As críticas de cinema de Michael Genofre que você se acostumou a ver no CozinhadoNoSense agora estão aqui!
quarta-feira, 9 de maio de 2012
"O Casamento do Meu Ex", 2010: Quantas oportunidades jogadas fora!
E novamente o título dado aqui no Brasil não favorece muito o filme. As Românticas era a forma em que os Lila (Paquin) e Laura (Holmes) eram conhecidas nos tempos de faculdade. Inseparáveis, dividiam praticamente tudo, inclusive o namorado Tom (Duhamel). Na verdade, sem maiores explicações, Tom troca Laura por Lila e com essa vai se casar. Como madrinha de honra, Lila foi convidada. O filme, que possui o péssimo título que nos remete imediatamente à comédia-romântica "O Casamento do Meu Melhor Amigo, 1997" e o cartaz típico de comédia independente engana. Quem vai para o cinema para ver uma comédia romântica, depara-se com um romance bem fraquinho.
Ao longo dos 95 minutos de exibição, vamos vendo a melancolia de praticamente todos os personagens saltarem da tela, mas sem nenhuma objetividade. As situações de conflito e os melhores momentos se anunciam, mas quando chega a hora de vermos algo acontecer: nada acontece. Dá-se mais atenção para os momentos de "picardias estudantis", como a persistente ideia de se nadar pelado (que no fim das contas acaba sendo um nado de roupas íntimas). E, com isso, vamos nos irritando com o eterno e constante sentimento de coito interrompido.
O elenco é bom. Tem-se o que há de maior frescor. Mas os personagens não convencem. O andar rápido, com saia de normalita da personagem Lila no começo do filme nos antecede que ela fará uma personagem que não nos convence. A belíssima Holmes tem a mesma cara tanto para sofrimento quanto para o momento de bebedeira com a rapaziada. E o drama com os outros casais é praticamente um tédio só (quando aparenta que algo vai de fato acontecer, novamente coito interrompido). Até mesmo quando o vestido de noiva se rasga, que poderíamos ver uma excelente hora de explosão de som e fúria, outro coito interrompido. O final não poderia ser diferente, outro coito interrompido.
Que pena, pois os personagens tinham muita facilidade de nos cativar. Realmente, vamos nos compadecendo no drama de cada um dos personagens. Exceto o de Elija Wood, que realmente não tem o menor espaço no filme (além de estar horrível e sem sentido algum).
Ósculos e amplexos!
"Projeto X" (2012): que coisa horrorosa!
A história é a de sempre: outsiders que desejam ser pop e que fazem qualquer idiotice para conseguir. Thomas Mann e seus amigos aproveitam a ausência dos pais daquele para armar uma festa. O resultado: a festa toma proporções imensas até sair completamente exorbitantemente e destrutivamente - e não estou exagerando - fora de controle. Se tiver estômago ou não mais que 16 anos, (ainda que o filme seja recomendado para maiores de 18), é capaz de gostar dessa coisa horrorosa.
Dá para se aproveitar muito pouco. Talvez a parte em que roubam um anão. Talvez os momentos mais picantes. Mas, nada que deveria ser demais é, e nada que deveria ser deixado de lado foi. E me irritei muito com inúmeros momentos do filme.
Preocupa-me a releitura de "Curtindo a Vida Adoidado" para a época pós-Se Beber Não Case e Jack Ass.
Definitivamente, idiota e uma perda de tempo.
Ósculos e amplexos!
"Mamute", 2010: Suave, como exige esse paquiderme.
- "Mamute" (Mammuth) 2010 Diretor: Gustave de Kervern, Benoît Delépine Elenco: Gérard Depardieu, Yolande Moreau, Isabelle Adjani, Benoît Poelvoorde, Miss Ming Gênero: Comédia Dramática Duração: 92 min. País: França
"Espelho, Espelho meu!" (2012): divertido de tão bobinho.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Entretenimento familiar: filmes da temporada de férias 2012.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
"Um Sonho de Amor", 2009: Bella storia e belle foto!
Duas reclamações são obrigatórias antes de se avaliar este filme: o nome péssimo e absurdamente genérico que deram aqui no Brasil, podendo ser tranquilamente ser chamado de "Eu Sou o Amor" - o que faria muito mais sentido e paladar ao filme - ; e a demora para chegar nas telas, pelo menos de Curitiba - dois longos anos!!!
