quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Velozes e Furiosos 5", 2011: francamente, odiei este filme!





"Velozes e Furiosos 5" (Fast Five) [EUA] , 2011 - 130 min. Ação Direção: Justin Lin Roteiro: Chris Morgan Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne "The Rock" Johnson, Joaquim de Almeida, Jordana Brewster, Chris “Ludacris” Bridges, Tyrese Gibson, Matt Schulze, Sung Kang, Gal Gadot, Elsa Pataky, Don Omar, Tego Caldero.

Nunca fui tão insultado por um filme. "Velozes e Furiosos 5" insultou tanto a minha inteligência quanto ao meu país.

Não foi a completa ausência de roteiro que me insultou. A série começou de uma produção despretenciosa que caiu no gosto dos mais adolescentes. Um filme após o outro o tal do roteiro era da profundidade de um pires de tão razo. Portanto, não esperava muita coisa. Também não foi a propaganda enganosa com o título tanto em português quanto em inglês sobre velocidade. A ausência da principal característica da série, sua marca registrada, que são os pegas entre carros alucinantes não fez tanta falta assim. Muito menos o filme girar entorno de Vin Diesel e The Rock Johnson - quando a série inteira girava ao redor de Brian (Paul Walker), pois a contribuição do personagem para este filme não faria a menor diferença depois que se junta personagens de todos os episódios anteriores (sem a menor preocupação de manter sequer suas personalidades). Minimamente, então, pelo filme ser uma imensa bobagem do começo ao fim e créditos finais.

O insulto começa logo na primeira e eletrizante cena de ação. Dominic Toretto (Vin Diesel) esta em um ônibus prisional, sendo levado para a penitenciária onde irá cumprir a pena de 25 anos pelos feitos cometidos e ilustrados nos filmes anteriores da saga. O espetacular arremesso de ônibus provocou apenas a fuga, pelo jeito sem nenhum arranhão, de Toretto. Para garantir, jornais de todo os Estados Unidos garantem: apenas um fugiu e não houve machucados! Pera lá, um ônibus prisional viaja sem escolta, rodopia a uns 200 quilômetros por hora, e nem um arranhãozinho? Nem um bandido escapou junto? Como são precisos os amigos de Toretto!

Não, o insulto não para por aí. Ele apenas estava começando. Muito pior estava por vir. Sem a menor explicação, Mia (Brewster), Brian (Walker), e Dominic (Diesel) vão parar no Rio de Janeiro. Lá encontram um velho amigo de Toretto que, também sem motivo algum, é chefe de um grupo de favelados armados até os dentes. Sem motivo nenhum mesmo! Não vende droga, não contrabandeia armas, nem sequer palavrão fala! E o mais bonito é que eles guardam a mesma posição, no mesmo lugar do morro, e com a mesma cara, pois há uma outra cena em que eles são requisitados a mostrarem suas armas e eles repetem tudo isto com perfeição!

Se subestimar insistentemente a sua inteligência não for um insulto o bastante, que tal visitar sua casa, bagunçá-la inteira e ainda dizer que sua esposa e filhas são umas vagabundas? Pois é, eles fazem tudo isso sem o menor peso na consciência.

Veja só: que a polícia do Rio de Janeiro não goza de boa fama internacional a gente entende, mas colocar o cofre do bandido - e do qual somente ele consegue abrir - dentro da superintendência da Polícia Militar chega a ser uma cusparada em nossa cara. Sair com esse cofre pelas ruas bem caribenhas do Rio de Janeiro destruindo tudo sem se importar ou machucar ninguém faz cuspir duas vezes. Achou pouco? Que tal um trem de passageiros bem high tech em pleno deserto carioca, com cânions e vegetação idêntica ao do Arizona? Ou a placa de "Bienvenidos"? Ou a mãe chamando por seu "mi filhinu"? Ou a mais hilária de todas as situações: misturar-se entre os carros da polícia sem ninguém perceber que se é um carro da Polícia Civil sendo pilotada por alguém fardado de Policial Militar???

