quarta-feira, 9 de maio de 2012

"O Casamento do Meu Ex", 2010: Quantas oportunidades jogadas fora!

"O Casamento do Meu Ex" (The Romantics) [EUA] , 2010 - 95 min. Drama / Romance Direção: Galt Niederhoffer Roteiro: Galt Niederhoffer Elenco: Katie Holmes, Anna Paquin, Josh Duhamel, Elijah Wood, Malin Akerman, Adam Brody, Dianna Agron, Jeremy Strong, Rebecca Lawrence, Candice Bergen


E novamente o título dado aqui no Brasil não favorece muito o filme. As Românticas era a forma em que os Lila (Paquin) e Laura (Holmes) eram conhecidas nos tempos de faculdade. Inseparáveis, dividiam praticamente tudo, inclusive o namorado Tom (Duhamel). Na verdade, sem maiores explicações, Tom troca Laura por Lila e com essa vai se casar. Como madrinha de honra, Lila foi convidada. O filme, que possui o péssimo título que nos remete imediatamente à comédia-romântica "O Casamento do Meu Melhor Amigo, 1997" e o cartaz típico de comédia independente engana. Quem vai para o cinema para ver uma comédia romântica, depara-se com um romance bem fraquinho.

Ao longo dos 95 minutos de exibição, vamos vendo a melancolia de praticamente todos os personagens saltarem da tela, mas sem nenhuma objetividade. As situações de conflito e os melhores momentos se anunciam, mas quando chega a hora de vermos algo acontecer: nada acontece. Dá-se mais atenção para os momentos de "picardias estudantis", como a persistente ideia de se nadar pelado (que no fim das contas acaba sendo um nado de roupas íntimas). E, com isso, vamos nos irritando com o eterno e constante sentimento de coito interrompido.

O elenco é bom. Tem-se o que há de maior frescor. Mas os personagens não convencem. O andar rápido, com saia de normalita da personagem Lila no começo do filme nos antecede que ela fará uma personagem que não nos convence. A belíssima Holmes tem a mesma cara tanto para sofrimento quanto para o momento de bebedeira com a rapaziada. E o drama com os outros casais é praticamente um tédio só (quando aparenta que algo vai de fato acontecer, novamente coito interrompido). Até mesmo quando o vestido de noiva se rasga, que poderíamos ver uma excelente hora de explosão de som e fúria, outro coito interrompido. O final não poderia ser diferente, outro coito interrompido.

Que pena, pois os personagens tinham muita facilidade de nos cativar. Realmente, vamos nos compadecendo no drama de cada um dos personagens. Exceto o de Elija Wood, que realmente não tem o menor espaço no filme (além de estar horrível e sem sentido algum).

Ósculos e amplexos!

"Projeto X" (2012): que coisa horrorosa!

"Projeto X: uma festa fora de controle" (Project X) EUA , 2012 - 87 min.  Comédia / Documentário / Drama Direção: Nima Nourizadeh Roteiro: Matt Drake, Michael Bacall Elenco: Thomas Mann, Oliver Cooper, Jonathan Daniel Brown, Kirby Bliss Blanton, Alexis Knapp

O que acontece com a população americana? Investem cada vez mais no estilo Todd Phillips de mau gosto (ele é o pai da criança "Se Beber Não Case"). Além de ser horroroso, é gravado com a técnica que ficou famosa por "A Bruxa de Blair". Ou seja, é ruim de ver, é ruim de acompanhar, e as cenas são apelativas demais.

A história é a de sempre: outsiders que desejam ser pop e que fazem qualquer idiotice para conseguir. Thomas Mann e seus amigos aproveitam a ausência dos pais daquele para armar uma festa. O resultado: a festa toma proporções imensas até sair completamente exorbitantemente e destrutivamente - e não estou exagerando - fora de controle. Se tiver estômago ou não mais que 16 anos, (ainda que o filme seja recomendado para maiores de 18), é capaz de gostar dessa coisa horrorosa.

Dá para se aproveitar muito pouco. Talvez a parte em que roubam um anão. Talvez os momentos mais picantes. Mas, nada que deveria ser demais é, e nada que deveria ser deixado de lado foi. E me irritei muito com inúmeros momentos do filme.

Preocupa-me a releitura de "Curtindo a Vida Adoidado" para a época pós-Se Beber Não Case e Jack Ass.

Definitivamente, idiota e uma perda de tempo.

Ósculos e amplexos!

"Mamute", 2010: Suave, como exige esse paquiderme.


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  •  "Mamute" (Mammuth) 2010 Diretor: Gustave de Kervern, Benoît Delépine Elenco: Gérard Depardieu, Yolande Moreau, Isabelle Adjani, Benoît Poelvoorde, Miss Ming Gênero: Comédia Dramática Duração: 92 min. País: França 



É fácil de entender que há algo rústico, lento, "dinossáurico" no centro da tela grande e que será a alma de todo o filme. Além de uma moto com o nome do paquiderme ancestral há Serge (Depardieu), que é assim. Serge se encontra no limiar de um dos maiores problemas da vida: o tédio ao se aposentar. Devido a uma insana burocracia francesa, Serge deverá ir atrás de seus dez empregos anteriores. Para isso, ele conta apenas com a sua memória e sua moto Mamute. 

O filme, apesar de retratar um mamute figurativamente, ele é bastante suave igual ao personagem. Inculto, grosseirão, fedido, aos poucos, em sua "road trip" ele vai encontrando novos sentidos para sua vida. Principalmente quando encontra sua sobrinha um tanto quanto afetada Miss Ming (Ming). Mas não deixa de ser interessante. De maneira bastante leve, tem-se na tela todos os fantasmas de Serge. Mas ele convive muito bem com eles. O problema são as memórias que ainda estão vivas e que, ao encontrar com elas, vai achando tudo desinteressante e absurdamente sem gosto (inclusive uma discutível lembrança dos tempos de garoto entre ele e seu primo que beira a loucura de tão deprimente e nada atraente).

O jeitão enorme da falta de físico de Depardieu se encaixa perfeitamente com a angústia do personagem que busca um lugar neste mundo neste momento de sua vida. Ele representa tudo o que está velho e ultrapassado na opinião desse mundo que ele não se encaixa. Ele é lento com sua moto de outrora envenenada - as motos envenenadas de hoje passam voando por ele. Sua cortesia é vista como idiotice. E assim por diante, sempre em um tom irônico em nenhum momento apelativo, ainda que por vezes indigesto. Sempre suave.

Aos poucos, Miss Ming e seu jeitão afetado vai fazendo Serge encontrar gosto pela vida. Ela vive em outro mundo, mas que não aceita esse mundo tão quanto o velho mamute. Ela mostra a beleza de se sentir as coisas. E assim, aos poucos, Serge vai entender o seu valor.

O único problema é que o filme termina meio sem sal. Esperava alguma coisa acontecer no final. Mas, ao mesmo tempo, talvez seja justamente a beleza dessa obra.

Ósculos e amplexos!


"Espelho, Espelho meu!" (2012): divertido de tão bobinho.