Reclamações feitas, vamos ao filme. Para quem sempre está com saudades dos bons filmes italianos, este é de deixar o espectador satisfeito. Sim, daqueles que provocam, instigam, envolvem, e ainda possui uma paisagem de se perder o fôlego. Aos poucos, sem nenhum salto, no tempo exato, vai se construindo a história principal, os personagens vão sendo compostos com complexidade e profundidade, e as paisagens e a fotografia vão se fundindo com o drama de cada um em cena e a nossa paixão pela Bella Itália vai às alturas.
O filme apresenta uma família tradicional, de classe alta de Milão, em que à princípio não se tem nenhum outro drama senão a preocupação em se fazer um jantar de gala para seu anfitrião, o patriarca Edoardo Recchia Senior (Ferzetti), encaixando uma convidada de última hora de seu neto, Edoardo (Parenti). Em meio ao jantar, que está sendo um sucesso, um novo drama: Edoardo Senior anuncia sua aposentadoria, surpreendendo a todos ao anunciar como sucessor não apenas seu filho, o monótono e ambicioso Tancredi (Delbono) mas também a seu neto Edoardo. Logo, outro drama surge: a neta, Delfina (Codecasa), seguindo a tradição da família de se presentear com um quadro - preferencialmente de própria autoria - presenteia o nono com uma fotografia, coisa que visivelmente constrange o patriarca e que mesmo tentando disfarçar provoca mal-estar em toda a família. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, outros irão surgir com maior força e maior intensidade fazendo com que os primeiros sejam transformados em mera futilidade.
Antonio (Gabriellinni), amissíssimo de Edoardo, que o vencera em uma corrida e que já havia se tornado um constrangedor tema daquela janta, aparece na mansão Recchia para demonstrar sua amizade por Edoardo. Aos poucos, vamos descobrir uma amizade de profunda admiração e irmandade entre os dois. Tal profunda admiração se extende também para a alma do filme: Emma (Swinton), que se encanta com o rapaz e com seu talento culinário. Deste ponto em diante, temos em cena a tragédia do amor, como em uma ópera italianíssima.
O filme vai sendo construído com inteligência e vai sempre deixando marcas em quem assiste. É impossível não suspirar com as belas imagens e com a atuação bastante convincente de Swinton (que a cada dia mais me surpreende com sua boa forma e talento cênico). Somos tranportados para as belas imagens de Milão e San Remo, ficamos aflitos com a frieza de Londres, sentimos o cheiro da rica culinária de Antônio, nos apaixonamos por todos os personagens. O filme começa em pleno inverno, com calçadas branquinhas de neve, e vai esquentando ao longo da trama. Tudo o que foi construído no começo passa a ser descontruído com aquela beleza do amor/tragédia italiana. Emma vai se descobrindo na medida em que sua história original é resgatada, ao mesmo tempo, sua vida vai passar por processos nada fáceis. Somente quem é puramente amor poderia tomar as decisões tomadas. E, de quebra, rapidamente várias surpresas no final não deixam o filme com pontas soltas.
Talvez minha única queixa é a existência de um personagem que passou, inclusive, sem falas. O irmão de Edoardo. Ele está ao longo de todo o filme, mas nem no cartaz aparece. No restante, é um filme lindo e que vale a pena de se comprar assim que achar nas prateleiras. Um filme italiano daquele que estávamos com saudade!
Ósculos e amplexos!
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
"Melancolia", 2011: poético e fascinante fim do mundo.
Ósculos e amplexos!
"Professora Sem Classe", 2011: não faz rir, além de ser patético.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011
"Os Smurfs", 2011: Para crianças de hoje, lembre-se disso!
"Os Smurfs" (The Smurfs Peyo) [EUA] 2011 - 102 min. Animação / Infantil Direção: Raja Gosnell Roteiro: J. David Stem, David N. Weiss, Jay Scherick, David Ronn Elenco: Neil Patrick Harris, Jayma Mays, Sofía Vergara, Hank Azaria, Jonathan Winters, Katy Perry, Anton Yelchin, Frank Welker, Fred Armisen, Alan Cumming, George Lopez
Enfim, um filminho bom e agradável para assistir com a família.
