendemos um pouco mais sobre os Cinco Furiosos neste filme - já que foi necessário lançar um extra sobre eles, pois o primeiro filme não deu conta.
O filme é bem equilibrado e fofo, aceitável para adultos, talvez muito chato para as crianças.
Ósculos e amplexos!
"Quebrando o Tabu", 2011: assopra, mas nem morde direito.
O filme, por outro lado, não é de todo ruim quando analisamos seu conteúdo. Ele morde ao analisar o fracasso e as consequências nefastas que a política do proibicionismo provoca sobre a população - igualmente ao documentário "Cortina de Fumaça", 2010; mas assopra quando precisa apontar uma direção que realmente quebre o tabu. Talvez o único tabu que se consegue quebrar por aqui é o de debater sobre as drogas, mas o principal que é o de apontar culpados e responsáveis, isto não é feito.
Ósculos e amplexos!
quinta-feira, 2 de junho de 2011
"Amor?", 2011: híbrido pertubador
Amor?, 2011 [Brasil] Direção: João Jardim Roteiro: João Jardim, com a colaboração de Renée Castelo Branco Elenco: Lilia Cabral, Eduardo Moscovis, Letícia Collin, Cláudio Jaborandy, Silvia Lourenço, Fabíula Nascimento, Mariana Lima, Ângelo Antônio e Júlia Lemmertz. Duração: 100 min. Drama/Documentário
Um letreiro inicial nos prepara para o que virá pelos próximos cem minutos: algo que, de tão forte, precisa ter seus reais autores preservados. Deste ponto em diante, veremos um espetáculo de interpretação, simbologia, tudo formando um híbrido pertubador entre ficção e realidade.
O filme é uma espécie de documentário onde se aborda a questão da violência entre casais. A pergunta inicial inexiste, havendo somente depoimentos sobre a violência sofrida ou infringida e tentativas de explicação de seu porquê. Para preservar os envolvidos, vários atores emprestam suas interpretações aos depoimentos reais. O nome do filme nos dá ideia da intenção do filme: a causa da violência é o amor? Isto é amor?
A brutalidade das situações esta presente ao longo de cada uma das histórias, ainda que a gravidade das violências vão crescendo ao longo do filme. Entre um depoimento e outro, temos belíssimas imagens de corpos, pele, água, e até mesmo o gemido de uma relação sexual nos dando uma poética refrescada e nos preparando para aguentar a próxima paulada.
Não tem como dizer que um ou outro esta melhor ou pior. Do conformismo interpretado por Lilia Cabral, o depoimento com um telefone ao ouvido de Moscovis; as duas formas de contar a mesma história (eu ainda acredito que houve aqui uma espécie de espelhamento entre as depoentes, mas é coisa minha) pela Silvia Lourenço e minha conterrânea Fabíula Nascimento; o nojo que Ângelo Antônio provoca; a inocência abusada de Letícia Collin; todos são, ao seu modo, um espetáculo de interpretação. Agora, quem me derrubou foi a Júlia Lemmertz. Se alguém tinha alguma dúvida se ela é uma boa atriz, é depois do depoimento que ela demonstra ser excelente. Dá para se sentir acuado, explodindo em choro toda a situação vivida e narrada.
O filme não nos dá resposta. Apenas nos conduz em uma série de narrativas que nos farão refletir sobre a violência entre casais. Desde a violência moral, passando pela verbal, e chegando às vias de fato, todas são terríveis e deixam marcas muito maiores que hematomas. Há ainda quem crie distúrbios e se vicie na relação doentia que a violência pode provocar.
Não há como sair da exibição sem refletir em todas as vezes em que fizemos alguém sofrer por achar que isso é amor. O filme nos demonstra que o abuso é mais constante do que podemos imaginar. São atores, mas poderiam ser nossos vizinhos, parentes, nós mesmos, nossos companheiros ou companheiras. Não há como se sentir bem diante tanta atrocidades, que alguns a justificam como sendo amor.
Sem dúvidas, pertubador e excelente!
Ósculos e amplexos!
terça-feira, 31 de maio de 2011
"O Poder e a Lei", 2011: seu enredo o faz ser um filme satisfatório.
"O Poder e a Lei" (The Lincoln Lawyer ) [EUA] , 2011 - 118 minutos Policial Direção: Brad Furman Roteiro: John Romano, Michael Connelly Elenco: Matthew McConaughey, Ryan Phillippe, Marisa Tomei, John Leguizamo, William H. Macy, Josh Lucas, Michael Peña, Bryan Cranston, Frances Fisher, Shea Whigham, Margarita Levieva
Que boa surpresa ver um filme abrindo mão de seu principal trunfo logo depois de 1/4 de sua exibição. Tive a sensação de que houve uma troca de damas logo no início da partida de xadrez. Destemido, o roteiro vai nos dando reviravoltas e mais reviravoltas. E quando menos percebemos, somos surpreendidos inteligentemente a cada momento.
Mick Haller (McConaughey) é um advogado "porta-de-cadeia" bastante caricato. Seu escritório é dentro de um carro Ford Lincoln e seus clientes lhe contratam para defendê-los diante de tribunais penais. Mas, como advogado porta-de-cadeia que é, sua filosofia é: mais vale um culpado solto que um inocente preso, portanto, todos devem ser defendidos e inocentados. Porém, seus poucos valores, sua forma de atuar e até mesmo a segurança de sua família serão todos abalados diante do caso de um jovem playboy, Roulet (Phillippe) que o contrata para defendê-lo da acusão de ter espancado uma mulher. E realmente não posso contar mais nada, pois não recomendo nem que se assista ao trailer para que não se estrague nada.
É claro que o filme possui inúmeros problemas, mas todos são meros detalhes - e detalhes em filmes como esse, se não atrapalham ou não ajudam, devem ser simplesmente esquecidos. Temos um advogado muito bem montado e convincente, sem aquele irritante superpoder que os filmes de tribunal acabam apelando. Marisa Tomei e seu belíssimo sorriso, que está um pouco apagadinha no filme, dá sua contribuição de maneira bastante discreta, porém necessária. Até mesmo a insuficiente interpretação de Phillippe não atrapalha. Portanto, todos os defeitos estão perdoados, pois não atrapalham em nada.
As qualidades é que fazem o filme satisfatório. Não é brilhante e está longe de ser um ícone do gênero. Mas é sincero em cada reviravolta. As cenas de tribunal conseguem exercer fascínio, não por brilhantes intervenções do advogado, mas pelo xadrez que esperamos ver sempre que a corte é mostrada na sétima arte. E o enredo é o grande responsável pelo filme.
Somente o carro e seu condutor é que o filme simplesmente se esqueceu de dar uma história para eles.
Ósculos e amplexos!