 
Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror). EUA, 2012. Direção de Tarsem (Singh). 106 min Com Julia Roberts, Nathan Lane, Lily Collins, Armie Hammer, Jordie Prentice, Mare Winngham, Sean Bean, Michael Lerner, Michael Provinelli.

Engana-se quem pensa que irá assistir mais uma versão da badalada história de Branca de Neve. Mas, acerta quem acha que verá mais uma sátira do velho conto de lenhadores alemães. Prova de que a história ainda povoa as imaginações dos mais insanos aos mais inocentes. O filme possui poucos elementos de conexão com a versão mais conhecida (creio que a mais conhecida seja a da Disney, de 1937).  Basicamente manteve a própria Branca de Neve - que nunca pega sol, por isso tão alva -, a madrasta, o príncipe e os anões. De resto, apenas dialoga com a versão mais conhecida.

Julia Roberts não está em seu mais destacado trabalho, definitivamente. A diva passa por um sério processo de envelhecimento e os brilhos da jovialidade já não mais a acompanha. O que me deu a impressão de que sua capacidade de interpretar ironias na tela grande se tornasse algo um pouco metalinguístico. Continua bela, é claro, mas lhe falta o tempero que todos aprendemos a gostar em seus trabalhos. Por outro lado, fiquei embasbacdo como o príncipe (Hammer) ficou pela Branca de Neve (Collins). Não se trata de uma beleza exuberante. Mas de uma capacidade de encantar os mais desprevenidos que, aos poucos, vamos dando razão para o espelho quando diz "que se cai enfeitiçado pela beleza de Branca".

O príncipe (Hammer) definitivamente é bobo demais para arrancar suspiros das meninas. Aliás, tenta ser o príncipe abobado e não convence mesmo assim. O ingrato personagem de Nathan Lane é o de puxassaco oficial da rainha. Ou como o espelho diz: o bajulador oficial. Roberts brilha somente quando Lane levanta a bola para ela cortar - salvo nas sequências em que Roberts é o espelho.

Quem me chamou a atenção mesmo, além de Collins, foram os anões. Não me lembro de um filme com tantos atores bons sendo bem aproveitados. Não vemos os anões na situação nem de bizarrice e nem de palhaços de circo. São convincentes em quase tudo o que fazem, além de bastante charmosos.

Confesso que me incomodei com a mudança de nomes dos anões e com outras coisas. Mas, o filme pede para que não o levemos à sério. E o resultado foi que eu acabei gostando, ainda que o tenha achado fraco demais para jovens e adultos.

Ósculos e amplexos!

PS* é a última vez que assisto um filme no UCI do Shopping Palladium, juro! Toda vez que venho, alguém não se comporta na sala de cinema. Dessa vez, uma moça não parava de falar ao telefone - mesmo após insistentes assovios e palavrões que ela escutou por conta disso.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Entretenimento familiar: filmes da temporada de férias 2012.


Olhando para minha última postagem, faz oito meses que não apareço por aqui. Não é por não acompanhar mais o cinema, coisa que continuo fazendo e muito. Mas outras prioridades atravessaram minha vida e o blog ficou para um segundo momento. Aos poucos, volto a postar. Tem bastante filme comentado em minhas anotações pessoais – e que aos poucos vou digitando.

A postagem de hoje não é uma resenha específica como o de costume neste humilde bloguinho. Mas, o atendimento a um pedido que alguns amigos me fizeram. Preocupados em prover para suas famílias um contato saudável com a arte ou mesmo com o mero entretenimento, querem saber quais as estreias da temporada de verão americana recomendada para a família. Em semana da fulminante estreia de “Os Vingadores”, preocupação mais do que justa.

O critério é deveras simples: são considerados filmes para toda a família aqueles classificados até PG-13. Explico: na classificação estadunidense há cinco categorias analisadas de maneira bastante criteriosa quando o assunto é classificar algo para um determinado tipo de público, mas, como sempre, a decisão é de quem compra o ingresso. Lá, G (General Audiences) é certeza de que se trata de uma atração para todas as idades. O problema é que os estadunidenses consideram somente atrações absurdamente infantis – “Rugrats”, por exemplo, não se encaixa nessa categoria. PG (Parental Guide Suggested) joga para os pais o alerta de que pode não ser completamente adequado para os mais pequeninos. Às vezes uma ironia ou uma rápida expressão um pouco mais severa de um personagem pode incomodar pais mais atentos – mas, em geral, uma rápida observação dos pais de que aquilo não é exemplar resolve maiores conflitos. PG-13 (Parents Strongly Cautioned) alerta aos pais que eles realmente irão se incomodar caso menores de 13 anos assistam o conteúdo a ser apresentado. R (Restricted) não recomenda o acesso para menores de 17 anos (que, no Brasil, encontrei vários títulos “R” classificados como impróprio para 16, 14 e até 12 anos). Por fim, os NC-17 (No One 17) e os X (conteúdo erótico); que definitivamente não se enquadram no conceito atração familiar nem mesmo para o Brasil. Portanto, para os padrões brasileiros, no máximo até PG-13 pode ser uma atração recomendada para toda a família – com os devidos cuidados, é claro.
Enfim, vamos às recomendações:

“Os Vingadores” (PG13) – tem muita ação, muita pancadaria, e um visual bastante convincente. Meninos irão certamente sair do cinema absurdamente encantados com os heróis e os imitando (eu pelo menos saí da sala de cinema ainda mais fã do Hulk). Mas, as cenas são de muita pancadaria e podem incomodar pais mais severos quando o assunto é violência. Definitivamente não recomendo para famílias preocupadas com isso, pois a beleza das explosões e do ambiente de guerra é a marca do filme.

“Dark Shadows” (PG13) A velha combinação Tim Burton e Jhonny Depp que nem sempre funciona, mas que todo mundo gosta. Dessa vez, Depp interpreta um vampiro de uma série de televisão da década de 1960. Em tempos de saga Crepúsculo, o filme promete ser um bom Terrir (Terror que faz Rir). Porém, nas fotos de divulgação, o filme pode apresentar cenas de nudez e de referência ao uso de drogas.

“Battleship” (PG13): bem ao estilo “Transformers”, segue a mesma fórmula: pancadaria, destruição, máquinas e explosões em alta performance, e efeitos visuais de se tirar o fôlego.

“O Que Esperar Quando Você Está Esperando” (PG13): O título é ruim assim mesmo, mas promete chegar badalado no Brasil por ter no papel de galã o compatriota Rodrigo Santoro dividindo a tela com Cameron Diaz, Dennis Quaid, Jennifer Lopez, e tantos outros. Por se tratar de comédia romântica baseada nos temas ansiedades e gravidez, é certeza de inúmeros momentos onde o tema central será o sexo. Agora, parafraseando Cazuza, é um filme para quem já sabe que “todo dia vem a hora da sessão coruja”.

“Homens de Preto III” (PG13): não acredito que vá muito mais além dos outros dois. Portanto, não recomendado para aqueles que se incomodaram com os dois primeiros filmes apenas.

“Madagascar 3” (PG): mesmo caso de “Homens de Preto”. Com uma pequena observação: nos dois primeiros filmes houve quem se incomodou com alguns momentos de humor rude que o filme apresenta - apesar da classificação ser para todas as idades.