Smurfs e smurfs!
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
"Capitão América: o primeiro vingador", 2011: história bem contada.
"Capitão América: o primeiro vingador" [Captain America - The First Avengers ] EUA , 2011 - 124 min. Aventura Direção: Joe Johnston Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Richard Armitage, Toby Jones, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, JJ Feild, Bruno Ricci, Lex Shrapnel, Michael Brandon, Martin Sherman, Natalie Dorme.
Ósculos e amplexos!
terça-feira, 12 de julho de 2011
"Cilada.com", 2011: infelizmente, é fraco.
"Cilada.Com" [Brasil], 2011 - 95 min. Comédia Direção: José Alvarenga Jr. Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Augusto Madeira, Carol Castro, Fabiula Nascimento, Fúlvio Stefanini, Sérgio Loroza, Thelmo Fernandes, Marcos Caruso, Luis Miranda, Débora Lamm, Alexandre Nero, Karla Karenina, Dani Calabresa, Milhem Cortaz, Rita Elmôr, Fernando Caruso
Nada mal, porém nada bem. O filme que se propunha a ser comédia de esquetes, escorrega feio ao buscar um jeitão "comédia-romântica ianque". E o resultado é uma ótima história em um filme fraco, infelizmente. Infelizmente, pois, o filme é composto por uma constelação interessantíssima de atores e atrizes de elevadíssimo talento. Mas, a falta de ritmo incomoda, e algumas gags são buscadas de maneira lamentáveis - que lembra, porém completamente fora do esquadro o "Se Beber Não Case".
Em meio ao casamento de uma prima, Fernanda (Leme) vê seu namorado, Bruno (Mazzeo) com outra. Ou melhor, todos veem a cena, pois eles estavam atrás do biombo utilizado para uma projeção e que caíra justamente quando a moça se apoiou para buscar, vamos dizer assim, uma posição melhor. Para se vingar, Fernanda posta na internet uma pífia performance sexual de menos de doze segundos entre Bruno e ela. O vídeo se transforma em um verdadeiro webhit, tornando a necessidade de Bruno "limpar a barra" uma verdadeira odisseia.
Aos poucos, vamos vendo um humor que não colabora em nada com a história. Além disso, demonstra algumas apelações que considerei desnecessárias (como por exemplo, e que está no trailer, a eterna atitude discriminatória de generalizar o pênis negro). Mas, a situação vai piorando. Preconceito de classe, preconceito contra transsexuais, preconceito para com tudo e todas. Enfim, somente a mulher ninfomaníaca e que gosta de tapas no rosto é a mulher da vida do fracassado Bruno.
Bruno como homem é péssimo, como profissional é fraco, como namorado é um sacana, e como ser humano é uma miséria. Tais elementos em momento algum do filme tem redenção. E por uma risada gratuita, realmente o filme é fraco demais e chega a insultar. O adúltero tem sua redenção facilmente estampada ao longo de todo o filme. E a mensagem de que ficar com alguém para não ficar sozinho enquanto sendo amor é de amargar todo o melado que se propunha na parte romântica do filme.
Algumas situações são hilárias. Porém, quase todas estão nos trailers.
Ósculos e amplexos!
segunda-feira, 4 de julho de 2011
"Os Pinguins do Papai", 2011: que vontade de gritar me deu!
"Os Pinguins do Papai"(Mr. Popper's Penguins) [EUA] , 2011 - 94 min. Comédia Direção: Mark Waters Roteiro: Jared Stern, John Morris, Sean Anders Elenco: Jim Carrey, Carla Gugino, Angela Lansbury, Ophelia Lovibond, Madeline Carroll, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Dominic Chianese Por causa de um pai ausente (vamos combinar que o estadunidense deve ter muito problema com isso), Poppers (Carrey) é um homem de negócios sem muitos valores. Por isso, é divorciado e um fracasso como pai. Por outro lado, é um gênio quando se trata de transaçõs imobiliárias. Mas, sua vida dá uma grande guinada. Seu pai falece, deixando de herança um pinguim. Justo quando o maior desafio de sua carreira foi decretada por seus chefes: a de comprar a impossível e única localização privada do Central Park de Nova Iorque.