Nenhum ator brasileiro ao longo de todo o filme. Qual a solução que foi adotada para dois brasileiros conversarem entre si no Brasil e não ser em inglês? Dublar toscamente e dar uma banana para a sincronização com os lábios. Chega a parecer aquelas situações patéticas de delay jornalístico entre estúdio e a rual. Hernand Reyes, com seu nome bem brasileiro igualmente ao bem brasileiro deserto e seu trem hightech, por ser interpretado por um português (Joaquim de Almeida), não tem esse problema de dublagem tosca. Mas, um português ensinar que para dominar o Brasil é necessário repetir o que os portugueses fizeram trocando espelhinhos com os índios, faz pular de raiva até o menos patriota dos brasileiros. E a irmã de Toretto? Que perfeição de português que ela fala - melhor do que todos, absolutamente todos, os brasileiros! Jordana Brewster, que cresceu no Brasil, empresta sua estridente voz praticamente sem sotaque à sua personagem Mia Toretto. O problema é que a personagem é estadunidense "da gema".

Agora, a piada de péssimo gosto ficou inteiramente apresentado por Dwayne "The Rock" Johnson!

Ele chega ao Brasil chamando todos, absolutamente todos os policiais de corruptos. Tanto que só acredita na incorruptividade que a recém-viúva e belíssima (e única em todo o filme que possui pelo menos nos seios um pouco das curvas da mulher brasileira) Policial Militar Helena Neves (Elsa Pataky), que não faz absolutamente nada o filme inteiro a não ser se render ao charme de Diesel. Sobe o morro e com um simples comando de voz intimida todos os favelados armados até os dentes (mas que não se dá motivo algum para que eles tenham que se armar tanto - talvez esperando o BOPE). Estraga a festinha bem "chicana", repleta de mulheres "táboas" em roupas minúsculas e sem o menor apelo sexual para qualquer brasileiro, sem dar um tiro sequer. Ou melhor, só baixa a bola quando outro americano diz ao povo brasileiro o que se deve fazer - a lastimável cena do "This is Brraziu!" de Vin Diesel. E a tão esperada pancadaria entre The Rock e Diesel é decepcionante.

Realmente odiei este filme. Cada segundo dele é um insulto ora a minha inteligência, ora ao meu país, ora por ambos. E o pior: vai ter uma continuação! (Eva Mendes aparece entre os créditos finais - só faltou cantar "Como uma Deusa!").

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Como você Sabe", 2010: ninguém sabe quando algo acontecerá.



"Como você sabe" (How Do You Know) [EUA], 2010 – Direção: James L. Brooks – Elenco: Reese Witherspoon, Paul Rudd, Owen Wilson, Jack Nicholson – Duração: 121 minutos – Drama/Romance.


Um triângulo amoroso entre uma recém-aposentada jogadora de soft-ball (um tipo de baseball), um desempregado e réu por crime financeiro, e um jogador de baseball narcisista. Com a dificuldade do filme desenvolver, bastaria essa frase para uma sinopse exata da produção de James L. Brooks. Pois, são duas horas em que nada acontece.


Estranhamente, o filme tem uma senhora história nas mãos e simplesmente a esnoba. Lisa (Witherspoon), com 31 anos, está um segundo mais lenta. Isso significa que, para o mundo dos esportes, ela está velha e precisa se aposentar. Ela olha para o espelho repleto de post-it motivacionais dos quais nenhum lhe ajuda em absolutamente nada e vai à luta. E em meio a uma forçada crise de idade, o filme não tocará mais nesse assunto até o fim. Quer outra coisa mais estranha? O mais perto que Witherspoon chega de uma bola de softball é quando em meio a um treino ela toma uma bolada na cara para entrar na vida dela o bobo George (Rudd).


Com George outra senhora história é esnobada. Ele é filho de Charles (Nicholson), um mega-empresário envolvido em fraude financeira (que em momento algum do filme se diz qual fraude especificamente se está falando). O drama se complica quando Charles deseja proteger o filho, mas nesses casos desaconselha-se qualquer comunicação entre funcionários. Complica-se ainda mais quando Charles tem que escolher em ser homem de negócios ou pai. E, ao longo de todo o filme, nada dessa trama de desenvolve - apenas acompanhamos o murmurar de George.


Nem vou perder tempo contando sobre o personagem de Owen Wilson, pois ele faz sempre o mesmo personagem bobalhão narcisista de sempre. O romance é superficial, o drama é frágil, e a comédia é dependente de traquejos típicos de sitcom. O pouco que se ri é com Nicholson, porém não me lembro de um personagem tão ruim e, de longe, talvez a sua pior atuação. São duas horas de uma repetição sem fim, inclusive em alguns momentos com falas idênticas. E o título original, apesar de sugerir uma pergunta sobre como você sabe, demonstra que ninguém sabe de nada e possui uma séria dificuldade em se ouvir - mesmo quando eles param o que estão fazendo para isso. Um filme realmente patético.