Por enquanto, é isso! Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Um Sonho de Amor", 2009: Bella storia e belle foto!



"Um Sonho de Amor" (Io Sono L'Amore) 2009 [Itália/Rússia/UK] Direção: Luca Guadagnino Roteiro: Luca Guadagnino / Barbara Alberti / Ivan Cotroneo / Walter Fasano Elenco: Tilda Swinton / Flavio Parenti / Edoardo Gabbriellini / Alba Rohrwacher / Pippo Delbono / Diane Fleri / Maria Paiato / Gabriele Ferzetti

Duas reclamações são obrigatórias antes de se avaliar este filme: o nome péssimo e absurdamente genérico que deram aqui no Brasil, podendo ser tranquilamente ser chamado de "Eu Sou o Amor" - o que faria muito mais sentido e paladar ao filme - ; e a demora para chegar nas telas, pelo menos de Curitiba - dois longos anos!!!

Reclamações feitas, vamos ao filme. Para quem sempre está com saudades dos bons filmes italianos, este é de deixar o espectador satisfeito. Sim, daqueles que provocam, instigam, envolvem, e ainda possui uma paisagem de se perder o fôlego. Aos poucos, sem nenhum salto, no tempo exato, vai se construindo a história principal, os personagens vão sendo compostos com complexidade e profundidade, e as paisagens e a fotografia vão se fundindo com o drama de cada um em cena e a nossa paixão pela Bella Itália vai às alturas.

O filme apresenta uma família tradicional, de classe alta de Milão, em que à princípio não se tem nenhum outro drama senão a preocupação em se fazer um jantar de gala para seu anfitrião, o patriarca Edoardo Recchia Senior (Ferzetti), encaixando uma convidada de última hora de seu neto, Edoardo (Parenti). Em meio ao jantar, que está sendo um sucesso, um novo drama: Edoardo Senior anuncia sua aposentadoria, surpreendendo a todos ao anunciar como sucessor não apenas seu filho, o monótono e ambicioso Tancredi (Delbono) mas também a seu neto Edoardo. Logo, outro drama surge: a neta, Delfina (Codecasa), seguindo a tradição da família de se presentear com um quadro - preferencialmente de própria autoria - presenteia o nono com uma fotografia, coisa que visivelmente constrange o patriarca e que mesmo tentando disfarçar provoca mal-estar em toda a família. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, outros irão surgir com maior força e maior intensidade fazendo com que os primeiros sejam transformados em mera futilidade.

Antonio (Gabriellinni), amissíssimo de Edoardo, que o vencera em uma corrida e que já havia se tornado um constrangedor tema daquela janta, aparece na mansão Recchia para demonstrar sua amizade por Edoardo. Aos poucos, vamos descobrir uma amizade de profunda admiração e irmandade entre os dois. Tal profunda admiração se extende também para a alma do filme: Emma (Swinton), que se encanta com o rapaz e com seu talento culinário. Deste ponto em diante, temos em cena a tragédia do amor, como em uma ópera italianíssima.

O filme vai sendo construído com inteligência e vai sempre deixando marcas em quem assiste. É impossível não suspirar com as belas imagens e com a atuação bastante convincente de Swinton (que a cada dia mais me surpreende com sua boa forma e talento cênico). Somos tranportados para as belas imagens de Milão e San Remo, ficamos aflitos com a frieza de Londres, sentimos o cheiro da rica culinária de Antônio, nos apaixonamos por todos os personagens. O filme começa em pleno inverno, com calçadas branquinhas de neve, e vai esquentando ao longo da trama. Tudo o que foi construído no começo passa a ser descontruído com aquela beleza do amor/tragédia italiana. Emma vai se descobrindo na medida em que sua história original é resgatada, ao mesmo tempo, sua vida vai passar por processos nada fáceis. Somente quem é puramente amor poderia tomar as decisões tomadas. E, de quebra, rapidamente várias surpresas no final não deixam o filme com pontas soltas.

Talvez minha única queixa é a existência de um personagem que passou, inclusive, sem falas. O irmão de Edoardo. Ele está ao longo de todo o filme, mas nem no cartaz aparece. No restante, é um filme lindo e que vale a pena de se comprar assim que achar nas prateleiras. Um filme italiano daquele que estávamos com saudade!

Ósculos e amplexos!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Melancolia", 2011: poético e fascinante fim do mundo.



Melancolia (Melancholia) Dinamarca / Suécia / França / Alemanha , 2011 - 136 minutos Drama / Ficção científica Direção: Lars Von Trier Roteiro: Lars Von Trier Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgaard, John Hurt, Stellan Skarsgaard, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling



Apesar de um pouco zonzo com as tomadas de câmera na mão e muita intervenção ao som de Tristão e Izolda, de Wagner, confesso que saí do cinema irritado com o filme. Mas, poucos minutos após sair, caminhando pela cidade, pude compreender a beleza de um dos melhores e mais polêmicos diretores da atualidade. Lars Von Trier, ao mesmo tempo que é infeliz ao fazer declarações nas coletivas envolvendo Hitler e judeus, é por demais feliz em suas obras. E, para quem não estiver com espírito preparado para assistir mais uma obra do depressivo diretor certamente terá uma desagradável surpresa.



O filme, de uma maneira geral, é uma pintura de uma catástrofe anunciada. Igualmente a uma ópera, porém com uma fotografia exuberantemente linda, teremos duas longas versões melancólicas de uma catástrofe inevitável. Após ver uma série de imagens onde mostra uma noiva angustiada querendo fugir e o planeta Terra sendo engolido por outro consideravelmente maior, o filme começa de fato e seguira em duas partes. Na primeira, a história acontece ao redor de Justine (Dunst). De maneira muito bonitinha e alegre, temos uma limosine incapaz de levar o casal apaixonado ao seu casamento por não conseguir fazer uma curva. Do momento em que chegam ao local da festa de casamento em diante, o que temos é um festival de tristezas e muita, mas muita ironia de Lars Von Trier. (Infelizmente, não poso adiantar muita coisa - evitando Spoilers). A segunda parte, por sua vez, passa-se ao redor da angústia da outra irmã, Claire (Gainsbourg). Ela tem conhecimento da aproximação do planeta Melancolia e teme pelo pior.



Desde o começo sabemos o que vai acontecer. Porém, a beleza de como cada coisa é apresentada é de se encher os olhos. Seja pelo nu azulado de Justine, seja pela convincente interpretação de cada um dos atores e atrizes. Cada qual com uma beleza ímpar. Tanta coisa bela caminha junto com o abismo depressivo de Von Trier. Para ele, o fim do mundo é assim, sem esperança, sem grandes acontecimentos previstos ou revelados, sem nem menos pena da humanidade. Para ele "a humanidade não fará falta".



Não se trata de um filme fácil de se assistir, mas consideravelmente possível se comparado à outras obras de Lars Von Trier. Um poético e fascinante fim do mundo, do nosso universo particular e de nosso universo intangível.


Ósculos e amplexos!

"Professora Sem Classe", 2011: não faz rir, além de ser patético.