Bom, segue o de sempre. O blá-blá-blá água com açúcar de sempre. Popper vai aprender a ser pai com os pinguins. A rede de relacionamentos dele vai sofrer uma alteração brusca na medida em que vai aprendendo a lição. E tome cocô de pinguim para provocar risos, pois as caretas de Carrey não são mais tão boas.
Não agrada, tem pouca graça, e mesmo na hora em que uma perseguiçãozinha muito da fraquinha acontece a coisa não empolga. Além disso, os sempre graciosos pinguins são apenas graciosos. Dão a impressão de que o filme está fora de prazo, talvez sendo melhor aproveitado na televisão em época de natal. Mas no cinema é uma grande chatice.
Em tempo: o filme tem uma brincadeira com a língua do Pê que realmente não se encaixou em nada - mais evidenciado na secretária de Popper. Se era para rir, acho que não deu certo, pois irrita.
Ósculos e amplexos!
"Transformers 3", 2011: para quem quer porrada!
Bom, atendo-se ao filme: oras bolas, quem vai ao cinema assistir Tranformers vai para ver muita, mas muita pancadaria entre os robôs. E neste quesito, o filme é de perder o fôlego. A relação entre os robôs e a Terra é mais antiga do que os outros dois filmes nos contaram. A guerra deles derribou na lua uma nave abatida onde a esperança dos Autobots estava dentro. (E que não vou contar para não estragar as pouquíssimas surpresas do filme). Mas, a descoberta desta nave pelos humanos aconteceu ainda na época da corrida militar entre EUA e URSS, e muito mais do que os próprios robôs sabiam estavam escondidos nos arquivos presidenciais.
Paralelamente, os humanos mais próximos dos robôs são todos uns, como a tradução gosta de chamar os out-siders, fracassados. Sam Witwicky (LaBeouf), heroi de guerra condecorado, formado em uma das mais importantes universidades dos EUA, é um grande desempregado bancado pela namorada (H-Whiteley). O mesmo acontece com outros mais chegados dos robôs, que nem sequer se aproximam da arrogância dos militares e seus interesses bélicos.
O filme acaba sendo um dos maiores disperdício de atores que já se viu, inclusive o sempre eficiente John Malkovich. Os personagens são irritantemente vazios, quando não alternam essa irritação por falas cheias de arrogância que faz com que o espectador sinta verdadeiras vontades de sair do cinema tamanho os insultos. Mas tudo isso faz parte do cenário caótico que virá. (Lembrando que Huntington-Whiteley é muito, mas muito ruim, apesar de belíssima!).
Indo direto ao assunto, o filme não decepciona no fim das contas. Afinal, quem quer saber de história de amor em um filme que promete pancadaria? E neste quesito, realmente o filme lembra parte da minha infância ao explicar por que meus brinquedos viviam aos pedaços. São mais de quarenta minutos de pancadaria convincente e sem tréguas - com direito à baixas em todos os lados, inclusive a pulverização de humanos!!! Chicago vai pras cucuias, com quedas e explosões convincentes. E os robôs... ah! os robôs! Estão maravilhosamente sanguinários (com direito à sangue jorrando dos robôs!).
O filme é para quem quer ver porrada, porrada, e destruição. Esqueça tudo o mais, pois não presta. Somente os encontrões e explosões fazem o filme interessante.
Ósculos e amplexos!
"Carros 2", 2011: sem o charme e a nostalgia do primeiro.
"Carros 2"[Cars 2] (EUA) , 2011 - 113 min. Animação / Infantil Direção: Brad Lewis Roteiro: Ben Queen Elenco: Owen Wilson, Larry the Cable Guy, Michael Caine, Emily Mortimer, Jason Issacs, Thomas Kretschmann A continuação perde o ar nostálgico da Rota 66 imortalizada por Janis Joplin (e também pelo já, ainda bem, extinta propaganda de cigarros). Desta vez, a história busca ser um pouco mais mundializada. É justamente neste momento em que Carros 2 perde completamente seu charme e se torna um filme chato para adultos e sem muita graça para crianças.