Ósculos e amplexos!

"Reencontrando a Felicidade", 2010: inteligentemente austero



"Reencontrando a Felicidade" (Rabbit Hole) [EUA] , 2010 - 99 minutos Drama Direção: John Cameron Mitchell Roteiro: David Lindsay-Abaire Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Miles Teller, Dianne Wiest, Sandra Oh, Tammy Blanchard


Confesso que estava receioso de assistir a esta produção. O nome em português e a sinopse oficial realmente não animam, principalmente quando se diz que o pano de fundo é devido a morte de uma criança. Seja a tragédia familiar em si, seja o olhar sobre a depressão que vem depois, nenhum desses me apetecem.


Becca (Kidman) e Howie (Eckhart) ainda estão em luto, pois não faz oito meses da morte de seu filho. E cada um aparentemente lida com a perda de maneira completamente oposta um ao outro. Enquanto Becca busca sublimar um pouco de sua dor, Howie tenta compartilha-la. E assim, o filme demonstra a dura batalha em se construir a vida após tamanha perda.


Quando nos perguntamos o motivo do nome original ser "o buraco do coelho", vemos que o filme vai muito mais além do que uma abordagem acerca da difícil busca por felicidade após um trauma. Primeiramente, quando imaginamos um filme sobre pessoas depressivas o visualisamos em um ambiente sombril. Logo de início, a primeira cena do filme se dá em um amplo jardim, com Becca empenhada em cuidar de suas plantas. Nesse momento, tudo é muito tátil até que a vizinha, em um ato de compaixão, convida Becca para um jantar. Sem querer, a pobre vizinha pisa em uma das flores e provoca uma constrangedora situação. Eis a tônica do filme: tão somente quem está de luto construirá seu próprio caminho para sair dele. E qualquer tentativa, mesmo as mais clichês como um jantar de compaixão, um churrasco em família, tentativa de ter novos filhos, ou ainda as famosas terapias de grupo.


É uma abordagem muito sóbria, austera, que aborda não a perda, mas o luto - ou melhor, o caminho para sair dele. Como não poderia ser diferente, é um filme emocional, mas que se recusa a ser intenso na tragédia - e que todos os atores, principalmente Kidman e Wiest estão espetaculares. Um retrato honesto do luto, que definitivamente não se aparenta em nada aos dramalhões que vemos nas novelas globais e também nas mexicanas. A montanha-russa de sentimentos e que se está envolta a uma densa núvem de incertezas e ansiedades está no filme em todos os aspectos, sem apelações alguma.


Entre a negação e a busca de um sentido para a morte de quem amamos (segundo Kubler-Ross e a veneração que os estadunidenses possuem por este tipo de estudo), Becca rejeita absolutamente todos, principalmente o sentido religioso. É no reencontro com o algoz de seu filho, Jason (Teller), que ela vai encontrando na dor de quem acidentalmente provocou toda a sua tragédia que ela vai encontrar algum sentido. E assim, talvez, concretizar sua saída do luto.Um filme que trata o luto de maneira honesta, de muito bom gosto. E o mais impressionante: sensibiliza-nos e nos emociona sem fazermos sofrer ainda mais com a tragédia.


Ósculos e amplexos!

"Eu Sou o Número Quatro", 2011: uma boa mistura não faz um filme bom.



"Eu Sou o Número Quatro" (I Am Number Four) [EUA] , 2011 - 109 min. Ação / Aventura / Ficção científica Direção: D.J. Caruso Roteiro: Alfred Gough, Miles Millar Elenco: Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Dianna Agron, Callan McAuliffe, Kevin Durand



"O Garoto do Futuro", 1985, fez muito sucesso por contar a história de um lobisomem adolescente. Perfeito, afinal todo adolescente se sente um pouco um lobisomem em meio a tantas transformações no corpo. Ao mesmo tempo, um ser mitológico possui super-poderes, o que apresenta o elemento fantasia ideal para que o filme se desenvolva bem. O mesmo acontece com "Harry Potter e a Câmara Secreta", 2002, que tem um "joão-ninguém" pré-adolescente adotado por péssimos tutores, mas em um mundo paralelo é famoso e possui poderes mágicos. Praticamente todos os super-herois vivem com o drama de ter o mundo para salvar, mas que com muita dificuldade consegue manter seu próprio relacionamento amoroso em segurança. Em "Transformers", 2007, tem o encanto de extraterrestres lutando com outros extraterrestres e tendo o planeta Terra enquanto pano de fundo e a humanidade enquanto principal aliada da equipe dos bonzinhos. Parando por aqui, afinal tem muito mais misturas, "Eu Sou o Número Quatro", 2011, apesar de ter ótimas misturas, o filme não se sustenta de tão fraco.