"Professora Sem Classe" (Bad Teacher) EUA - 92 min. Comédia Direção: Jake Kasdan Roteiro: Gene Stupnitsky, Lee Eisenberg Elenco: Cameron Diaz, Jason Segel, Justin Timberlake, Lucy Punch, Phyllis Smith, John Michael Higgins, Kaitlyn Dever, Matthew J. Evans



Sim, há algumas cenas de "Professora Sem Classe" que são de uma estética interessantíssima. Mas dependem de puros fetiches do espectador. O filme tem problema de tempo, as piadas são fracas, o enredo muito caricato, e o pior, os atores e atrizes não convencem.



"Professora Sem Classe" igualmente ao péssimo trocadilho que seu título recebeu no Brasil é a tentativa de se fazer uma comédia insana com elementos comuns no cotidiano escolar. Conta a história de Elizabeth (Diaz), professora por profissão e mau-caráter por estilo. Detesta o emprego que possui, considera seus colegas de trabalho um bando de imbecis e não dá a mínima para a educação de seus alunos. Ser professora é um embuste para aparentar ser boa moça para os ricaços que lhe poderão promover o sonho dourado. Porém, culpando seus seios medianos por ter sido desmascarada em seu último noivado, faz de tudo para juntar dez mil dólares e assim poder comprar suas próteses (para agarrar outro ricaço). Em meio a sua tediosa vida regada à bebidas, drogas e muita ressaca na hora da aula, conhece o bonitão e herdeiro de uma famosa marca de relógios - e que ninguém explicar por qual motivo ele é também professor - Scott (Timberlake). Daí por diante, dá-lhe cenas e mais cenas de situações sensuais com a lourona e pouquíssimos argumentos inteligentes.



O filme tem um desafio duplo: ser sensualmente incorreto ao mesmo tempo formatado para um público maior de 14 anos de idade. Não daria outro resultado senão um sucesso de bilheteria, principalmente para o público adolescente, mas desagradável para públicos um pouco mais exigentes. Uma ou outra piada inteligente no meio de um montão de piadas grosseiras não é o maior problema. Terrível é suportar uma série de grosseirias expostas de maneira frágil, com personagens pouco convincentes e que vão se tornando cada vez mais caricatos ao longo do filme.



Seus noventa e dois minutos de duração se arrastam, fazem parecer três horas. Há três viradas muito mal contadas ao longo da história. E a redenção da anti-heroína realmente é patética.



Por fetiche, por pouquíssimo humor inteligente, o filme não compensa. Sabe-se lá o motivo de ter obtido tamanho sucesso em bilheteria.



Ósculos e amplexos!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"Os Smurfs", 2011: Para crianças de hoje, lembre-se disso!


"Os Smurfs" (The Smurfs Peyo) [EUA] 2011 - 102 min. Animação / Infantil Direção: Raja Gosnell Roteiro: J. David Stem, David N. Weiss, Jay Scherick, David Ronn Elenco: Neil Patrick Harris, Jayma Mays, Sofía Vergara, Hank Azaria, Jonathan Winters, Katy Perry, Anton Yelchin, Frank Welker, Fred Armisen, Alan Cumming, George Lopez



O filme é para crianças de hoje, portanto não é para crianças da década de 1980. Ainda que por diversas vezes o filme conversa com o público infantil de décadas passadas (ele faz algumas afirmações para aqueles que já cresceram como: a musiquinha xarope, a mania de usar a palavra "smurf" para tudo, etc), ele é fofo o bastante para cativar as crianças que nasceram após o ano 2000. Portanto, deve ser visto como tal. Para os mais crescidinhos, algumas informações importantes são finalmente explicadas - como por exemplo, como pode ter 99 homens e apenas uma mulher na vila dos Smurfs - e outras humoristicamente ignoradas.

A história é simples, na vila dos Smurfs, Papai Smurf tem uma visão preocupante sobre o futuro. Vê o Smurf Desastrado sendo o responsável pela captura dos demais smurfes pelo bruxo Gargamel e seu gato Cruel. E a confusão se confirma: sem querer, Desastrado leva Gargamel diretamente para a vila dos Smurfs. Na fuga, alguns smurfes descobrem um vórtice que os levam para Nova Iorque e lá conhecem o estranho mundo dos seres humanos enquanto tentam voltar para casa. As criaturinhas, em um mundo totalmente desconhecido, conhecem Patrick (Harris) e Grace( Mays - que tem um meigo olhar que parece ter saído da um gibi), um casal que espera seu primeiro filho. Sua chefa é a linda, latina e terrível Odile, dona de um império dos cosméticos e que espera uma campanha publicitária impossível circulando pela cidade.

"Casa grande faz com que o casal fique mais afastado", diz a sábia Smurfete. Sim, alguns valores importantes como valorizar mais a família que os bens materiais, valorizar a paternidade mais do que uma promoção no emprego, apoiar a esposa e estar sempre pronto para auxiliá-la, estão o tempo todo contidos na história e acabam sendo o grande drama de fundo dos personagens nova-iorquinos. Já para os Smurfs, é a volta para casa. Há tempos em que a beleza de uma boa história, centrada em valores adequados para as crianças, não era exibida. Em meio a tantos eletrizantes desenhos, com erotizações, com valores invertidos e tantas outras coisas facilmente questionáveis de serem exibidas para o público infantil, "Smurfs" acaba sendo um alívio adequado para um bom programa em família.

Realmente, o filme carece de um enredo mais profundo e muito dos personagens acabam tendo situalções em que simplesmente desaparecem. Ao mesmo tempo, temos o mais divertido gato da história do cinema (sim, ele bateu o gato de botas de Shrek e Garfield). Gargamel, enquanto bruxo atrapalhado, é o responsável por quase toda a ação do filme. E a homenagem ao criador dos Smurfs, Peyo, bem como a referência feita ao fenômeno que foi o desenho são elementos bem homenageados no filme. Inclusive as palavras mágicas para abrir o portal não poderiam ser em outra língua senão a francofonia do belga Peyo.

O que me incomodou - sempre me incomoda - foi que a versão 3D só serviu para uma coisa: deixar o ingresso mais caro. Não contribui em absolutamente nada.

Enfim, um filminho bom e agradável para assistir com a família.

Smurfs e smurfs!


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"Capitão América: o primeiro vingador", 2011: história bem contada.


"Capitão América: o primeiro vingador" [Captain America - The First Avengers ] EUA , 2011 - 124 min. Aventura Direção: Joe Johnston Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Richard Armitage, Toby Jones, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, JJ Feild, Bruno Ricci, Lex Shrapnel, Michael Brandon, Martin Sherman, Natalie Dorme.


Já cansado de assistir grandes projetos das histórias em quadrinhos se tornarem uma imensa chatice no cinema, fui assistir sem nenhuma expectativa ao filme da HQ que nunca me despertou nenhum interesse. Capitão América, para mim, sempre foi muito chato. Tanto na sua época de ufanismo estadunidense quanto em sua fase de depressão - quando descobre que é possível existir corruptos no primeiro mundo. Ao término do filme, fui para casa com um sorriso nos lábios. O filme, que eu não dava nada, é bom!