Relâmpago McQueen é o mesmo carro de corrida do primeiro filme e que após quatro temporadas campeão, volta para Radiator Springs - local onde aprendeu a beleza da humildade e a alegria de se ter uma família e namorada. Em férias, não quer saber de corrida até que seu grande e "caipira" melhor amigo Mate resolve defender sua honra. Uma corrida mundial (mas em apenas três países) para promover um combustível ecológico fez com que o arrogante carro de corrida Francesco provocasse Relâmpago, mas vigorosamente defendido por Mate. E assim, toda a família de Radiator embarca para ser a equipe de McQueen no Grand Prix idealizado por Miles Eixonarroda - o milionário que descobriu o combustível. Paralelamente, uma conspiração internacional ameaça o combustível verde e terá o detetive James Bond, ou melhor, Finn McMissíl na cola deles para desvendar o mistério que ronda sobre as explosões dos carros de corrida.
Em comparação, já que se trata de uma continuação, o filme tem desta vez como protagonista o desajeitado Mate. Ele é o grande responsável pelos momentos de qualidade do filme, bem como suas gags. Mas, a corrida, coisa principal do filme, ficou em um plano tão longínquo que fez com que se perdesse o charme do primeiro filme. Além disso, muitas pontas soltas acabam tornando o filme quando não sem maior conteúdo, previsível demais.
O filme não é ruim, apenas não tem o charme e a nostalgia do primeiro.
Ósculos e amplexos!
sexta-feira, 24 de junho de 2011
"Meia-Noite em Paris", 2011: Woody Allen se revigorou com uma declação de amor.

Desde 2005 que Woody Allen se reinventa. Abandonou aquela insistente busca por um lado felliniano que não possui e resolveu divagar pelo mundo seu jeito esquizofrênico em verdadeiras declarações de amor pelas cidades onde seus novos filmes são ambientados. Um Woody Allen com sotaque e um olhar inteligente, mesmo que seu alter-ego seja sempre seu personagem principal. Em "Meia-Noite em Paris", de maneira leve, declara-se o amor pela Cidade Luz da seguinte forma: - "Cara, como consegue essa cidade ser tão mágica? Tenho que falar com a Câmara do Comércio sobre algumas coisinhas!". E tal declaração de amor lhe rendeu o filme que já é sua melhor produção desde "Hanna e suas irmãs", 1985.
O alter-ego de Allen é Gil (Wilson), renomado e cansado roteirista de Hollywood que deseja publicar um livro realmente bom. Ele está prestes a se casar com a linda, intragável e completamente fútil Inez (McAdams) e vão para Paris a fim de objetivos bastante diferentes. Mas Gil acaba tendo um romance paralelo: apaixona-se pela cidade e misteriosamente é conduzido para uma Paris dos anos 1920, onde se encontra com seus ídolos e referências como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí e tantos outros (com direito a uma sequência de gags com nada menos que Salvador Dalí).
De uma maneira bastante suave, Gil vai ocupando todos os espaços do filme. Não se trata de uma comédia, mas de um encontro. Ainda que Allen dê momentos de política, filosofia e sua eterna maneira particular de ridicularizar a psicologia, seu alvo principal é a pseudo-intelectualidade. Aliás, dá uma surra no intelectual de Sourbonne quando viaja pelo tempo e comprova que a arte deve ser vivida e não somente ostentada. Quem não vive a arte, apenas acumula informação e se torna pedante. E o personagem intelectualoide é Paul (Sheen), que dá encima descaradamente da noiva de Gil enquanto toma atitudes irritantes como a de discutir com a guia vivida pela Primeira-Dama francesa Carla Bruni-Sarkozy. Também sustenta uma tese que será o grande drama do filme: por que uma geração sempre venera a geração anterior?
O filme é lindo, leve, romântico, mas exige um público iniciado - mas não muito - em letras e artes. Se não conhecer Buñuel, se não assistir seu "O Anjo Exterminador", 1962, não vai entender a piada maravilhosa que aparece quando Gil dá uma ideia de filme ao próprio diretor espanhol. Se não entender um pouco das literaturas francesa e americana, certamente não vai entender a brincadeira entre Fitzgerald e Gil sobre Mark Twain. Mas não se preocupe, o filme é bom e tão somente os pseudo-intelectuais - tão ironizados no filme - irão se preocupar em dissecar cada uma dessas referências.