Após um incidente que praticamente o revelou ser um extra-terrestre, o agora denominado John Smith (Pettyfer) é obrigado a se mudar para Paradise, Ohio. Lá, ao mesmo tempo em que deve ser o mais invisível possível, vai para a escola justo em uma idade em que todos são absurdamente visíveis ou na turma de quem pratica ou de quem é vítima de Bullying. A situação tende a piorar na medida em que Smith vai se apaixonando por Sarah (Agron), que por sua vez não faz a menor resistência ao "bonitão desajustado". Sarah possui um ex-namorado agressivo, ciumento, capitão do time de futebol americano da escola (na verdade, o filme não explicita muito bem qual é o esporte que eles praticam. Deduzo que seja por conta de algumas cenas dele praticando seus trotes com uma bola de futebol oval). O ex-namorado de Sarah é o terror do nerd Sam (McAuliffe), que vai se tornando uma espécie de protegido de Smith. A situação piora significativamente pela existência dos Mogadorians - alienígenas que perseguem os outros alienigenas de Lorien, que matam sequencialmente e do qual Smith é o número quatro - a bola da vez.


Apesar de ser um filme romântico e adolescente, ele aparenta não ter coração. Tem uma mão pesada em cada sequência e em cada cena. Os personagens são mal elaborados, sempre optando por uma generalização clichê que chega a irritar. Há um bullying entre atletas e nerds, a mocinha tem todos os atributos para ser uma cheerleader, mas opta em ser fotografa. O desajustado se torna defensor do nerd contra a maldade dos humanos, que por sua vez irá se tornar o defensor do alienígena contra os malvados mogadorians (com aquele velho clichê: feio é igual a mal, bonito é igual a bom).


O filme é escuro, tanto para disfarçar inúmeros defeitos de fotografia e de interpretação quanto para reproduzir a atmosfera sombria do fenômeno Crepúsculo. E do além, servindo apenas como elemento de continuidade da saga (em uma busca insandecida para achar uma nova franquia como Harry Potter, Senhor dos Anéis, e Crepúsculo), temos a número seis (lembrem-se que há uma bobagem de se matar em sequência por parte dos Megadorians que é esquecida logo no primeiro encontro com a número seis) , uma louraça "belzebu" - como diria Fausto Fawcett - que surge, bate, encanta, e segue a caravana enquanto o número quatro resolve um dilema aqui ou acolá.


Há poucos instantes de boas escolhas. Algumas piadinhas e situações que cativam. Há uma química entre Pettyfer e Agron que convence. E nada mais do que isso. É um passatempo, daqueles facilmente esquecíveis.


Ósculos e amplexos!

"O Noivo da Minha Melhor Amiga", 2011: novelinha simpática.

"O Noivo da Minha Melhor Amiga" (Something Borrowed ) [EUA] , 2011 - 109 min. Drama/Romance Direção: Luke Greenfield Roteiro: Jennie Snyder Elenco: Ginnifer Goodwin, Kate Hudson, Colin Egglesfield, John Krasinski, Steve Howey



Não é a ideia do filme, mas o nome brasileiro que deram a ele que o faz relembrar "O Casamento do Meu Melhor Amigo", 1997. O título original é "something borrowed" que significa, em tradução livre, algo emprestado. Por causa da proximidade que o título brasileiro deu ao filme de Julia Roberts, esperamos assistir uma comédia romântica daquelas bem tranquilas, com piadas bem elaboradas, e com personagens apaixonantes. Porém, não se deve assistir um esperando ver o outro. "O Noivo da Minha Melhor Amiga" não possui sequer o mesmo enredo, a mesma história, nem mesmo o mesmo charme de Cameron e Julia (ainda que Goodwin seja daquelas que dá vontade de abraçar e nunca mais largar) em "O Casamento do Meu Melhor Amigo".