Na busca por recriar seu universo também nos cinemas, a Marvel fez vários filmes dos quais apresentavam para o público cineasta seus principais personagens: Homem-de-Ferro, Hulk, Thor, Quarteto Fantástico e X-Men. Os três primeiros foram apresentados com algumas interferências e referências que tão somente os fãs de HQ compreendiam, mas que carregavam o filme de informações que pouco ou em nada contribuía. Com isso, os filmes custavam a agradar o público mais cinéfilo em troca de um perdão ao público mais, com ainda mais perdão do neologismo a ser usado, "agaquéfilo". Surpreendentemente, o Capitão América consegue escapar disso e ter uma história centralizada em seu personagem. E o mais genial, não se abandona a referência ao projeto maior - e que agora eu temo profundamente seu resultado - de se fazer o primeiro encontro (crossover) de personagens no cinema: Os Vingadores.

Para centrar a história no personagem sem perder de vista o crossover futuro, Markus e McFeely usaram de uma ferramenta inteligente: o tempo. Sim, o filme começa em tempos atuais com a descoberta de um avião do tempo da Segunda Guerra, enorme, enterrado no gelo groelândio. Ao explorar internamente a aeronave, descobrem o super-heroi da Segunda Guerra congelado: o Capitão América. Neste momento, um imenso flashback dá início, bem como o filme propriamente dito começa. Steve Rogers (Evans), raquítico e com um histórico familiar de algumas doenças, sonha em entrar para as Forças Armadas e lutar na Guerra. Mas, seu porte físico e histórico de saúde é um entrave tão significativo que lhe foi negado cinco vezes a entrada no exército. Em mais uma tentativa, um misterioso cientista alemão mas que serve ao exército americano identifica em Rogers mais do que músculos: bondade, inteligência e força de vontade. E assim, o magricelo entra para as forças armadas dos Estados Unidos com o propósito de ser cobaia de uma grande experiência científica. Depois de uma série de testes, Rogers é aprovado para ser o primeiro a receber um soro que o transformará em um super-soldado. A experiência dá certo, mas um incidente faz com que o inventor do soro morra e com ele a fórmula do supersoldado. Rogers é espécime única e se transformará em Capitão América.

A história vai desenvolvendo o personagem de maneira elegante e convincente. Antes mesmo do magricelo Rogers se tornar no avantajado Capitão América, já se torce pelo mocinho. É uma história de militares durante a guerra, portanto poucos sorrisos são vistos na tela. Dessa maneira, os pouquíssimos momentos de afeto são valorizados pela história. Aliás, destaque para Peggy Carter (Atwell), oficial de forte sotaque britânico e que além de durona, é linda! Ela irá fazer o par romântico com o heroi e protagonizar alguns dos momentos mais dramaticos da história enquanto uma personagem marcante e importante. Isso citando apenas o heroi e sua musa, mas há de se dizer que o elenco todo estava muito bem preparado para fazer o filme. Destaque para Tommy Lee Jones, que faz o coronel Chester, linha dura que treina o supersoldado, responsável pelos alívios cômicos.

Nem tudo são flores, apesar da excelente atuação de Weaving, o vilão Caveira Vermelha - que de tão mau rivaliza com o próprio Hitler - não tem um personagem tão bem construído ao longo do filme. É compreensível que o Caveira Vermelha e o Capitão América possuem as mesmas forças e qualidades, mas na hora do tão aguardado confronto a coisa toda foi prorrogada para um próximo filme. É nesse momento que a Marvel nos faz lembrar de uma de suas mais irritantes estratégias comerciais: a de ser sempre no próximo HQ - ou filme - a explicação do anterior.

O filme é bom, harmonioso, bem contado. Até mesmo para quem nunca ouviu falar no Capitão América (e não são poucos) olharão para o heroi com um pouco mais de carinho - mesmo em épocas em que os Estados Unidos continua sendo o maior benfeitor e o maior malfeitor do mundo.

Ósculos e amplexos!


terça-feira, 12 de julho de 2011

"Cilada.com", 2011: infelizmente, é fraco.


"Cilada.Com" [Brasil], 2011 - 95 min. Comédia Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Augusto Madeira, Carol Castro, Fabiula Nascimento, Fúlvio Stefanini, Sérgio Loroza, Thelmo Fernandes, Marcos Caruso, Luis Miranda, Débora Lamm, Alexandre Nero, Karla Karenina, Dani Calabresa, Milhem Cortaz, Rita Elmôr, Fernando Caruso

Nada mal, porém nada bem. O filme que se propunha a ser comédia de esquetes, escorrega feio ao buscar um jeitão "comédia-romântica ianque". E o resultado é uma ótima história em um filme fraco, infelizmente. Infelizmente, pois, o filme é composto por uma constelação interessantíssima de atores e atrizes de elevadíssimo talento. Mas, a falta de ritmo incomoda, e algumas gags são buscadas de maneira lamentáveis - que lembra, porém completamente fora do esquadro o "Se Beber Não Case".

Em meio ao casamento de uma prima, Fernanda (Leme) vê seu namorado, Bruno (Mazzeo) com outra. Ou melhor, todos veem a cena, pois eles estavam atrás do biombo utilizado para uma projeção e que caíra justamente quando a moça se apoiou para buscar, vamos dizer assim, uma posição melhor. Para se vingar, Fernanda posta na internet uma pífia performance sexual de menos de doze segundos entre Bruno e ela. O vídeo se transforma em um verdadeiro webhit, tornando a necessidade de Bruno "limpar a barra" uma verdadeira odisseia.

Aos poucos, vamos vendo um humor que não colabora em nada com a história. Além disso, demonstra algumas apelações que considerei desnecessárias (como por exemplo, e que está no trailer, a eterna atitude discriminatória de generalizar o pênis negro). Mas, a situação vai piorando. Preconceito de classe, preconceito contra transsexuais, preconceito para com tudo e todas. Enfim, somente a mulher ninfomaníaca e que gosta de tapas no rosto é a mulher da vida do fracassado Bruno.

Bruno como homem é péssimo, como profissional é fraco, como namorado é um sacana, e como ser humano é uma miséria. Tais elementos em momento algum do filme tem redenção. E por uma risada gratuita, realmente o filme é fraco demais e chega a insultar. O adúltero tem sua redenção facilmente estampada ao longo de todo o filme. E a mensagem de que ficar com alguém para não ficar sozinho enquanto sendo amor é de amargar todo o melado que se propunha na parte romântica do filme.

Algumas situações são hilárias. Porém, quase todas estão nos trailers.

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Os Pinguins do Papai", 2011: que vontade de gritar me deu!

"Os Pinguins do Papai"(Mr. Popper's Penguins) [EUA] , 2011 - 94 min. Comédia Direção: Mark Waters Roteiro: Jared Stern, John Morris, Sean Anders Elenco: Jim Carrey, Carla Gugino, Angela Lansbury, Ophelia Lovibond, Madeline Carroll, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Dominic Chianese

"Ai que filme ruim!" Foi a minha vontade de gritar dentro do cinema. É sério, virava-me e me revirava na poltona do cinema aguardando o fim da imensa tortura que é o filme. Nem mesmo a sempre bela visão de Carla Gugino (sim, sou apaixonado por todo aquele charme que ela tem) consegue fazer o filme menos insuportável. O retorno do envelhecido Jim Carrey às comédias que o lançou no cinema acaba sendo decadente, cansativo, e absurdamente sem graça.