Excelente, é um Woody Allen revigorado.
Ósculos e amplexos!
terça-feira, 14 de junho de 2011
"Potiche", 2010: comédia e crítica atual, feminina, e feminista.

"Potiche: esposa trofeu" (Potiche) [França], 2010 Direção: François Ozon Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Karin Viard. 103 min Comédia
Apenas pelo fato do diretor Ozon estar novamente fazendo comédia já seria uma ótima notícia. Mas a boa notícia não para por aí, Catherine Deneuve e Gérard Dépardieu fazem novamente uma dupla romântica no cinema – bem mais envelhecidos que em "O Último Metrô", 1980, mas com o mesmo charme.
"Potiche", em francês, significa vaso, mas que é utilizado figurativamente para aquela esposa que vive para seu marido, como um enfeite de prateleira. A grande "Potiche" aqui é Suzanne Pujol (Deneuve), filha de um grande fabricante de guarda-chuvas amado por seus operários, mas que é esposa daquele que recebeu 45% da fábrica como dote e que é seu CEO Robert Pujol (Luchini). Com mão-de-ferro e imenso desprezo para com a classe operária, Robert tenta em vão sufocar a greve. E o resultado: Robert foi sequestrado pelos trabalhadores e, neste processo, acaba tendo um enfarto.
Suzanne toma uma atitude corajosa: assume o lugar do marido na fábrica. Mas o que era para ser temporário e apenas de fachada para acalmar os grevistas acaba se tornando um grande sucesso. E aos poucos vamos vendo Suzanne se transformando em uma mulher bastante feminina, porém com ótima desenvoltura e bastante poderosa em cada uma de suas ações.
Deneuve faz de tudo neste filme. Brinca os mais cinéfilos que só falta ela fazer malabares – pois canta, dança, e interage de maneira a esbanjar perfeição. O filme se passa na década de 1970, quando o Partido Comunista Francês era poderoso e praticamente resumia a esquerda. Nos dando um Dépardieu absurdamente grande, interpretando Maurice Babin, uma imagem saudosa do comunista ex-sindicalista que virou parlamentar. Suzanne e Babin tiveram uma paixão de adolescente muito bem contada na história e a química entre Deneuve e Dépardieu está maravilhosa.
Como o filme se baseia em uma peça teatral, o filme é bastante exagerado nas interpretações, cores e aspectos caricatos dos personagens. Mas, apesar de se passar na década de 70, é bastante atual e a mensagem feminista é passada de maneira suave e muito envolvente. Não é um filme para risos histéricos, mas para aquelas risadas de pessoas de bom gosto e que percebem a crítica ao chauvinismo burguês.
Bem elaborado, "Potiche" promete boas risadas e a "recaída" de amores por nossa eterna "Bela da Tarde".
Ósculos e amplexos!
"Copacabana", 2010: divertido e leve, nos apaixonamos antes de ficarmos irritados.
"Copacabana" (idem) [França/Bélgica], 2010 Direção: Marc Fitoussi Roteiro: Marc Fitoussi Elenco: Isabelle Huppert, Chantal Banlier, Magali Woch, Lolita Chammah Duração: 105 min Comédia/Drama
Os franceses praticamente se tornaram pais do gênero Comédia-Dramática. "Copacabana" é um exemplo disso. Babou (Huppert), de espírito livre e de imensa autenticidade, tem uma complicado relacionamento com sua filha Esméralda (Chammah). Ela não aceita o jeitão adoidado de sua mãe e pede para que não comparaça em seu casamento como garantia de que não ficará envergonhada. A decisão de sua filha fez com que Babou tomasse as rédeas de sua vida, indo para a monótona cidade de Ostende, na Bélgica, a fim de provar que é capaz de ser responsável, de ser uma pessoa normal.