O filme, baseado no livro de Emily Giffin, conta a história de uma vida de anulações em nome de uma amizade até que o amor atravessa o caminho. Rachel (Goodwin) tem uma amizade desde tenra infância com Darcy (Hudson) digna de heroi e seu leal ajudante das histórias em quadrinhos. Enquanto Rachel é completamente dedicada à sua amiga, Darcy é completamente dedicada a si mesma. A separação de ambas se deu na faculdade, quando Darcy deixa de estudar em uma das mais difíceis universidades dos Estados Unidos simplesmente por Rachel não ter passado também. Porém, Rachel seguiu estudando Direito em uma outra faculdade, onde conheceu o charmoso e atencioso Dex (Egglesfield) e por ele se apaixonou. Tudo iria ocorrer bem se Darcy não aparecesse e, em um momento de insegurança de Rachel, ela acaba ficando com Dex. Em nome da amizade, Rachel se anula até que, dias antes do casamento de Darcy e Dex, ela revela ter uma queda pelo moço e que foi prontamente correspondida.


O filme fala em anulações o tempo todo [eis a principal diferença para o filme de Roberts, que é um filme de ambição justificada pelo amor]. Rachel se anula para ver Darcy feliz, Dex se anula para ver sua mãe feliz, Ethan (Krasinski) que se anula por um montão de coisas, e Darcy, que não se anula em nada. Porém, o filme se vende como comédia romântica, mas é um drama. E, como um drama, é previsível demais, sem carisma demais, sem ritmo demais. Nem mesmo a cena em meio aos créditos finais revela nada demais - talvez apenas uma certa continuidade, desnecessária. O melhor ator do filme é Krasinski, por demais sub-aproveitado. E Howey está perfeito como "pegador", mas de uma canastrice quase que cafona e que o filme o atura para dar sentido ao embolado e previsível final. Há ainda uma personagem desprezada o tempo todo por Ethan que, sinceramente, não tem a menor graça a crueldade gratuita que o filme apresenta. Tudo para que as idas e vindas do enrolado romance e vida de anulações tenha um final feliz.


Apesar de haver muita química entre Rachel, Dex e Darcy - aliás, Goodwin está apaixonante - o filme é sem nenhuma ousadia. Uma novelinha simpática, sem riscos ou impactos (talvez pela música "fake plastic trees", que sempre me derruba - sempre mesmo, conseguiu até com "Bruna Surfistinha", 2011).


Ósculos e amplexos!

"As Doze Estrelas", 2010: fraco, sem pé nem cabeça.



AS DOZE ESTRELAS (Brasil, 2010) Gênero: Drama Duração: 99 min. Elenco: Leonardo Brício, Cláudia Mello, Paulo Betti, Cássio Scapin, Munir Kanaan, Débora Duboc, Juliana Vedovato, Lívia Guerra, Paula Franco, Mylla Christie, Martha Meola, Grabrielle Lopez, Francisca Queiroz, Carla Regina, Leona Cavalli, Adriana Alves, Rosanne Mulholland, Sílvia Lourenço, Djin Sganzerla Compositor: André Moraes Roteirista: Luiz Alberto Pereira Diretor: Luiz Alberto Pereira.


Ainda bem que na exibição deste estava do meu lado minha queridíssima amiga Rafaela Rocha. Ela teve a gigante e honrosa paciência de me explicar as caracteristicas básicas que cada signo possui devido a minha certa ignorância sobre o assunto. E melhor definição sobre o filme veio justamente dela: - "filminho mais sem pé nem cabeça".


Herculano (Brício) é um astrólogo contratado para selecionar as atrizes que farão parte do elenco de "As Doze Estrelas", novela que será rodada em Paulínia. Após a visita do Destino (Betti), ele irá descobrir um pouco mais sobre cada signo de maneira incorporada em cada mulher. Entre um signo e outro, inúmeras situações surreais irão ocorrer com o astrólogo das estrelas.


Infelizmente, não há como se prolongar na sinopse. O fime acaba sendo uma apresentação de doze belíssimas atrizes, curiosamente cada uma do signo que interpretam (uma exigência do diretor para causar curiosidade, mas que tecnicamente não faz a menor diferença). E justamente por apresentar doze histórias, o desequilíbrio e a falta de ritmo incomoda demais o espectador. Para que a sinopse fosse um pouco mais rica, haveria de contar um pouco de cada uma das personagens - o que faria com que todo o filme fosse contado.


O filme nos dá muito pouco. Os personagens "não zodiacais" são por demais mal desenvolvidos, chegando a desaparecer. Não há como saber se Herculano é um bom astrólogo ou um charlatão. Aliás, ele nem sequer as seleciona, pois se limita a ser um mensageiro. Até mesmo os signos são abordados com uma superficialidade incrível, "exigindo algumas leituras básicas à João Bidu" - palavras de minha amiga Rafinha. Realmente, o filme é muito fraco. Apresenta mulheres maravilhosas com dotes físicos e teatrais fantásticos, mas nada além disso e de maneira por vezes rudes ao apresentar cenas eróticas e péssimos efeitos especiais.