Por causa de um pai ausente (vamos combinar que o estadunidense deve ter muito problema com isso), Poppers (Carrey) é um homem de negócios sem muitos valores. Por isso, é divorciado e um fracasso como pai. Por outro lado, é um gênio quando se trata de transaçõs imobiliárias. Mas, sua vida dá uma grande guinada. Seu pai falece, deixando de herança um pinguim. Justo quando o maior desafio de sua carreira foi decretada por seus chefes: a de comprar a impossível e única localização privada do Central Park de Nova Iorque.

Bom, segue o de sempre. O blá-blá-blá água com açúcar de sempre. Popper vai aprender a ser pai com os pinguins. A rede de relacionamentos dele vai sofrer uma alteração brusca na medida em que vai aprendendo a lição. E tome cocô de pinguim para provocar risos, pois as caretas de Carrey não são mais tão boas.

Não agrada, tem pouca graça, e mesmo na hora em que uma perseguiçãozinha muito da fraquinha acontece a coisa não empolga. Além disso, os sempre graciosos pinguins são apenas graciosos. Dão a impressão de que o filme está fora de prazo, talvez sendo melhor aproveitado na televisão em época de natal. Mas no cinema é uma grande chatice.

Em tempo: o filme tem uma brincadeira com a língua do Pê que realmente não se encaixou em nada - mais evidenciado na secretária de Popper. Se era para rir, acho que não deu certo, pois irrita.

Ósculos e amplexos!

"Transformers 3", 2011: para quem quer porrada!

"Transformers 4: O Lado Escuro da Lua" (Transformers: dark of the moon) [EUA] , 2011 - 157 min. Ação / Ficção científica Direção: Michael Bay Roteiro: Ehren Kruger Elenco: Shia LaBeouf, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rosie Huntington-Whiteley, Patrick Dempsey, Kevin Dunn, John Malkovich, Frances McDormand, Ken Jeong, Leonard Nimoy, Peter Cullen

Ei! Cadê a maravilhosa da Megan Fox?! Ela atuava mal pra caramba, mas a nunca-vi-antes -na-vida Rosie-Huntington-Whiteley é uma falta de educação! [Todo mundo sabe que a exótica e linda Fox fez um infeliz comentário comparando o judeu diretor Michael Bay à Hitler e, por isso, foi cortada do filme].

Bom, atendo-se ao filme: oras bolas, quem vai ao cinema assistir Tranformers vai para ver muita, mas muita pancadaria entre os robôs. E neste quesito, o filme é de perder o fôlego. A relação entre os robôs e a Terra é mais antiga do que os outros dois filmes nos contaram. A guerra deles derribou na lua uma nave abatida onde a esperança dos Autobots estava dentro. (E que não vou contar para não estragar as pouquíssimas surpresas do filme). Mas, a descoberta desta nave pelos humanos aconteceu ainda na época da corrida militar entre EUA e URSS, e muito mais do que os próprios robôs sabiam estavam escondidos nos arquivos presidenciais.

Paralelamente, os humanos mais próximos dos robôs são todos uns, como a tradução gosta de chamar os out-siders, fracassados. Sam Witwicky (LaBeouf), heroi de guerra condecorado, formado em uma das mais importantes universidades dos EUA, é um grande desempregado bancado pela namorada (H-Whiteley). O mesmo acontece com outros mais chegados dos robôs, que nem sequer se aproximam da arrogância dos militares e seus interesses bélicos.

O filme acaba sendo um dos maiores disperdício de atores que já se viu, inclusive o sempre eficiente John Malkovich. Os personagens são irritantemente vazios, quando não alternam essa irritação por falas cheias de arrogância que faz com que o espectador sinta verdadeiras vontades de sair do cinema tamanho os insultos. Mas tudo isso faz parte do cenário caótico que virá. (Lembrando que Huntington-Whiteley é muito, mas muito ruim, apesar de belíssima!).

Indo direto ao assunto, o filme não decepciona no fim das contas. Afinal, quem quer saber de história de amor em um filme que promete pancadaria? E neste quesito, realmente o filme lembra parte da minha infância ao explicar por que meus brinquedos viviam aos pedaços. São mais de quarenta minutos de pancadaria convincente e sem tréguas - com direito à baixas em todos os lados, inclusive a pulverização de humanos!!! Chicago vai pras cucuias, com quedas e explosões convincentes. E os robôs... ah! os robôs! Estão maravilhosamente sanguinários (com direito à sangue jorrando dos robôs!).

O filme é para quem quer ver porrada, porrada, e destruição. Esqueça tudo o mais, pois não presta. Somente os encontrões e explosões fazem o filme interessante.

Ósculos e amplexos!


"Carros 2", 2011: sem o charme e a nostalgia do primeiro.

"Carros 2"[Cars 2] (EUA) , 2011 - 113 min. Animação / Infantil Direção: Brad Lewis Roteiro: Ben Queen Elenco: Owen Wilson, Larry the Cable Guy, Michael Caine, Emily Mortimer, Jason Issacs, Thomas Kretschmann

A beleza do primeiro filme "Carros", 2001 não foi muito bem compreendido pela crítica brasileira por considera-lo "americano" demais. E, sinceramente, foi justamente o que mais gostei no primeiro filme, pois mostra uma faceta dos Estados Unidos do qual não conhecemos (a Rota 66, que cortaa os Estados Unidos de costa-à-costa, mas que foi muito bem explicado). Mas, concordo com a crítica quando se diz que foi o mais fraco de uma safra de bons filmes da Pixar.

A continuação perde o ar nostálgico da Rota 66 imortalizada por Janis Joplin (e também pelo já, ainda bem, extinta propaganda de cigarros). Desta vez, a história busca ser um pouco mais mundializada. É justamente neste momento em que Carros 2 perde completamente seu charme e se torna um filme chato para adultos e sem muita graça para crianças.

Relâmpago McQueen é o mesmo carro de corrida do primeiro filme e que após quatro temporadas campeão, volta para Radiator Springs - local onde aprendeu a beleza da humildade e a alegria de se ter uma família e namorada. Em férias, não quer saber de corrida até que seu grande e "caipira" melhor amigo Mate resolve defender sua honra. Uma corrida mundial (mas em apenas três países) para promover um combustível ecológico fez com que o arrogante carro de corrida Francesco provocasse Relâmpago, mas vigorosamente defendido por Mate. E assim, toda a família de Radiator embarca para ser a equipe de McQueen no Grand Prix idealizado por Miles Eixonarroda - o milionário que descobriu o combustível. Paralelamente, uma conspiração internacional ameaça o combustível verde e terá o detetive James Bond, ou melhor, Finn McMissíl na cola deles para desvendar o mistério que ronda sobre as explosões dos carros de corrida.

Em comparação, já que se trata de uma continuação, o filme tem desta vez como protagonista o desajeitado Mate. Ele é o grande responsável pelos momentos de qualidade do filme, bem como suas gags. Mas, a corrida, coisa principal do filme, ficou em um plano tão longínquo que fez com que se perdesse o charme do primeiro filme. Além disso, muitas pontas soltas acabam tornando o filme quando não sem maior conteúdo, previsível demais.