O contraste entre Babou e Esméralda é constante, bem como constantemente é contrastada a vida real com a vida idealizada. Exemplo disso é a tomada aérea da praia de Ostende ao som de samba, é o som alegre da batida brasileira no deprimente balneareo belga. Ela, Babou, vai trabalhar "pescando" turistas para imóveis "timeshare" - apenas um em cada oito amigos que voltam da Europa falam que é um bom negócio, os outros sete chegam a se contorcer de raiva. Melhor explicando, são inúmeras as formas de se pescar o turista para timeshare, que vale desde raspadinhas até mesmo um passeio de limousine. Mas quando o turista entra no prédio, deparará-se com uma agressiva abordagem e quase três horas de palestras, apresentações, tudo para que o impulso o obrigue a fechar negócio. Babou se encontra trabalhando em um sistema considerado por muitos como pura falcatrua.
O filme é uma delícia de se ver. Babou é o carisma é pessoa. Sente muito a falta da filha, mas não perde o sonho de demonstrar que é uma grande mãe. Intervém positivamente na vida das pessoas sempre que pode, ainda que sua própria vida seja uma bagunça. É claro que a visão que ela possui sobre o Brasil é da caricata Copacabana da década de 60, com as mesmas músicas. Mas não ofende, pelo contrário, é um elogio. Mesmo não havendo nenhum segundo sequer no Brasil, o ideal de se estar na colorida, apaixonante, e alegre terra descoberta por Cabral colore o cinza da vida real de Babou. A França é o cinza da vida real, e o Brasil é a cor do sonho. Bem como a cor do sonho deve pintar o casamento de Esméralda, que dá sinais claros de caminhar para um cinza infinito.
Copacabana é divertido e leve. E o público brasileiro não se importará com a caricatura generalizada que sempre nos incomoda, pois já estará apaixonado pela autenticidade de Babou.
Ósculos e amplexos!
segunda-feira, 13 de junho de 2011
"O Pai dos meus Filhos", 2009: Um filme sem começo, nem fim, apenas meio!
"O Pai dos Meus Filhos" (Le père de mes enfants). [França], 2009. Direção e Roteiro: Mia Hansen-Løve. Elenco: Louis-Do de Lencquesaing (Grégoire Canvel), Chiara Caselli (Sylvia Canvel), Alice de Lencquesaing (Clémence Canvel), Alice Gautier (Valentine Canvel).
Somente após descobrir que o filme é uma homenagem à Humbert Balsan, genial produtor de cinema que se matou quando entrou em falência, é que o filme fez um pouco de sentido. Para quem não possui essa referência acaba assistindo um filme sem muita objetividade, sem mocinho, sem mocinha, sem bandido, sem história, sem nada. Uma pena, pois seus personagens são bastante cativantes, mas sem uma história que os conduzam para qualquer lugar.
O filme conta a história da família Canvel. Ela possui uma mãe atenciosa, três filhas lindas, e um pai para lá de atarefado devido ao seu estafante e corrido trabalho de produtor de cinema. Não é fácil ser a família de um gênio. Ao contrário de sua conta bancária, um gênio não possui limites. E uma das obras mais empolgantes na vida do produtor é justamente o causador de sua falência.
O filme não tem começo, nem fim. Apenas meio. A única surpresa, ação, drama, momento, ou qualquer coisa que acontece no filme está exatamente na metade. Antes da metade, temos um cansativo e competente Louis-Do atuando. Depois temos Chiara Caselli não dando conta nem de sua personagem. O filme fica poluído em meio a tanta informação.
Resumindo, o filme acaba sendo muito fraco - o que é uma pena.
Ósculos e amplexos!
"Um Gato em Paris", 2010: leve e fofa história policial.

"Um Gato em Paris" (Une Vie de Chat) [Bélgica, França, Holanda, Suíça], 2010 Direção: Atores: Dominique Blanc, Bruno Salomone, Jean Benguigui, Oriane Zani. 70 min Animação/Policial/Infantil Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol
Leve e fofa, uma atração bastante familiar e gostosa de assitir.
Ósculos e amplexos!
"Venus Negra", 2010: mórbido e torturante demais!
"Vênus Negra" (Venus Noire) [França / Itália / Bélgica] , 2010 - 159 minutos Drama Direção: Abdellatif Kechiche Roteiro: Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix Elenco: Yajima Torres, Andre Jacobs, Olivier Gourmet, Elina Löwensohn
Torturante, foram poucos os que aguentaram até o final tamanha atrocidade.
Ósculos e amplexos!