Em tempo, quando não havia mais paciência alguma para o filme, novamente a minha amiga me salva do tédio: passamos a brincar de lembrar amigas em comum para comparar com as personagens apresentadas no filme (isso sim, realmente muito interessante e divertido).


Ósculos e amplexos - e para minha heroina Rafinha, meu muito obrigado!

"Como Arrasar um Coração", 2010: uma delícia de comédia-romântica.

"Como Arrasar um Coração" (L'Arnacoeur), 2010 [França, Mônaco] Direção: Pascal Chaumeil Atores: Romain Duris, Vanessa Paradis, Julie Ferrier, François Damiens, Helena Noguerra). Duração: 105 min Comédia Romântica



Alex Lippi (Duris) é um homem exótico, normalmente seria classificado como feio pelas brasileiras. Porém, dada sua postura logo no cartaz do filme, é possível ouvir suspiros até mesmo das mais exigentes desta terra descoberta por Cabral. É exatamente a ideia de Lippi: o embuste enquanto arma de sedução. Segundo ele, há três tipos de mulheres: as felizes, as infelizes, e aquelas que não sabem que são infelizes. E é para o terceiro tipo de mulher que seus serviços são contratados. Lippi é, na verdade, um sedutor de aluguel que costuma ser contratado para dissuadir mulhereres infelizes de se casarem com a fonte de suas frustrações. Como principais aliados, Lippi conta com sua irmã, Melànie (Ferrier), e seu cunhado, Marc (Damiens) - atrapalhados, porém uma espécie de faz-tudo. Porém, os negócios não vão nada bem. Manter o custo de seus personagens é caro, provocando dívidas imensas que o forçarão a um dilema ético: intervir no relacionamento perfeito da riquíssima filha de uma espécie de gangster francês, Juliette van der Becq (Paradis).


O filme nos informa o tempo todo de que se trata de uma comédia romântica, pois explora inteligentemente inúmeros clichês do gênero. Porém, ele renega, ao mesmo tempo, a cartilha de Hollywood. Ou melhor, Lippi sentia-se seguro com essa cartilha até que Juliette aparece em seu caminho e o faz de idiota. A brincadeira com o gênero não para por aí, destacando-se para a deliciosa situação no carro quando "malandramente" toca no rádio "Wake Me Up Before You Go-Go", da banda Wham! (que apresentou George Michael, lembrou?) e a coreografia imortalizada de Patrick Swayze e Jennifer Grey em "Dirty Dancing", 1987. Ainda mais, o filme é uma delícia tanto com a cara de Duris para provocar seu choro arrebatador quanto com a performance ninfomaníaca da espetacular Sophie (Helena Noguerra), amiga de Juliette. E mais, assim como Lippi, logo no início da exibição, nos informa que não há relação sexual com suas clientes, a tradicional apelação sexual inexiste. Sempre são situações em busca do beijo arrebatador que irá mostrar para a pobre moça o quanto ela está infeliz. "Merci" após o beijo é o real pagamento do sedutor Lippi.


É claro que o filme também tem seus tropeços. Curiosamente, o filme beira momentos de filmes de espionagem, Lippi apanha de brutamontes, mas não há nenhum bandido para fazer frente ao mocinho. Aliás, a reviravolta final é demasiadamente frágil, não convence, e busca um riso fácil que foi realmente desnecessário para as inúmeras situações provocadas ao longo de todo o filme. Também peca pelo tempo, tornando-se enfadonho várias vezes até que mais uma das várias viradas aconteçam ao longo da história. O filme não é necessariamente original (nem quer ser, chegando a brincar com isso), mas não acrescenta originalidade em momentos em que sobrava chance para o mesmo acontecer. Por fim, o filme é bastante comercial e tem o público dos Estados Unidos como clientela o tempo todo - o que o faz ser atípico para quem está acostumado com as comédias francesas.


Apesar das falhas, "Como Arrasar um Coração" é uma delícia de comédia-romântica. Mostra com muito charme Paris e Mônaco - sem nos fazer insignificantes em meio a tanto luxo e riqueza. Arranca risos gostosos e apresenta um frescor para um gênero tão frequentemente mal tratado por Hollywood.


Ósculos e amplexos!