O filme não é ruim, apenas não tem o charme e a nostalgia do primeiro.

Ósculos e amplexos!


sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Meia-Noite em Paris", 2011: Woody Allen se revigorou com uma declação de amor.



"Meia-Noite em Paris" (Midnight in Paris) [França/EUA] , 2011 - 100 min. Comédia/Romance Direção: Woody Allen Roteiro: Woody Allen Elenco: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Carla Bruni-Sarkozy, Michael Sheen, Nina Arianda, Alison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Corey Stoll, Kurt Fuller, Mimi Kennedy


Desde 2005 que Woody Allen se reinventa. Abandonou aquela insistente busca por um lado felliniano que não possui e resolveu divagar pelo mundo seu jeito esquizofrênico em verdadeiras declarações de amor pelas cidades onde seus novos filmes são ambientados. Um Woody Allen com sotaque e um olhar inteligente, mesmo que seu alter-ego seja sempre seu personagem principal. Em "Meia-Noite em Paris", de maneira leve, declara-se o amor pela Cidade Luz da seguinte forma: - "Cara, como consegue essa cidade ser tão mágica? Tenho que falar com a Câmara do Comércio sobre algumas coisinhas!". E tal declaração de amor lhe rendeu o filme que já é sua melhor produção desde "Hanna e suas irmãs", 1985.

O alter-ego de Allen é Gil (Wilson), renomado e cansado roteirista de Hollywood que deseja publicar um livro realmente bom. Ele está prestes a se casar com a linda, intragável e completamente fútil Inez (McAdams) e vão para Paris a fim de objetivos bastante diferentes. Mas Gil acaba tendo um romance paralelo: apaixona-se pela cidade e misteriosamente é conduzido para uma Paris dos anos 1920, onde se encontra com seus ídolos e referências como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí e tantos outros (com direito a uma sequência de gags com nada menos que Salvador Dalí).

De uma maneira bastante suave, Gil vai ocupando todos os espaços do filme. Não se trata de uma comédia, mas de um encontro. Ainda que Allen dê momentos de política, filosofia e sua eterna maneira particular de ridicularizar a psicologia, seu alvo principal é a pseudo-intelectualidade. Aliás, dá uma surra no intelectual de Sourbonne quando viaja pelo tempo e comprova que a arte deve ser vivida e não somente ostentada. Quem não vive a arte, apenas acumula informação e se torna pedante. E o personagem intelectualoide é Paul (Sheen), que dá encima descaradamente da noiva de Gil enquanto toma atitudes irritantes como a de discutir com a guia vivida pela Primeira-Dama francesa Carla Bruni-Sarkozy. Também sustenta uma tese que será o grande drama do filme: por que uma geração sempre venera a geração anterior?

O filme é lindo, leve, romântico, mas exige um público iniciado - mas não muito - em letras e artes. Se não conhecer Buñuel, se não assistir seu "O Anjo Exterminador", 1962, não vai entender a piada maravilhosa que aparece quando Gil dá uma ideia de filme ao próprio diretor espanhol. Se não entender um pouco das literaturas francesa e americana, certamente não vai entender a brincadeira entre Fitzgerald e Gil sobre Mark Twain. Mas não se preocupe, o filme é bom e tão somente os pseudo-intelectuais - tão ironizados no filme - irão se preocupar em dissecar cada uma dessas referências.

Excelente, é um Woody Allen revigorado.

Ósculos e amplexos!

terça-feira, 14 de junho de 2011

"Potiche", 2010: comédia e crítica atual, feminina, e feminista.


"Potiche: esposa trofeu" (Potiche) [França], 2010 Direção: François Ozon Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Karin Viard. 103 min Comédia

Apenas pelo fato do diretor Ozon estar novamente fazendo comédia já seria uma ótima notícia. Mas a boa notícia não para por aí, Catherine Deneuve e Gérard Dépardieu fazem novamente uma dupla romântica no cinema – bem mais envelhecidos que em "O Último Metrô", 1980, mas com o mesmo charme.

"Potiche", em francês, significa vaso, mas que é utilizado figurativamente para aquela esposa que vive para seu marido, como um enfeite de prateleira. A grande "Potiche" aqui é Suzanne Pujol (Deneuve), filha de um grande fabricante de guarda-chuvas amado por seus operários, mas que é esposa daquele que recebeu 45% da fábrica como dote e que é seu CEO Robert Pujol (Luchini). Com mão-de-ferro e imenso desprezo para com a classe operária, Robert tenta em vão sufocar a greve. E o resultado: Robert foi sequestrado pelos trabalhadores e, neste processo, acaba tendo um enfarto.

Suzanne toma uma atitude corajosa: assume o lugar do marido na fábrica. Mas o que era para ser temporário e apenas de fachada para acalmar os grevistas acaba se tornando um grande sucesso. E aos poucos vamos vendo Suzanne se transformando em uma mulher bastante feminina, porém com ótima desenvoltura e bastante poderosa em cada uma de suas ações.

Deneuve faz de tudo neste filme. Brinca os mais cinéfilos que só falta ela fazer malabares – pois canta, dança, e interage de maneira a esbanjar perfeição. O filme se passa na década de 1970, quando o Partido Comunista Francês era poderoso e praticamente resumia a esquerda. Nos dando um Dépardieu absurdamente grande, interpretando Maurice Babin, uma imagem saudosa do comunista ex-sindicalista que virou parlamentar. Suzanne e Babin tiveram uma paixão de adolescente muito bem contada na história e a química entre Deneuve e Dépardieu está maravilhosa.

Como o filme se baseia em uma peça teatral, o filme é bastante exagerado nas interpretações, cores e aspectos caricatos dos personagens. Mas, apesar de se passar na década de 70, é bastante atual e a mensagem feminista é passada de maneira suave e muito envolvente. Não é um filme para risos histéricos, mas para aquelas risadas de pessoas de bom gosto e que percebem a crítica ao chauvinismo burguês.

Bem elaborado, "Potiche" promete boas risadas e a "recaída" de amores por nossa eterna "Bela da Tarde".

Ósculos e amplexos!

"Copacabana", 2010: divertido e leve, nos apaixonamos antes de ficarmos irritados.


"Copacabana" (idem) [França/Bélgica], 2010 Direção: Marc Fitoussi Roteiro: Marc Fitoussi Elenco: Isabelle Huppert, Chantal Banlier, Magali Woch, Lolita Chammah Duração: 105 min Comédia/Drama

Os franceses praticamente se tornaram pais do gênero Comédia-Dramática. "Copacabana" é um exemplo disso. Babou (Huppert), de espírito livre e de imensa autenticidade, tem uma complicado relacionamento com sua filha Esméralda (Chammah). Ela não aceita o jeitão adoidado de sua mãe e pede para que não comparaça em seu casamento como garantia de que não ficará envergonhada. A decisão de sua filha fez com que Babou tomasse as rédeas de sua vida, indo para a monótona cidade de Ostende, na Bélgica, a fim de provar que é capaz de ser responsável, de ser uma pessoa normal.

O contraste entre Babou e Esméralda é constante, bem como constantemente é contrastada a vida real com a vida idealizada. Exemplo disso é a tomada aérea da praia de Ostende ao som de samba, é o som alegre da batida brasileira no deprimente balneareo belga. Ela, Babou, vai trabalhar "pescando" turistas para imóveis "timeshare" - apenas um em cada oito amigos que voltam da Europa falam que é um bom negócio, os outros sete chegam a se contorcer de raiva. Melhor explicando, são inúmeras as formas de se pescar o turista para timeshare, que vale desde raspadinhas até mesmo um passeio de limousine. Mas quando o turista entra no prédio, deparará-se com uma agressiva abordagem e quase três horas de palestras, apresentações, tudo para que o impulso o obrigue a fechar negócio. Babou se encontra trabalhando em um sistema considerado por muitos como pura falcatrua.

O filme é uma delícia de se ver. Babou é o carisma é pessoa. Sente muito a falta da filha, mas não perde o sonho de demonstrar que é uma grande mãe. Intervém positivamente na vida das pessoas sempre que pode, ainda que sua própria vida seja uma bagunça. É claro que a visão que ela possui sobre o Brasil é da caricata Copacabana da década de 60, com as mesmas músicas. Mas não ofende, pelo contrário, é um elogio. Mesmo não havendo nenhum segundo sequer no Brasil, o ideal de se estar na colorida, apaixonante, e alegre terra descoberta por Cabral colore o cinza da vida real de Babou. A França é o cinza da vida real, e o Brasil é a cor do sonho. Bem como a cor do sonho deve pintar o casamento de Esméralda, que dá sinais claros de caminhar para um cinza infinito.

Copacabana é divertido e leve. E o público brasileiro não se importará com a caricatura generalizada que sempre nos incomoda, pois já estará apaixonado pela autenticidade de Babou.

Ósculos e amplexos!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"O Pai dos meus Filhos", 2009: Um filme sem começo, nem fim, apenas meio!


"O Pai dos Meus Filhos" (Le père de mes enfants). [França], 2009. Direção e Roteiro: Mia Hansen-Løve. Elenco: Louis-Do de Lencquesaing (Grégoire Canvel), Chiara Caselli (Sylvia Canvel), Alice de Lencquesaing (Clémence Canvel), Alice Gautier (Valentine Canvel).

Somente após descobrir que o filme é uma homenagem à Humbert Balsan, genial produtor de cinema que se matou quando entrou em falência, é que o filme fez um pouco de sentido. Para quem não possui essa referência acaba assistindo um filme sem muita objetividade, sem mocinho, sem mocinha, sem bandido, sem história, sem nada. Uma pena, pois seus personagens são bastante cativantes, mas sem uma história que os conduzam para qualquer lugar.

O filme conta a história da família Canvel. Ela possui uma mãe atenciosa, três filhas lindas, e um pai para lá de atarefado devido ao seu estafante e corrido trabalho de produtor de cinema. Não é fácil ser a família de um gênio. Ao contrário de sua conta bancária, um gênio não possui limites. E uma das obras mais empolgantes na vida do produtor é justamente o causador de sua falência.

O filme não tem começo, nem fim. Apenas meio. A única surpresa, ação, drama, momento, ou qualquer coisa que acontece no filme está exatamente na metade. Antes da metade, temos um cansativo e competente Louis-Do atuando. Depois temos Chiara Caselli não dando conta nem de sua personagem. O filme fica poluído em meio a tanta informação.

Resumindo, o filme acaba sendo muito fraco - o que é uma pena.

Ósculos e amplexos!

"Um Gato em Paris", 2010: leve e fofa história policial.


"Um Gato em Paris" (Une Vie de Chat) [Bélgica, França, Holanda, Suíça], 2010 Direção: Atores: Dominique Blanc, Bruno Salomone, Jean Benguigui, Oriane Zani. 70 min Animação/Policial/Infantil Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol

Para os brasileiros que tiveram a felicidade de ser iniciado na literatura através dos contos policiais da Coleção Vagalume vão gostar bastante do francês "Um Gato em Paris". Irá então se deliciar aquele que gosta de uma história de detetive leve, bem contada, e com várias referências à filmes consagrados de "Os Bons Companheiros", 1990 à "Aristogatas", 1970. "Um gato em Paris" conta a história da vida dupla de Dino, um gato de uma linda menininha de dia e de um "gatuno" à noite.

A história é bastante convencional, bem como sua animação. Principalmente por estarmos acostumados com as superproduções como as da Disney ou as pesadas animações francesas como "As Bicicletas de Belleville", 2003 e "O Mágico", 2010. As cores são muito bem usadas e os recursos que dão leveza ao ladrão, dureza aos policiais, e "patetice" aos gângsters são atraentes e convincentes. Agrada às crianças e os adultos. O filme se dá ao luxo de algumas "gags" gratuitas, como a do cachorro que vive latindo durante as rondas do gato, sem forçar absolutamente nada na história.

O grande problema é que vieram somente cópias dubladas para o Brasil e que nem sempre conseguem extrair uma boa expressão vocal. E um probleminha é que o fim da história promove uma certa impunidade do qual me incomodou, mas nada que estragasse o filme.

Leve e fofa, uma atração bastante familiar e gostosa de assitir.

Ósculos e amplexos!

"Venus Negra", 2010: mórbido e torturante demais!


"Vênus Negra" (Venus Noire) [França / Itália / Bélgica] , 2010 - 159 minutos Drama Direção: Abdellatif Kechiche Roteiro: Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix Elenco: Yajima Torres, Andre Jacobs, Olivier Gourmet, Elina Löwensohn

Assombrosamente, trata-se de um filme baseado em uma história real. Ainda mais assombroso é saber que tão somente em 2002 seu corpo foi repatriado, graça ao Presidente Nelson Mandela. Estamos falando da "Venus Hotentote", nome artístico de Saartjie Baartman (Torres), apresentada em um show de horrores como bizarra atração negra, selvagem, de corpo com grandes proporções. Sem dúvida, trata-se de um filme atual, ainda que se passe em 1815.

O filme é torturante. Temos logo ao início o desprazer de ver totalmente o show de horrores, sem cortes, ao lado da plateia inglesa. Ao longo de praticamente vinte e poucos minutos será apresentada uma mulher sendo tirada de uma jaula, sendo humilhada de diversas formas diferentes, sendo tratada como um animal sendo domesticado. Quando não há mais estômago para tamanha humilhação, o Hendrick Caesar (Jacobs) seu sócio e capataz convida a plateia a tocá-la, que o fazem nem sempre com as mãos.

O problema da coisa é que o filme é longo, demasiadamente repetitivo, torturando o espectador até que a revolta perca definitivamente para a repulsa. O que revela um certo sadismo de Kechiche, pois a mensagem já é passada logo nos primeiros minutos da exibição e nada além da tortura é apresentada nos minutos seguintes. A Venus Hotentote é atração de circo em Londres, vira atração da aristocracia em Paris, é vendida para "a ciência, decai e vira prostituta, até que morre... mas tem seu corpo dissecado e exposto em um museu de história natural na França até a década de 1980.

Torturante, foram poucos os que aguentaram até o final tamanha atrocidade.

Ósculos e amplexos!